15 de ago de 2011

Poema casual da moça oblíqua

Tentei te encontrar de incontáveis maneiras
Me perdi de inúmeras formas

Me amarrei à minha culpa / me abandonei
Achando que você é que tinha ido embora

Ninguém nunca esteve aqui
E eu rezando, bebendo, amando, jogando.
Me esquivando.
Você nunca esteve aqui.

Há tanta vida na morte.
Se eu ainda tivesse todas as respostas, você estaria aqui?

Não tenho medo dos seus erros.
Só da minha falta de coragem
De assumir minha responsabilidade com essa vida clichê e babaca da gente.

Falta aí um tanto de vontade

Ainda se eu soubesse de quais piadas devo rir.
a hora de ir.
sorrindo indefinidamente no infinitivo.

essa vida anda muito à minha revelia.
faço votos de que eu ainda vá encontrar essa saída de mim mesma.
E te encontrar na próxima esquina.

sem lágrimas.amarras.cachaças.máscaras.

eta diabo.

10 de ago de 2011

filha de oxum

O peito furou
a mão recuou
o salto quebrou
a voz.

o problema da solidão é que ela tem que ser encarada sozinha
eu te disse um dia
você ouviu? Você já estava aí?

eu nao te vejo mais.
enquanto passeio invisível pelas ruas

e eu, achando que vida era superação
boba eu, pobre de mim

vida é sombra
não tenho nenhuma resposta

nem passado

a epifania de um momento sem fim
a vida em suspensão
a trajetória, o caminho
exausta de tanta razão


8 de ago de 2011

voluntária de mim

Ela senta
com seus olhos de profundidade
me engolindo

Ela senta
com suas mãos contorcidas
me empurrando

bolas de fogo d'água
me consumindo

Seu fantasma
em sua carne flácida
Seus finos cabelos brancos
em sua cabeça rala

Perdeu o marido para a irmã
A filha para a morte
O apartamento para as netas

Seus olhos me possuindo
Londres, Paris, Berlim

nossos destinos assim cruzados
justamente no seu fim.

5 de ago de 2011

toros

Sonhei

Você me salvava
me amava
a gente se roía

Eu te vi no meu sonho, a gente era igual
Genial

To cansada
In
Benjamin
Beijo
Em mim

Saturno, eu nunca mais vou me apaixonar

Bebi todos os vinhos da noite
Os copos dos outros
As taças,  adágas
Minha filha, Ágata.

A gente se encontrava
Eu me perdia
A gente sorria

Adormece, benzinho. te nino em meu colo.
Em seu sonho: meu ombro.