31 de dez de 2012

Meilleurs voeux


Resolvi começar a escrever no final do ano
Recomeçar aquilo tudo que deixei de fazer antes dos fatos
O nó da sua gravata gravado no que, 5 minutos depois, já é passado

Ai o ritmo inexorável dos chichês dos meus sonhos
Eu correndo nua nas páginas de um livro publicado
O que seria de nós, adão, se cada um não carregasse seus próprios pomos?

Digo, maçãs na oferenda pra Iemanjá, uva em cacho
Vestido brocado, batom vermelho e salto alto
365 me tornaram tanto dislexa, apaixonada e distraída
Ao menos, aí vem você segurando minha mão e apontando a saída.

30 de out de 2012

Le Scaphandre et le Papillon



O filme quase todo mundo conhece, o escafandro e a borboleta. O cara em coma e tals.

Comecei a assistir alguns anos atrás e desisti no começo. Muito pesado pra uma sexta-feira à noite.
O cara, ex redator da Elle francesa, sofre um AVC, fica em coma durante 3 semanas e quando acorda, absolutamente lúcido, não consegue mexer nem um músculo do corpo, esboçar nenhuma reação, comer, ir ao banheiro. O caso é chamado de “locked in syndrome”.

Aterrorizante. Pelo menos pra mim.
(Deus me dê forças para não falar em nome dos outros. Ou assumir meus medos como coletivos para minimizar minhas dificuldades.)

Bem, assisti novamente o filme na semana passada e fiquei mais chocada ainda ao saber que foi baseado no livro escrito pelo protagonista, Jean-Dominique Bauby.

Bem, durante esse período pós-coma, ele se comunicava com os outros somente piscando o olho esquerdo: uma piscadinha para sim, duas para não. Então uma das médicas que se ocupava dele apresenta um alfabeto diferente, por ordem de uso das letras.

Assim, ao invés de a, b, c, d, e, f....seria e, s, a, r, i, n, t, u, l... (O e seria a letra mais utilizada para se comunicar na língua francesa, pois ela aparece em mais palavras.)

A partir disso, os dois começam um trabalho de formiguinha que resulta no livro: a médica dita cada uma das letras e quando a letra que ele busca aparece ele pisca o olho.
E assim ele escreveu um livro de mais de 100 páginas.

!

O livro foi sucesso mundial com mais de 20 milhões de cópias vendidas e acabou virando um filme.
Jean-Dominique morreu algum tempo depois da publicação.

***

Os atores e a equipe técnica do filme é francesa, mas o diretor é americano. E o que é interessante (além do trabalho bem curioso que ele faz com a câmera desfocada durante o filme) é que ele é conhecido também como pintor neo-expressionista. E sabe? C’est pas mal.

Olha que moderninho:





Essa é uma das minhas favoritas:



Morte e vida severina, não?

http://www.julianschnabel.com/

Nobuyoshi Araki


Troquei a foto do header. Todo mundo percebeu?
Chocante eu acho. To apaixonada pela imagem.

Acabo de descobrir o Nobuyoshi Araki. Ele é japonês, 72 anos e considera suas fotos seu diário íntimo, toda sua vida registrada em imagens.

Vida e morte são seus temas preferidos. Mantendo a liaison entre os dois, sexo. Acho que são os temas preferidos de todo mundo, certo? De maneiras mais ou menos sutis.

Meninas podem achar grosseiro, agressivo e machista. Eu também deveria achar, mas o bom de não ter padrões morais muito rígidos é achar não ofensivo esse tipo de imagem.




Nem é a que eu mais gosto, coloquei só pra chocar mesmo. Prefiro as flores.


Porém, gosto dessa.


Me lembra a descrição de um curso na Casa do Saber que falava sobre a relação humana com o capitalismo.

"A lógica do discurso capitalista é fálica e masculina (falocentrismo). O agente capitalista se endereça ao consumidor por meio da oferta de objetos que prometem a felicidade e a plenitude. Ao mesmo tempo, o objeto capitalista é, por definição, provisório e traz em si a insatisfação: é, portanto, um discurso dialético. A função da propaganda e do marketing seria fazer com que os produtos fossem aceitos socialmente enquanto objeto fálico, ou seja, enquanto objeto que vem para preencher uma falta original. No capitalismo, a lógica do Ter é a lógica do Ser. Refletindo sobre o capitalismo, Freud cogitou a possibilidade de ele ser não meramente um sistema inventado pelo homem, mas, mais do que isso, um reflexo do próprio modo de operar da psique humana." (Welson Barbato, em relatório do curso "O Gozo Feminino", aula de 8/11/2011)

Sei bem que capitalismo e fotografia japonesa são dois temas que não conversam muito, né? Mas pensando em Freud e sexo até dá pra segurar o gancho.

Ou não.

Pra fechar, citação do próprio Araki, em francês porque peguei no Le Monde:

"La photographie est l'obscénité par excellence, un acte d'amour furtif, une histoire, un roman à la première personne."




1 de out de 2012

Só na resenha


Era pra ser uma resenha de livro, mas eu estou com preguiça. Ou não sei fazer direito a coisa toda.

Digo, podia começar assim: “Terminei essa semana de ler o engraçadíssimo livro...” ou “Aurélie Boullet, ou melhor Zoé Shepard é a francesa por trás do....” ainda, “Com milhares de cópias vendidas...” (isso eu inventei, nem tenho os dados de venda do livro).

E isso é também uma das coisas que me impedem de ser jornalista, tudo tem que ser comprovado com números, especialistas, baseado em pesquisas - de preferência inéditas.
Não quero ser jornalista nada, quero escrever bobagem em uma coluna, novela, roteiro de filme b ou ser poeta surrealista - caminho que seguem todos aqueles que não sabem escrever com métrica e rima.

Bom, digressões passadas não movem moinhos e eu volto à minha incrível dica de livro de hoje, que é só pra você, querido leitor, que lê francês. Na verdade, não precisa leeeeer, leeeer, pode ser estudante intermediário e tals, porque o livro é fácil. Tem um monte de gíria, mas é fácil. Talvez tenha a versão em inglês, mas tem que procurar, né? Pode ir lá no Google que eu te espero.

Ai que grande resenhadora de livros eu sou, melhor dar o nome do livro antes, pelo menos.

O título é "Absolument de-bor-dée", que significa algo como o nosso, "super f*-di-da de trabalho".*

Aí a coisa é assim: uma francesa, com um supercurrículo (oito anos de estudo em uma das melhores universidades de Paris), começa a trabalhar como funcionária pública e acaba tendo seu potencial subaproveitado (se você não sabe, a França é um dos países com o maior número de funcionários públicos no mundo*).

Bem, acontece que o serviço público na França, se parece com a imagem que temos do serviço público no Brasil: ineficiente, burocrático, reuniões sem foco, funcionários desmotivados e, às vezes, incompetentes.

E a autora denuncia tudo isso de uma maneira irônica, engraçada e, em última instância, constrangedora - apesar de nunca ter sido funcionária pública, pude observar várias das situações que ela descreve nas empresas onde já trabalhei.

Sem falso moralismo, já vi (e já fui) muitas vezes, a funcionária desmotivada que faz perguntas idiotas ou finge trabalhar. Ou aquela excessivamente preparada para o cargo. Acontece.

No começo do livro, ela afirma que para conseguir um bom emprego, antes de tudo, é preciso saber blefar. Os entrevistadores não estão interessados em saber se você é exatamente adequado para o cargo, e é ai que começa o problema.
Eles esperam que você diga o que eles querem ouvir: ideias em voga, expressões da moda, o mínimo conhecimento do negócio (que pode ser adquirido via Wikipedia), teste escrito modelo-Fuvest (introdução, dois argumentos e conclusão em 25 linhas). Quem nunca?

Por exemplo.

Não se alguma vez você, sem nada pra fazer, resolveu procurar emprego em shopping. Sabe, tô ai de bobeira, vou fazer umas entrevistas pra ser vendedor. Ops, quer dizer, entrevista não, processo seletivo.

Pois pra ser vendedor em shopping hoje em dia, primeiro você precisa escrever uma redação com o tema: “Por que eu sempre quiser vendedor de shopping”, brinks, não é isso, mas algo como, “Por que eu sou adequado ao cargo”. Texto que você começar assim (seja qual for a vaga): Competente, motivado, responsável e com bom relacionamento interpessoal..

Você também precisa participar de dinâmicas de grupo e responder questões altamente relevantes, como: "Se pudesse escolher, que bicho você seria?".
Em uma dinâmica para trabalhar em uma livraria que participei, metade das pessoas respondeu: "leão, pois ele tem garra" (mais jura?), "cachorro, pois ele é fiel" (inovador, uhm?) e, por fim, uma gênia que respondeu: “uma formiga, porque eu adoro trabalhar em equipe”. HAHAHAHAHAHAHA morri.

Reparei bem nos entrevistadores nesse momento e vi todos marcando pontinhos positivos para ela na folha de avaliação.

Em outra oportunidade, para uma vaga de vendedora de padaria vi um anúncio que pedia envio de CV e carta de motivação. (!)

Caros recrutadores, meu objetivo sempre foi trabalhar em padaria. Não pra fazer o pão, pois não sei cozinhar hehe :), mas pra vender mesmo. Desde criança eu dizia em casa: olha quando eu crescer, quero vender pão, leite de saquinho, pãozinho de queijo, presunto, croissant, queijo prato. É meu sonho. Imaginar aquela fila de gente de manhã, cada um com 50 centavos no bolso, e eu realizando o sonho das pessoas de ter o próprio pão quentinho todas as manhãs! Não há dinheiro que pague a sensação!

E isso também é muito importante, nunca diga que você precisa do trabalho pela grana. Pega muito mal: então, eu quero vender pão mesmo porque tô desempregado, tenho conta pra pagar/ no final do ano queria ir pra praia com a família/ tô no primeiro ano de faculdade e juntando dinheiro pro Oba no carnaval / minha mulher não me aguenta em casa.

***

Bom, é claro que esse formato de recrutamento deve ter sido desenvolvido por profissionais altamente qualificados, psicólogos, pedagogos, grandes executivos, mas isso não significa que ele sirva para contratar todo tipo de profissional, para qualquer tipo de cargo.

O saldo são equipes desmotivadas, funcionários inadequados para cargos de liderança ou operacionais, desperdício de dinheiro, cansaço, insegurança generalizada.

Milhares de funcionários são contratados todos os dias, com base em critérios mal formulados e, às vezes, não devidamente discutidos em cada uma das empresas (fórmulas prontas raramente funcionam ao lidar com pessoas). Parece-me que o formato de recrutamento hoje em dia (de modo geral) esta equivocado, e isso não é mérito só do Brasil, como pude notar ao ler o livro da francesa Aurelie Boullet.

Portanto, investir em gestão de pessoas pode ser o pulo do gato para firmar cada vez mais o nosso país entre as nações mais influentes economicamente do mundo futuro, dividindo com países de primeiro mundo mais os acertos que as falhas.

Voilà minha conclusão, Sr. avaliador.

Na saideira, fica a dica de um livro brazuca sobre gestão de empresas e, consequentemente, de pessoas. Chama-se "Você está louco", da Ed. Rocco. O autor se chama Ricardo Semler que, para quem lembra, foi o mesmo autor do sucesso "Virando a própria mesa", no final da década de 80. Vale a leitura.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG75126-5856-432,00.html

* tradução mais do que livre.
* dados, claro, não comprovados.

Olha uma entrevista com a autora do livro "Absolument de-bor-dée", se interessar:


22 de ago de 2012

sortie


subi a brigadeiro.

o mesmo arroxo no pescoço de anteontem, quando você te vi subindo a escadaria da cardeal de braço dado com ela.

peguei o onibus roxinho que vai até a berrini, desci na frente da etna, onde a gente tinha comprado o jogo de jantar e o aparelho de fondue. seus pais comprando cortinas. nosso amor parecia tão sólido.

que nem o bolo que tentei fazer e enfarinhou antes de você chegar do trabalho.
eu passei aspirador na sala, lustrei seu sapato marrom.
comprei flores amarelas e verdes no pão de açucar.
bobagem minha. queria mesmo era um gatinho. tava cedo, né amor?
gatinho é passo de noivado e anel de brilho no dedo. não, benzinho, quero não, quero não anel. sou moderna, você sabe.

mas a saia dela parecia de tule e ela tinha flor no cabelo e parecia bem uma gabriela dessas da calixto. sujinhas e esmalte descascado.
minha manicure já sabe que você gosta de florzinha.

provei bem de novo foi aquela calcinha que você me deu e pensei que podia te receber com sonho da padaria e tortinha de morango.
ai, fiquei duas horas na frente do balcão de congelados pensando na carne que você gostava.
e tinha pato, avetruz, galinha d'angola, ganso, pintinho congelado.
eu não escolhi nada. contei moedinhas em cima do balcão da balança. olhando a senhorinha de 40 quilos pesando brocolis. brocolis-tomate.
pepino-pimentao. ai como vc gosta de pimentão.

peguei o celular do bolso disposta a ligar pra sua mãe.
como é mesmo aquela receita? mas lembrei, oi, nunca soube mais da sua mãe.
Na minha bolsa tinha mesmo só a bateria vencida da maquina fotografica. a moça me disse: dá cancer.

doença é coleira no pescoço, sua dona.

Angélica. Talvez ela seja Angélica ou Maria Antonia. Talvez ela seja puta. Você gosta de puta e puxava meu cabelo enquanto eu lavava louça, era assim que você gostava de me pegar.
Mas você era amorzinho e deixava eu lavar seu cabelo na pia, fazendo carinho na nuca enquanto você fumava o cigarro que eu acendia.

O cabelo dela era loiro. loiro.
devia ter olho castanho claro. peito murcho. barriguinha e perna raspada com gilette.

Peguei a Rio Branco.
Subi uma arvore. Olhei a cidade. cof cof.
mundo cinza e sépia. marrom de terra como a sujeira debaixo das minhas unhas.

Ela não era legal. merecia soco na cara.
merecia ser puta.
não passear de braço dado e sonhar com gatinho.

fui me enervando até explodir de dor.

na barra funda, vi a saia de tule dela comprando passagem pro interior.
segui bem quietinha escada rolante, corredor, pula mala, pula criança, pula coxinha.
até janela do onibus.
subi no pneu.

olhei bem pra cara cheia de bochecha dela sentada na poltrona.
o olhar vidrado na poltrona da frente.
bati, bati até ela olhar.
e foi quando, vi eu mesma sentada de vestido de flor.
só eu, de passagem, sem destino, indo embora sem mim.


4 de jun de 2012

civilidade

Então, de repente. E sim, eu posso usar de repente, de novo, se eu quiser.
Eu tive certeza de que os efeitos do eclipse lunar em sagitário, devastadores evidemment, chegariam por e-mail.

Claro, para todos os efeitos, crises astrológicas seriam deflagradas no meu correio eletrônico. Parfois, elas poderiam ser enviadas via sms.

Ou um número desconhecido me ligaria domingo à noite e seria meu fim. Afinal o peso de uma ligação desconhecida segunda de manhã e domingo à noite difere selon a imaginação do sujeito. E conhecendo o sujeito que antecede o verbo, criador e criatura, já era de se esperar a tormenta.

Bem, esperando minha carta bomba via gmail, cogitei que as notícias pudessem ser positivas. Uma proposta de emprego de uma empresa para a qual eu nunca havia enviado meu cv. Uma declaração de amor de um ex-amor que nunca me amou.

Podia ser também a morte de um conhecido ou o aviso da minha própria morte formalizada: cara mademoiselle alinê, É com muito pesar que lhes informamos que sua estadia entre nós chegou ao fim. Obrigada pela atenção e esforços empreendidos a fim de....

Eu não tinha essa resposta. Afim de que, afinal?

Aí pensei em pegar uma bike, dar uma volta na orla, mas ei orlinha escrota, cheia de turistas escrotos e gente meio doidinha. Dei uma mordida no meu chocolate, botei meus ears plugs, ei lugar barulhento. Ei essa minha mania de viver na periferia.

Olhei bem a parede salmão mesclado, olhei o quadro de um senhor de barba que não significa nada para mim, o armário velho, o computador sujo, o chão sujo, o armário sujo, as roupas no balde para lavar, a mala sem rodinhas, os livros não lidos, minha cara no espelho.

Mentira. O espelho estava longe e eu não tive motivação para me levantar.

Resolvi lavar as roupas que estavam no balde. Tive semi-nojo da pia, mas fiquei com preguiça de lavar, ahhh mas foda-se.
Lavei, pendurei no varal mais sujo que o chão.

Sabe, podia fazer o caminho de santiago. Podia sei la, trabalhar na Unipaz. E ter uma casa. E se tivesse, que quadros penduraria na parede?

Tais reflexões me tomaram em torno de 10 minutos, que pareceram eternos. Ainda se eu não tivesse parado de fumar, poderia ter pensado nisso em três ou quatro tragadas, mas né? Eu e essa mania de mudar de ideia.

Isso me lembra aquela professora, aquela que disse que eu não poderia terminar um texto daquela maneira, sem conclusão, que não fazia sentido. E do francês ofendido porque o convidamos para beber 7 da noite e não tinha comida. E ele disse que isso era uma gafe porque 7hrs é hora de jantar na França.

Então porque você não enfia o dedo no cu e cheira? Pensei sorrindo e lhe passando gentilmente o pratinho de nuts que vinha junto com nosso vinho rose escroto. Tomei mais uma taça com uma pedra de gelo, que une copine tinha sugerido, pois o vinho estava muito forte. Uhmmm, claro, um vinho muito forte para mim, sim coloque uma pedrinha também, Sandy.

As vezes eu sou tão patética. Podia fazer teatro. Se isso não implicasse em ficar nua num palco ou beijar mulheres ou olhar a propria buceta em espelhos em círculos. Ta bom, sei lá se atores fazem isso. Mas não a fim de fazer esse bagulho todo ai. Desde pequena, eu era diretora das peças de teatro, nunca atriz. Eu quero é mandar. E tai o primeiro pre-requisito para o meu novo emprego. Ser bossy.

O segundo é escrever e ter leitores.

O terceiro é a oitava do amor, a carta do rei de copas, os nossos corpos desengonçados em tranches na sua cama. Você dizendo em ré menor, eu te amo enquanto on fait l'amour,
dis-moi, car je ne sais plus.

Je t'aime, sua pequena vadia suja.

30 de mai de 2012

Jeff Koons

E pra não dizer que não falei de flores, algumas do americano Jeef Koons.
Flores de plástico, porquinhos, ursinhos. Todos assustadoramente infantis. Quase um clichê de filme de terror.

Não sei se teria alguma dessas peças na sala da minha casa (o dia em que tiver uma casa). Mas desde quando o valor de uma obra de arte pode ser medido em dinheiros? Ainda, pode-se  (deve-se?) comprar arte para exibir aos amigos, como uma nova TV? Só é arte se estiver em uma galeria ou museu?

(exibem-se novas tvs aos amigos?)
(ainda se discute arte dentro e fora de museus?)

Bom, ao kitsch de Jeef Koons:

Amo/sou a flor de plástica murcha. Óbvia e genial.. Colorida e, à princípio infantil, quando murcha traz uma sensação de desamparo, de verdade dissimulada.

Na mesma florzinha inofensiva e vibrante de plástico, a vida e a morte.
 É uma pintura? Um jogo de espelhos? Um buque? Elas se dissolvem?


Beijo grego no porquinho?


Filme de terror. sem mais.
saltimbancos. nessa versão o jumento não pode participar pois tinha contrato exclusivo com uma marca de cerveja e foi substituído pelo porco e pelo bode.
a gata, que tinha acabado de sair na Playboy, foi substituída por outro cachorro, que era amigo do diretor. a  galinha tá com essa cara de menina porque tinha acabado de fazer botox.

eu conversando com o guarda.

Um sorvete ou um cocô? É de comer, de ver, alguém se excita?
Ou sou eu que nunca sai da fase oral?


gris

Aí hoje fiquei com vontade de postar alguns vídeos.
Então tem George Brassens e Jeanne Moreau, que eu posso ouvir em looping pro resto da vida, junto com Cartola e Los Hermanos. 

Gosto de música triste e de menina, como diz minha irmã. 









Aí isso me lembra esse post sobre esse livro que eu tenho até vontade de estar triste só pra ler. É um livro de receitas para mulheres tristes, mas é tão lindo, tão lindo.
Digo aí, morar em cidade que faz sempre sol nos faz perder muito a sensibilidade. Ser feliz o tempo todo emburrece.


http://noz-moscada.com/livro-de-receitas-para-mulheres-tristes/

6 de mai de 2012

Lucian Freud

Ele é neto do Freud, aquele que todo mundo conhece, e morreu ano passado.
Já li em algum lugar que o que ele faz não é arte, é só de mal gosto.

hehehe

Eu acho incômodo, vulgar, chocante, triste. Assim como a vida, se eu ficar olhando pra ela muito de perto. Mas quem disse existe beleza só no que é agradável ou bonito aos olhos? Ou ainda, que só nos interessamos pelo que é, em última instância, bom e justo e belo e agradável?

"Me lembra Dostoiévski em "Notas do subsolo"

Que faremos então desses milhões de fatos que atestam os homens, tendo embora perfeita consciência do seu interesse, o relegam a segundo plano e enveredam por um caminho totalmente diferente, cheio de riscos de acasos? Não são, entretanto, forçados a isso; mas parece que querem precisamente evitar a estrada que se lhes indicava, para traçar livremente, caprichosamente, uma outra, cheia de dificuldades, absurda, mal reconhecível, obscura. É que essa liberdade possui a seus olhos mais atrativos que seus próprios interesses… O interesse! Que é o interesse? Vós vos empenhais em me definir com toda a exatidão em que consiste o interesse do homem? Que direis vós se um belo dia se vem a descobrir que o interesse humano, em certos casos, pode ou mesmo deve consistir em desejar não uma vantagem, mas um mal? Se é assim, se esse caso se pode apresentar, então tudo desmorona. Que pensais disso? Tal caso pode se apresentar? "







PS: Ok, a imagem da rainha a Inglaterra só creeps me out.


Essa é uma foto dele pintando em seu atelier, tirada pelo seu assistente David Dawson.
Eu amo/sou. Acho absolutamente incrível e mesmo sexy. #quemnunca


Fonte das imagens aqui,  aqui e aqui.

4 de mai de 2012

Brassai

Ele nasceu na Transilvânia, mas veio para Paris nos anos 30.
É realmente difícil escolher as fotos que gosto mais.
Os ângulos são geniais, ele brinca com a luz, reflexos, silêncio, noite.
Em todas as fotos tenho a impressão que a cidade é dos amantes. Da solidão vivida a dois.


gênio sim ou com certeza? Mais dele aqui.









Kevin Paulsen

Ahhh, claro, tem também o cara da pintura que eu escolhi pro head do blog.
Não sei muito dele não, nem como descobri, mas gosto de quase tudo.
Gosto da atmosfera meio lúgebre, meio dark,as pessoas em noir et marrom, meio tesão, aflição.
Só eu?

Reparem nos pássaros negros, que para mim são corvos.
só porque eu gosto muito da palavra corvo (mas qq dia aí eu explico).

http://www.kevinpaulsen.com/





Natasha Zupan

Gostei da maioria das coisas que vi, ok que rola uma obsessão com figuras femininas que cansa um pouco, mas de modo geral, gosto. Ainda do fato dela morar em Mallorca.

Não parece aí uma meta de vida ter um studio de arte num lugar assim? Só me falta saber pintar.
#eikeloka

Aqui tá o site dela, se alguém quiser saber mais: http://natashazupan.com/Natasha/Start.html





dadinho o caralho, por Franco Tettamanti

Taí uma das minha imagens favoritas da Índia.
Os moleques parecem muito estar tirando um sarro da gente. Gosto das cores, da atitude, dos pés descalços, da combinação tecnologia e tradição. 

Eu queria bem colocar a imagem aqui, mas o fotógrafo não cede a imagem.
Ok, vale a pena de qq jeito visitar o site dele. muita coisa legal.

Aqui ó. Página 6.




3 de mai de 2012

Alphonse Mucha


Eu não sei se gosto mais dos vitrais, das ilustrações femininas ou dos mosaicos. O fato é que estou meio obcecada com a descoberta de Alphonse Mucha e da Art Noveau.

Para conhecer mais do trabalho dele é aqui ó. Adianto, ele é tcheco e quem for conhecer Praga vai ouvir falar muito dele.  Se você estiver de bobeira aí e for conhecer a cidade, tem que entrar no catedral do château, que todo mundo lá sabe onde é, pra ver ao vivo os vitrais. Depois pode ir tomar cerveja e comer goulash num dos milhares de bares da cidade. Mas só se você estiver de bobeira aí.

Se puder ser mulher de novo em outra vida, queria ser uma mistura dessas duas aí da foto: com força e delicadeza, sabedoria e sensibilidade. Eike, que Clarissa Pinkola eu to hoje.






Crédito imagens: http://www.abcgallery.com

Manual do viajante deprê


Mai taí umas verdades que a gente não encontra em nenhum manual de viajante. Igual a gente treina e faz prova pra tirar carta de motorista, tinha que ter treinamento antes de viajar, porque vou dizer.


Comida
Quando a gente viaja, a gente espera conhecer novas culturas, valores e hábitos, certo? Então não seja bobo, num outro país, tem que comer a comida de lá, claro. Ahhh, mas eu só tomo café-com-leite e pão com requeijão de manhã, que minha mãe fazia quando eu era criança. Vamos lá, faça um esforço, não mata ninguém comer bacon com açúcar nos EUA, nem que seja para falar mal depois.
Três exemplos de Praga, vamos falar de novo na cidade.


1. Eu estava um dia com americanos num restaurante tipicamente tcheco que encontramos, um self-service. Haviam várias mesas (normal) e uma parte só com balcões onde as pessoas deveriam comer de pé. Um dos meninos que estavam comigo (me sinto tão novinha falando menino) ficou bem irritado de comer de pé seu prato de purê de babatas e frango grelhado. Agora, você tá em Praga por três dias na sua vida inteira e você pede frango e batata? Pow. E o que custa comer de pé um dia na vida? E perder a oportunidade de imaginar como é ser como o senhorzinho que estava ao nosso lado lendo um jornal tcheco, tomando um copo gigante de cerveja (era terça-feira) e comendo carne?


Bem.


2. Último dia de viagem, procuro um restaurante barato e com comidas típicas, porque né?  Esbarro sem querer em um casal de brasileiros saindo de uma pizzeria e super me indicando o lugar, a esposa: “Olha, eles têm aqui uma pizza de queijo com peito de peru e champignons que é super saborosa”. O marido: “É, o vinho não estava essas coisas.”


Mai péra, eu como pizza saborossima de queijo e peito de peru por 10 reais na pizzeria na esquina de casa em SP, não dá pra viajar até Praga pra comer o que eu comi a vida toda. E vinho? Mais, pow, os caras são incríveis em cerveja, porque você vai tomar vinho aqui? Quer vinho de qualidade bora pra Toscana, Bordeaux. Se é o que você busca, bora fazer a coisa certa. Você vai se divertir mais.
Me parece, pelo menos.


3 - e esse pra mim é o mais grave. Conheço no hostel duas meninas que estão fazendo mochilão juntas pela Europa. Conversa vai conversa vem, uma delas me conta que passou por Paris “ai, mas sabe, as pessoas comem mal na França, né? Olha, todo o lugar que fomos, vinha um pouquinho de comida e uma porção gigante de batata frita...”
Cri cri cri
Então você foi pra Paris por dois dias, só comeu batata-frita (alguém me explica como isso é possível) e acha que os franceses comem mal?
(aline sai da sala)

Centros históricos e pontos turísticos
A maioria das cidades turísticas têm, dãn, seus pontos turísticos, suas lojas de souvenirs e aqueles dois ou três quarteirões frenquentados só por turistas.


Aqueles lugares divertidos onde todos os garçons falam inglês, onde as bebidas são mais caras, as filas maiores e que os locais simplesmente não frequentam. Sabe aquela história, festa pra gringo ver? Pow, você até pode se divertir, claro, claro.


Mas não parece que todas as viagens ficam mais ou menos parecidas assim? Falamos inglês (ou português, esse mundo ta moderno), compramos camisetas “Eu estive não-sei-onde e lembrei não-sei-de-quem”, tiramos fotos na frente de fontes que não sabemos o nome.


Foto
Todo mundo ama tirar fotos: pra mãe, pro namorado, pro fb, pro futuro. Nada-contra-mesmo. Mas se você não é um fotógrafo incrível, tem coisas que a lente simplesmente não capta. Não digo para não tirar fotos, mas (de novo, pra mim) vale mais vivenciar o momento que só tentar registrar.


No final, voltamos com 500 fotos digitais, sendo 350 de paisagem, e que ninguém mais vai ter paciência de ver.  A não ser que você seja desses que tira 500 fotos com você ao fundo. E nesse caso eu prefiro nem comentar.


Vamos fazer um esforço, antes de tirar uma foto, respire fundo. Hehe
Pra mim costuma funcionar.