18 de dez de 2008

Hispano-gregos

Não é mais desejo, é necessidade. Malígna, mal, dramaticamente em silêncio. Mas não posso mais parar, já queimei todas as fases, já falei mais do que deveria. Vou tentar mímicas, sempre funciona. Sim acredito nisso. Acredito em tantas e todas e omnibus.
Até em você, consequentemente, nós. Tão estranho, porque, sim, é um desejo incontrolável de poder. Mas quanto mais posso menos controlo. E se fico absorta e o silêncio.....

Mas não é silêncio, muito menos avós. Tampouco viável. É você, ops, ato falho. e um jantar sábado à noite. e se eu vomitar?Vou aperta forte minha mão?e meus cabelos? vc puxa para trás até que eu caia de costas e consiga ver o mundo por outra perspectiva além do chão?
E se eu pedir por favor? Lágrimas, muitas lágrimas de sal eu prometo. Isso te encherá de rancor e glória?
Veja só, somos exclusivos e importantes. Imponente só você. É, eu acho, estou fechando os olhos.
Não consigo mais, existe fim?Fala pra mim, conta aquilo. Todas aquelas bobagens que você inspira e diz: Você não me conta.

O que me resta, além de tudo que já conheço?Vinícius e suas mãos espalmadas. é de moraes.
claro.
Achou que era o quê?Você é bobo. Desculpe, você é. Sinto muito. Acredite. Por favor, me ouça. Não, não. Só me toque. Não suporto mais esses olhos clichêdianos-machadianos. Estou sentindo, ainda sou capaz. Não perdi a sensibilidade, não perdi o medo.
Nas verdade tudo começou assim. Um pavor incontrolável. Pressentimento, energia. Merda. nem quero mais saber sobre....
Também não sabia antes, não estou perdendo muita coisa. Talvez seja só Clarice, de óculos, fumando um cigarro. Uma barata cruza a sala, um céu sem estrelas.
Juro, vou fazer um fogueira. Canto uma música em árabe e volto de carona pois não pego ônibus depois das 11 sozinha.

Tá pensando o quê?

6 de dez de 2008

Fica aí a dica da Marina

Sempre quis responder essas coisas. To me sentindo na Contigo.
Sim, frequento o Leblon e o posto 9.

1 . Antes só do que… to apaixonada. Tudo é melhor que estar só. Fazer o quê?Merda.
2. Minha casa em três palavras: sabão em pó, incenso e torradas.
3. O melhor de morar só: Chegar em casa e encontrar minha amiga ouvindo Tom Jobim.
4. O pior de morar só: Problemas no encanamento.
5. O que não falta na minha geladeira: Comida vencida.
6. Antídotos contra a solidão : TV acabo.
7. As três últimas coisas que comprei: sabonete, água e umas sacolinhas plásticas que roubei do mercado.
8. Quem eu adoraria levar para casa: Minhas irmãs, sempre.
9. Quem jamais vai sentar no meu sofá: o outro.
10. O que ando lendo: Jung , hinos védicos, Plauto, e mais umas coisas que me fogem agora.
11. A trilha sonora do momento: Los Hermanos, Carla Bruni (aliás, alguém sabe onde eu guardei cd?)
12. Uma receitinha esperta: Torradas com queijo branco derretido no microondas.
13. Mania assumida: Limpeza e organização.
14. Uma frase que me move: “Não se importe com o que eu digo, não se zangue com o que eu falo. A verdade do que sinto está nas coisas que eu calo.” (Sei não de quem é, mas é boa...)

PS> Copiei daqui, tá?
http://blogmiojo.com.br/?p=342

3 de dez de 2008

Sobre como tocar Mozart com uma guitarra

Caminhou a passos curtos e rápidos debaixo da chuva. A bolsa pesada, o jeans com a barra molhada, a blusa respingada de gotas d'água. Foi pensando na maquiagem, se estava com os olhos bem marcados, se ainda existia blush. Chiclete, sim, um chiclete.

Conseguiu enxergá-lo de longe, teve a impressão de que ele também a havia reconhecido, mas desviou o olhar. Melhor assim, definitivamente ficaria tímida se ele a fitasse por mais de 3 segundos. Atravessou a rua a passos quase corridos, um pé atrás do outro, pequenos passinhos desviando das poças de água e lama e todo tipo de sujeira inerente ao asfalto.
Ele gostava dos seus pés, ela pensava enquanto saltava sobre a sarjeta. Por alguns instantes sentiu-se sublime e quase superior. Ele deve estar sentado agora pensando nos meus pés nus, deitados à meia-luz, fumando um cigarro e todas aquelas coisas de liquidificador que Cazuza gostava, apesar dele não gostar de Cazuza.

Sentou-se apressada, olhando vagamente para os lados, nem ao menos um beijo. Nem um abraço. Sentou-se apavoradamente, pensou em acender um cigarro. Droga, não quero mais fumar. É, acaba com a pele e não tenho mais 15 anos.
Falou por uns 10 minutos compulsivamente sobre trabalho, trânsito, lembranças, projetos. Ele a beijou. E começou a falar sobre uma história que levava a outra história e um cigarro que ele acendia. É, fez a barba. E contava sobre seu dia enquanto fechava levemente os olhos ao soltar a fumaça do cigarro. Estava de bermudas, sentado displicentemente sobre a cadeira.
Falava sobre este livro novo que ela deveria ler e ela falava sobre a Rússia e aquele amigo-havia-dito-que. veja-bem-ele-conhecia-o-lugar.sim-já-havia-ido-umas-10-vezes-pra-Europa.não-não-era-meu-namorado. Era bom falar sobre outros caras, ele podia sentir ciúmes. Veja bem, conheço muita gente mais sofisticada que você. Só que acabava desistindo no final, imagina éramos só amigos.

Mais um beijo lento e macio, mãos no cabelo, olhar fixo enquanto as bocas se afastavam. Não, ela não estava acostumada a este tipo de cumplicidade. Mais um gole de cerveja. Foda-se, não precisava dele. Tinha seu emprego, seu carro, sua faculdade, cursos, livros, ginástica, opiniões, conceitos. Não tinha uma ideologia, nem valores morais. Mas que importa? Tinha medo, organização, disciplina, auto-controle, sua vida nunca saia do trilho, sua vida era previsível e silenciosa. Dirigia o carro respeitando limites de velocidade, ouvia som em um nível adequado à vizinhança, bebia somente dois copos de cerveja, dormia às 11 da noite. Lavava o rosto, passava hidratante, fazia as unhas semanalmente, não faltava ao trabalho, limpava sempre a casa e mantinha tudo em absoluta ordem.

Ele colocou o fone do celular em seu ouvido. Conhece essa música? Sim, adoro. rsrsrsrs
Mais algumas risadas cúmplices. Quero dizer, é do caralho.
Olhou para os lados. A chuva incessante, as calçadas entupidas de lixo, o mendigo atravessando a rua, o balcão engordurado, a velha gorda passando ao lado, a mocinha de calça com babados e o noivo de cabelos compridos tomando uma cerveja.
A pilha de bebidas vagabundas distribuídas numa prateleira, a TV ligada na novela, o garçom fumando um cigarro enquanto conversava com o taxista que tomava um café.

Cruzou as pernas e jogou os cabelos balançando a cabeça. Uma amiga fazia isso, ela achava o máximo e resolveu copiar. Sim, vou me alongar um pouco. É, faço yoga. Será que ele acharia interessante?Arriscou o movimento como se fosse a coisa mais natural do mundo, ele assistia o resultado dos jogos do Campeonato Brasileiro. Droga, vou ter que repetir isso até ele notar.

O telefone dele tocou. Ele fez uma cara feia e hesitou alguns minutos antes de atender. Ela demonstrou desinteresse. Começou a conversar com o rapaz-magrelo-cabeludo-sorriso-apático na sua frente. Sim, nesta hora havia alguém à mesa. (Ela esqueceu de me contar)

- To no bar.
- .......
- Te liguei pq vc me ligou de madrugada.
- .......
-Fala.
- ......
- Não, mas.....

Dois minutos depois o celular toca novamente.
Ele se levanta.
Vontade incontrolável de levantar e ir embora, olhar pra trás e procurá-lo até ele encontrar seus olhos e perceber que não estava divertido. É, bem dramático assim mesmo.
Vontade de ir embora. Merda de bar escroto, merda de amigos, merda de moleque, vagabunda, neurótica, cretino.
Ele voltou.
- Imagina, minha mãe perguntando onde eu estava.
Ela engoliu a seco um gole de uma cerveja quente e deu um trago no cigarro que ela havia pedido ao amigo loiro.
Fingir superioridade ou sutilmente ficar em silêncio? Optou por ouvir, absolutamente interessada, às histórias do amigo e rir de uma maneira que pudesse novamente jogar os cabelos para trás. Sentou na cadeira com as pernas cruzadas em x despretensiosamente. Ele passava a mão na sua nuca, oferecia um cigarro.
Cretino, tá com a consciência pesada.

Ela resolveu levantar-se e ir ao banheiro. Não quis se sentar no vaso, muito menos encostar na parede. Em que ponto estava....em que momento havia se tornado.....isso?essa?
Pelo menos não lavou as mãos.
Voltou à mesa e recebeu mais um beijo, olhou para a maneira que ele estava sentado e porra. Que pau esse moleque tem. Será que ela estava com ele só por sexo? Olhou seus olhos, as mãos, ajeitou seu cabelo para o lado enquanto ele falava sobre baixos.
Infelizmente não era só sexo, porque senão seria bem mais fácil, porque senão seria mais simples. Estúpida, mulheres nunca são simples.

Queria deitar no seu ombro, ouvi-lo falando baixinho sobre qualquer coisa e vê-lo acordar assustado por não tê-la ao lado.
Merda, e se ele nunca fosse capaz de oferecer isto? E se ela estivesse fantasiando um tipo de homem inatingível? E se ela estivesse sendo muito crítica? E se isso fosse só medo?E se a culpa fosse dela por não gostar de caras que a elogiassem? É, não havia nada pior do que caras que concordassem com tudo que ela dissesse ou a achasse muito sofisticada por ouvir jazz.
Sair correndo o quanto antes?

Foram embora à pé dividindo um guarda-chuva, ele a abraçando pelo pescoço e com todo corpo debaixo d'água. Era assim que ele gostava.
Na frente do portão, perguntou à ela se estava tudo bem. Ela olhou fixamente em seus olhos e disse que sim, claro. adorei.
Dois minutos depois ele ligou novamente. Quero aproveitar que estou bêbado, vamos combinar. Sempre dizer a verdade e tudo que nos incomodar. sempre, tá bom?
Ela sentou-se na beira da cama, deu um suspiro e achou que ao soltar o ar tudo que estava entalado na garganta fosse sair. Seus medos, fracassos, inseguranças, máscaras. Desligou submissamente com um tom de voz simpático, que estava tudo bem. até sorria!
Foi tomar banho, escovar os dentes, passar hidratante, organizar a bolsa e ler Jung antes de dormir, pensando se pintaria as unhas de carmin ou vinho no dia seguinte.

14 de nov de 2008

Sentada, parada, não movo as pernas nem o tronco. Esfrego as mãos debaixo da mesa e enxugo o suor na calça,
Olha fixo nele, nela, no outro. Balanço a cabeça afirmativamente algumas vezes, mas não absorvo o que me diz.
O peito agitado, o sangue em ebulição, fervendo. Vontado de chorar.
Vontade de dormir, levantar e ir embora. Apagar as luzes, fechar as portas.
Vomitar. Escrever. Fugir. Correr.
Deliro febrilmente.
Mas entro pela porta de casa e te vejo.
Tomo um banho me segurando no boxe.
Durmo com o caderno aberto no peito e uma caneta debaixo do travesseiro.
Por um momento me odeio.
Te odeio.
Olho o celular ligado.Olho a janela, o espelho, não quero dormir, não quero você.
Queria só silêncio, mas minha surdez me apavora. Minha voz não me alcança, seus olhos não se escontram, e só sinto meu próprio cheiro por toda parte.
Prendo a respiração.
Não te quero mais. Faço uma lista mental dividindo culpas, medos, fracassos e erros.
De que tudo isso adianta?Preciso parar de escrever.

13 de nov de 2008

Por favor, me dá tua mão

Eu quero falar com você.
Mas estou na dúvida se você está preparado para me ouvir,
Estou hesitante. E se eu não souber o que falar na hora e ficar dando voltas, círculos em volta de uma idéia que não existe, pq se não proferida não é consumada, certo?
Algo não pode existir somente em um plano ideológico, inconsciente. Veja que heresia eu....o ser é, o não ser não é....Ouvi isso faz algum tempo....estava esperando a situação adequada para utilizá-la. Igual a chamar alguém de otário, sempre me vem na cabeça idiota, escroto, imbecil. Mas otário é melhor que todos esses...pq nunca me lembro dos melhores epítetos?
Olha só, hein?Vou dar um trago no cigarro e soltar a fumaça na sua cara. Sou muito especial, fumo só pelo pulmão esquerdo, mas você não acha graça por que não tem senso de humor.
Você me olha meio de soslaio. uau. sos-lai-o
Vc tá ficando careca, sabe?Mas não quero falar de você. Porque hoje já tive uma experiência traumática suficiente para uma manhã de início de verão.
É, to pensado naquele lance de hinos védicos e mesmo assim não consigo me motivar. Só se eu escrever bastante, até o pulso doer, até o ponto que nada que escreva tenha algum sentido artístico, literal ou racional. Aí você vem e me analisa pelos meus textos, que nem eu sei o que significam. Mas você que nem freudiano é, muito menos sabe quem é Yung vai me analisar.
pq minha intuição nunca falha - dirá você num ímpeto vaidoso.
Pq se meu ego me persegue vc não tem super ego. E vc, que tá parado aí do lado não sabe o que é a porra do ID.
rsrsrsrsrs
Desculpe, vc é patético. Especialmente quando enche assim o peito para falar sobre suas crenças, valores, ideologias. Especialmente quando você abre a boca assim para dizer que não tenho.....qual era mesmo a palavra?Limites?Não, não era....mas sei lá, deixa isso....
Deixa você e suas verdades.
Nem queria falar disso. Queria falar sobre os meus planos.
Ficar em silêncio dias a fio, sobre como gostaria de trabalhar em uma fábrica pós revolução industrial. Passar os dias selando embalagens, ouvindo música, almoçando em bandejões. O ponto alto do meu dia seria quando alguém decepasse um dedo, ou quando organissem um motim do qual eu não participaria.
Ficaria sentada do lado de fora, esperando tudo acabar.
E se não acabasse eu podia ir pescar. Claro, eu moraria na Inglaterra. Uma pequena vila, comendo batatas e fazendo sexo na terra, debaixo de árvores de maça.
Teria móveis de madeira, toalhas de renda branca e uma banheira velha.
Meu sonho....eu não teria sonhos. Nem angústias, nem ansiedade, nem convulsões, nem nós na garganta, mãos trêmulas, pés gelados, sangue púrpura, cabelos ralos, coração desconexo.
Viveria à margem da minha própria sombra. E daí? Depois que eu morresse eu iria pro céu viver eternamente feliz, o pastor da minha igreja ou o locutor da rádio diria.
Quem sabe eu visse isto escrito na traseira de um ônibus cheio de fumaça-fuligem-ferrugem que estivesse de saída pra Londres.
Ou num porto sujo com seus marinheiros cheirando a cerveja.
Eu os beijaria na boca.
Sem exceção.
De olhos bem fechados.
Bem fechados. leves. silenciosamente. inocuamente.
Passaria o resto dos meus dias lendo romances ingleses.

10 de nov de 2008

Sujos de tantas outras paixões

10:00 da manhã.


Em pé, sozinha no meio-fio. Sol. Céu. Um céu azul que você me mostrou outro dia. E eu pensei naquela fotografia que nunca existiu.

As pessoas continuam se movimentando, trânsito, buzinas, pombas, comida, sujeira, gordos, feios, grávidas, cachorros sarnentos, namorados apaixonados, vendedores ambulantes. Velhinhos estúpidos, sujeitos burocratas, advogadas e seus sapatos de bico fino. Uma música ao fundo, um restaurante que cheira a paredes engorduradas, um cuspe no chão, uma rua esburacada, pombas, pessoas, crianças, bicicletas, motos e capacetes cor-de-rosa.


O céu me pertence. Ninguém esbarra em mim. Sinto como se eu fosse o eixo pelo qual a terra gira, tudo acontece em círculos à minha volta.E é como se eu não tocasse o chão por que não sinto meus pés.

Penso em todas as coisas que nunca existiram, todos os amores que desperdicei, minhas fugas, minhas fraquezas. Quero tacar fogo em tudo, já falei, um rito de passagem.


Não movo os braços, mantenho-me firme, em pé, não me permitiria ajoelhar ou sentar no meio-fio com os pés na rua, cabeça entre os joelhos. Mantenho-me sempre ereta.


Tudo continua em círculos, girando ao meu redor, pessoas, cachorros, comidas, buracos, portões, celulares, vitrines, peitos e bundas, cabelos, ambulantes, dinheiro. Girando cada vez mais rápido, não sinto minha respiração, não sinto meus joelhos e os pés das pessoas e os sapatos das advogadas e as mochilhas dos estudantes e não me mexo, não me misturo, não me perco, não cedo, mas meus joelhos já não obedecem, meu tronco não se sustenta, curvo-me perto do bueiro, logo abaixo do meio-fio.

E vomito púrpura e sangue. Violeta e anis.


E vomito mais um pouco e vou perdendo a força. Sob meus cabelos, sob meus pés descalços, o líquido quase translúcido escorre pelo meio das minhas pernas, encontra a sarjeta, desce lentamente até o bueiro e se perde na água que já está em ebulição lá dentro.


Tento alcançar o fundo, mas minhas mãos não atravessam a grade suja de ferro.

Apóio as mãos nos joelhos. Pneus, o chão quente, de perto os buracos no asfalto não são tão assustadores assim, penso. Pernas, verrugas, línguas de cachorros, um rato morto do outro lado da rua e uma bituca de cigarro numa poça d'água.


Limpo a boca com o braço.

Você segura meus cabelos, ajeita para trás. Sua imagem faz sombra sobre meu rosto e o sol não atinge meus olhos, você filtra toda a dor para eu não me machucar.

Te ofereço minha mão, o sinal está fechado. Vamos sair daqui.

7 de nov de 2008

Vinte e cinco motivos

Sento-me com as mãos sobre o colo. As pernas alinhadas para frente. Coluna ereta.
Olhar fixo no seu cordão. Aquele que você tirou delicadamente do meu pescoço.
Ajeito os cabelos ao balançar levemente a cabeça.
Sou altiva, prepotente, equilibrada.
Além de não não servir para mim, você me atrapalha. Você e todos os outros.
Por que eu....ahhhh eu.
Se tivesse um pau grande igual ao seu seria general.
Mas eu não tenho nada. A não ser muito medo.
Hoje me sinto absolutamente situada no tempo e espaço adequado, mas deslocada tangencialmente do caminho que eu deveria seguir.
E se eu estiver errada? E se no fundo eu não tiver razão?
Eu.
Acho que só preciso ficar sozinha.
Ou não. Talvez esse seja o erro.
Talvez deva parar de escrever. Parar com florais, yoga, ler, faculdade, trabalho.
Vou começar a acordar esperando o fim de semana. Sair para baladas na Vila Olímpia pra encontrar executivos que fizeram administração.
Parar de ler jornais. Começar a ouvir axé, ir em micaretas, festas patrocinadas por operadoras de celular, comprar sapatos da moda, encontrar um marido justo e responsável.
Fazer uma poupança, pagar previdência privada. Assistir novelas.
Comprar pacotes turisticos da CVC e almoçar mais lasanha e estrogonofe.
Beber vinhos de 20 reais, aquele que investem num rótulo legal e ficam bonitos quando eu guardar na geladeira.
Talvez deva visitar mais meus pais, dormir mais, assistir mais TV, reclamar mais, ser mais crítica, ter valores morais incorruptíveis, acreditar em verdades absulutas e resolver casar na igreja.
Talvez deva parar de escrever.

Cruzo as pernas. Apóio o cotovelo no joelho e seguro o queixo com as mãos.
Sim, pareço muito intelectual.
Mas não, não me lembro que o Monteiro Lobato havia criticado a Semana de Arte Moderna.
Não, não escrevo nada em grego.
Não, meu latim é uma bosta.
Meu inglês é com sotaque e não tenho dinheiro pra pagar o espanhol.
Sim, uso umas expressões em francês. Soa tão sofisticado.
Mas fumo cigarro de menta como putas pobres ou peruas divorciadas.
Sim, falo sobre teatro como se fosse uma habitué, mas chamo Paulo Autran de Paulo Francis.
Confundo gregos e romanos e não me lembro de todas as figuras de linguagem.
Sim, minha mente está confusa. Não tenho memória.
Sou irresponsável, imatura, inconsequente, por isso, hoje estou aqui.

Sentada com as pernas cruzadas.
Olhando uma garrafa de água cheia, um celular morto, uma janela empoeirada, tentando decidir que filme assistir, se vou de MacBeth ou Marques de Sade.
Decidindo se te ligo ou te esqueço.
Decidindo qual amigo odiar mais e qual a próxima mentira a contar.

Decido me levantar.
Esfrego as mãos.Tiro a roupa.
Caminho em sua direção.
Te beijo com os olhos fechados. As palmas da mão abertas. Peito limpo. Cabelos sobre seu rosto.
Sim, você já sabe. Não sei sobre uma porção de coisas importantes. Não sei sobre mim mais do que sei sobre você.
Mas não te culpo mais do que deveria me culpar. Por que eu não queria ter me perdido, mas agora ......de que importa...
Já acendi um fósforo, sentei ao lado dos sacerdotes. O som do canto envolvente, o fogo.
A redenção pela crença. A redenção pela arte, pela fé do que restou das minhas cinzas.
Vem, beija minha pele. Silencia o ambiente.
Me conta aquela história que você nunca terminou, por que eu já cansei de falar de mim.

3 de nov de 2008

Desespero não é moda só em 76

Na sexta-feira saí às 7 da noite com uma sensação sublime e confortante ao redor do pescoço. Algo que me subia pelas pernas devagar e me enchia de um um estranho desejo de silêncio e paixão, algo cheio de ternura. Que de alguma maneira combinava com o tempo meio chuvoso e quente que me sufocava.
Ao longo da noite, meu humor oscilava entre um cigarro e outro, e conforme o líquido vermelho ia descendo pela garganta eu conseguia me acalmar por algumas horas.
Tinha sim alguns momentos de lucidez ou será que na verdade consegui me livrar alguns momentos , ainda que pequenos, do meu super ego?Que me persegue há tento tempo...tá gordo o bicho, viu?

Um sábado que eu pouco me recordo. Um sábado repleto de sonhos visionários, Artacho Jurado, olhares trocados, mesas vermelhas (eram verdes, verdes na verdade) e um prato com limão e bitucas de cigarro.

Sonhos indecifráveis, dor nas costas, saudade da yoga, meias e blusa de frio. Estava me escondendo de mim mesma, eu suponho....

Uma manhã chuvosa e quente, Led Zepellin, (...), Led, (...), um Cartola pra não perder o costume de estar no controle.Um banho que cheirava a cor-de-rosa e sem gosto.
Um filme espanhol pela metade, um estranho estado de torpor, de envenenamento, mãos trêmulas, boca semi-aberta, sorriso amarelo (achei que só eu notasse).
Um último cigarro pela metade para terminar o dia, não consegui finalizar nem iniciar nada. Eu que estava tão inspirada, começo de mês. Mantive-me apática, esperando pela janela por um sol que não apareceu.

Sonhos desconexos, uma parede fria, um gosto amargo na boca. Algum tremor me percorria o corpo. Dormi com a estranha sensação de alguém que assiste ao jogo do lado de fora do campo, como um jogador de meia idade gordo, com problemas na coxa esquerda, tomando uma cerveja.
Com uma premonição nostálgica, um círculo que se renova a cada aniversário, que eu aceito sim com muita coragem, mas cada vez mais pálida.

Andréia dois

Descaradamente retirado da Folha de hoje.
Alguém aí sabe quem é Luiz Felipe Pondé? Se conhecer diz que eu mandei um beijo.



LUIZ FELIPE PONDÉ



Às vezes a diferença entre o Bem e o Mal é apenas o número de taças ou de horas


DE NOVO Andréia. O dia anterior tinha sido de fortes emoções. A conversa com seu chefe, a ligação de seu noivo (e a estranha desatenção que sentiu por ele), as batidas violentas do coração, o medo da saia talvez excessivamente curta, enfim, o suor à noite sozinha na cama. O medo de se perder "na saia excessivamente curta" foi o estopim do pesadelo que tivera. No sonho, deitada em um caixão, morta, ouvia as palavras duras das pessoas: "Imagine, a Andréia, fazer uma coisa dessas...". Como não se sentir uma mulher vulgar tendo tais desejos? O medo de ser apenas comum é uma descoberta que marca o amadurecimento de todo mundo que respira.
Acordou num susto. Ainda olhando para o teto, Andréia foi tomada por um sentimento horrível de culpa. Mas passou, graças a Deus.
Na noite anterior, nada em seu coração parecia indicar medo. Hoje, ela se afogava em temor. Qual seria a razão? Como suportar tamanha variação de humor?
Era uma mulher inteligente, e difícil de ser enganada. Ela não corria riscos como se fosse uma menina banal mergulhada em delírios românticos. Às vezes era assaltada pela sensação de que tinha projetos demais e que talvez não quisesse ser tão forte assim para realizá-los. Mas sua geração era condenada à força como forma de vida. Isso era ser livre. Passava os 25 anos. Dizia pra si mesma: "Ainda tem muito tempo...".
Olha o relógio e vê que acordou cedo demais. "Vou ler", pensa. Vai até a estante do pai e pega o livro "Para Além de Bem e Mal" do Nietzsche. A decisão de ler esse livro, muito famoso, veio da sensação que sentira no dia anterior quando conversava com seu chefe. E o que viria a ser "estar além do Bem e do Mal"?
Engana-se quem pensa que isso seja uma fórmula filosófica complexa. Estar além do Bem e do Mal para nossa assustada Andréia era o seguinte: caminhar pelo centro velho de Praga de mãos dadas com seu chefe. Por exemplo, visitar a casa do Kafka, o velho cemitério judeu medieval, sentar-se num café, tomar um vinho e juntos sentir frio.
Às vezes a diferença entre o Bem e o Mal é apenas o número de taças de vinho, às vezes os números de horas entre as taças. Simples assim. Afinal, onde estariam seus princípios? Em lugar nenhum. Seria sua ética apenas a distância entre o instinto, o álcool e a culpa?
Será que a grana dele a seduzia? Não, isso seria muito humilhante, alguma beleza deveria haver nele. Havia uma leveza no modo daquele homem tratar a vida. A indiferença mesma com a qual ele parecia lidar com o mundo, era o que a atraia. Agarrou-se a esta palavra: "indiferença". Largou o livro. Tropeçou. Comeu além do normal. De pé, contemplava suas roupas: "Hoje vou vestida de freira". Decidiu que ligaria para seu noivo ainda no caminho. Onde estaria o celular?
Descendo a Rebouças, Andréia sentia que o mundo estava rápido demais para as 8 da manhã. Toca o telefone, atende, era o noivo. Ele ligara antes, afinal. Sua prontidão a irritava. Estaria ela, de algum modo, apaixonada pela indiferença?
Conversa de amenidades, amaldiçoa o trânsito. Marca um encontro à noite. Desliga. Três ou quatro frases que qualquer um poderia ter falado, uma conversa absolutamente impessoal. Talvez até o almoço voltasse a sentir alguma culpa, e aí estaria salva.
Pensa naquele noivo carinhoso e atencioso. "Algo falta nele", pensa. O que pode faltar num homem carinhoso e atencioso? Por um instante, quase esqueceu do seu rosto. "Há algo de errado comigo!"
Entra no estacionamento da agência. Percebe, com um salto do coração, que o impossível acontecera. Chegaram juntos, ela e o indiferente. Por um instante ela pensa em fingir que procurava algo para não ter que suportar 13 andares juntos no elevador. Entre aquele indiferente e a prontidão do noivo, só uma louca ficaria com o primeiro.
Seria Andréia agente de seu pequeno destino? O chefe a vê e vem até ela. "Bom dia, Andréia." Ela desce do carro. Entram juntos no elevador. Procura algo para dizer. Deseja ardorosamente que outras pessoas entrem no elevador. Atravessam os andares em silêncio e sozinhos. Na altura do 6º andar, percebe um livro na mão dele.
"Já leu?", pergunta o indiferente, mostrando a capa. Lia-se em letras vermelhas "O Anticristo" de F. Nietzsche. "Não!" Definitivamente, a vida tomara a dianteira: ela estava à deriva novamente. De repente, a revelação no espelho do elevador! Ela estava com calça muito justa.

30 de out de 2008

Sim, ainda consigo

E uma grande explosão de partículas coloridas e frágeis começa a esquentar meu estômago, sobem pelo pulmão, batem contra meu coração e penetram delicadamente minhas artérias. As pequenas bolhas se diluem no meu sangue e começam a circular por todo corpo. Pernas, pés, dedos, fios de cabelo, pupilas.

E tudo dentro de mim em pouco tempo é verde, rosa, amarelo e azul. Chegando perto dos poros, as bolhinhas começam a se reintegrar e com um pouquinho de força se espremem pela minha pele e saem pra fora como frágeis estruturas circulares e coloridas.
E no meio de muita fumaça e bolhas psicodélicas distorcidas, ao som de Rolling Stones, as formas perdem contornos e tudo começa a se redesenhar à minha volta. As bolhas continuam saindo. Meus pés estão finos, meus dedos leves, minha pele começa a perder a cor.

Mergulhada em mim mesma, vejo meus limites se misturarem à beirada da cama, encosto na parede e meu braço se funde com o cal coberto de fuligem colorida. As bolhas pequeninas tomam todo o espaço.
Toco em uma com a ponta dos dedos. Sou sugada para seu interior e meus pés não tocam mais o chão. Girando, flutuo através da minha janela que fica o tempo todo fechada.
Acho que a esqueci aberta ontem à noite. Tentei ver a lua encoberta pelo céu nublado.
Agora o céu é azul. E eu, rodopiando em silêncio, passo invisível pela cidade que concretamente enche a boca para falar de sua influência neoclássica.
Mas girando, sem ouvir o som da minha própria respiração, não presto atenção ao ego da velha piranha obstinada que continua expirando a fumaça de seus carros.

Flutuo. Deito-me de costas, mudo a perspectiva. Mantenho os olhos abertos e o ar que inspiro me impulsina para cima.Azul.
Por um segundo pisco as pálpebras e volto para as paredes brancas do meu quarto.
Elas me parecem menos sólidas.

29 de out de 2008

Paranóia delirante

Não queria escrever sobre você.
Mas ando sem inspiração e sabia que isso ia acontecer.
Você sabe, eu sei. São essas tristezas suaves que nos motivam. Será que alguém mais sabe disso?
Queria não ter afinidades com as pessoas. Relacionamentos. Rá, você diria.
Sussurraria algo incomprenssível ao pé-do-meu-ouvido. Coloco hífen onde eu bem entender, e não me venha com essa que meus textos estão mal escritos.
Conforme os anos vão passando, eu me repito cada vez mais. E tudo aquilo que você me diz não soa mais inédito, incrível ou me dá um tesão insustentável.
Só consigo encaixar você em mais uma categoria, neste caso a dos niilistas-mal-resolvidos-com-a-figura-paterna.
Some se a isto um incontrolável desejo de auto-destruição.
Eis você.
E eu aqui a me inspirar ouvindo Doors e fugindo alguns segundos só pra dizer coisas que nunca direi na sua cara e olhos malditos, que ficam bem abaixo de uma cicatriz recém descoberta por mim.
Ou pintas em forma de caranguejo e todas essas babaquices que a gente só enxerga à meia luz.
Não se iluda.
Eu podia ter sido legal.
Só que quero viver pacatamente até a porra dos 90 anos, só pra ver o fim do petróleo e da indústria automobilística.
Consigo ser mais vazia e sem conteúdo que você.

22 de out de 2008

Coisificação

São duas coisas distintas. Uma boa e outra ruim.
Uma ofusca a outra, outra espreme a uma.
Em um movimento desconexo e alucinado.

Uma: Gosto, mas te odeio.

Quer dizer, acho que te suporto na maior parte do tempo. Só suporto com muito esforço, mas sorrio. Sorrio bastante. (ps: Obrigada, mamãe)
Mas são tão frios e vazios esses meus dentinhos-amarelos-comprimidos em um pequeno espaço de boca. Convenço-me de que a pessoa está percebendo. Não é possível, ela está notando a falsidade do meu sorriso. Mas se ela estivesse realmente percebendo toda falta de consideração que sai cortante pelos meus olhos e que atinge seu clímax em um esboço de civilidade, provavelmente me chutaria, cuspiria na minha cara, diria coisas do tipo: quem vc pensa que é?
Mas não, a pessoa sorri de volta. Gentil, olhos obliquos (não, não consigo ser original), maõzinhas civilizadas.
E eu, sempre pensando em mim, não consigo desvendar seu olhar e toda incredulidade por trás dele.

Outra: Te descubro. Mas tenho medo.

Quero saber, encontrar, desvendar. Aspirações, crenças, silêncios, segredos e algumas risadas à meia-noite.
Desejo.
Aí, como um grande balde de água fria, água cristalina. Você. Que nem é um você ainda. É no máximo o. Assim: o, artigo. Ou melhor, tipo um haver desgramaticalizado.

E me perco. E aí vem outro, um, o.
Haverá ainda uma Vossa Excelência? Não será mais água, será lençol freático, frenético, na minha pele, olhos, boca, sorrisos, dente, pezinhos balançando na beira da cama, histórias ao pé-do-ouvido.

E, no meu mundo, tudo terá o mesmo gosto doce.

21 de out de 2008

Foxy Lady

Estou tentando entender. Mas tudo me parece confuso, em um estranho estado de torpor, com medo de misturar conceitos e me perder em ,
Picos de exaltação, longos silêncios, um estranha sensação de estar vivendo sedada. Ligada no piloto-automático, esperando um grande acontecimento, uma tragédia ou comédia (usando de humor negro para justificar minha falta de senso de humor). Nem parece tão dramático, não?

É. não consigo entender. Já disse, né?Estou me repetindo...Droga....

Como aquela vez que precisei tomar um remédio a base de morfina, não sabia qual era o remédio. Só fica um silêncio delicioso, uma felicidade resignada, uma falta de angústia.
Fiquei pensando como deve ser a vida a base de Prozac, Lexontan e essas coisas todas.

Idiota.
Também não era isso.

Hoje não sai, consegue ver? Não sai nada. Sinto como se estivesse explodindo de idéias, de novas perspectivas, de borbulhas, borbulhas, bolhas que quando tentam sair explodem antes de se dar conta de sua inerente fragilidade.
Mas não consigo traduzir em idéias racionais ou conscientes. Se tocasse um instrumento tentaria transformar em sei lá. Em um rock.
Daquele das antigas, old school. Um solo de guitarra de 15 minutos.
Até atingir o Nirvana. Nossa, belo trocadilho...meu texto atingiu seu clímax, caro leitor. Acho que preciso vomitar.

Não, não. Lembrei. Na sexta estava com vontade de chorar. Sabe, chorar sem fazer barulho? Chorar sem sentir?
E chorar e chorar e chorar. Acordar com os olhos inchados. Ler um pouco de Lygia Fagundes Telles e seguir o dia.

Para que?
Para nada, né? Se você ainda me acompanha não deveria esperar alguma epifania aqui. Avisei desde a primeira linha....
É que escrever com fonte 8 me tira a inspiração.
Preciso gritar, escrever comic sans, em fonte 14, cor-de-rosa. Colar adesivos do ursinho Puff.

Já sei, vou até a papelaria. Compro 5 cartelas de adesivos da Moranguinho, e colo com saliva na testa.
As pessoas não se tatuam? Não é legal? Sua marca, uma frase, uma palavra que te represente, que te venda. Olha eu caindo em clichês novamente...
Mas não vou perder o raciocínio. Compro-saliva-colo-vendo.
Crio um blog, uma comunidade no Orkut e encontro mais mil meninas do mundo todo que colam-Moranguinho-na-testa-com-saliva.
Falamos pelo MSN todos os dias, eu sou a líder, presidente. Já falei, né? Sagitário com Lua em Leão.

Organizo encontros, passeios, faço uma linha do tempo com Moranguinhos e começo a pensar no sentido artístico-temporal-psicológico-democrático das Moranguinhos enquanto tomo minha Catuaba.
Dou um trago no cigarro e aguardo via SMS a mensagem daquela-amiga-sobre-aquele-cara-sóbrio-careta-que-um-dia-eu-conheci-e-nem-me-importei.

Mais alguns tragos, mais algumas cervejas. Não adianta, continuo não me importando.

13 de out de 2008

Para Caio Fernando e Letícia

Foi dada a largada. Você sabe? Uma quadratura desfavorável entre Júpiter e Urano.
Até novembro. Um mês inteiro.
E eu terei que enfrentar o dragão que mora dentro de mim.

Aquele mesmo que me acorda todas as noites de madrugada com seu hálito quente e seu grito estéril. Sussurando no meu ouvido seus pesadelos e angústias. (Não queira saber o que é um pesadelo de dragão)
Em um cenário astral como esse que começou a se desenhar no céu, meu dragão fica estupidamente inquieto. Noites cheias de estrela, essas de verão, com dias azuis e amarelos, sem nuvens, faz com que a luz entre diretamente pelas minhas pupilas. e ele, meu dragão, não gosta de tanta claridade.

Então no meio do dia, na hora do almoço, no trânsito ou enquanto assisto televisão ele começa a soltar fogo e labaredas inteiras me consomem pelo avesso.
Tento disfarçar e continuo conversando com as pessoas, tomando meu café ou olhando qualquer vitrine idiota. Mas tenho medo que a fumaça do incêndio que ele causa dentro de mim saia pelos ouvidos, pelo nariz ou que uma unha descole. Que me ferva o sangue e saia qualquer coisa púrpura.
Aperto as mãos com força. Prendo a respiração. Inspiro e expiro.

Foco a atenção no nada. Foco o olhar no concreto, no palpável, no estúpido.

Abro e fecho os olhos devagar, com alguma força, de maneira inconsciente.
Ele se cala. Retorna para sua pequena jaula de tecidos rosas e volta a sugar bem quieto minhas veias. Ele se alimenta em mim, sou eu que gero sua vidinha medíocre. E minha vida é seu mundo. Ele é egocêntrico, precisa ser o centro do meu mundo.

Eu o enfrento, às vezes perco o controle e grito, esperneio, xingo. E tentando atingi-lo com minha faca cega e sem corte, acabo esbarrando em todos à minha volta. E tenho tanta raiva, e tanto sangue púrpura que enfio a faca com força. Quando abro os olhos, todos já se foram. O cheiro de carne e vida ainda impregna o ar, mas estou sozinha. As mãos cor de carvão. Penteio os cabelos, limpo a faca enferrujada no que restou da minha camisa. Recolho tudo que caiu da minha bolsa e ficou pelo caminho. Perdi algumas coisas.

Desapego.

Mas quando penso sobre isso sinto sua pequena cauda balançando, ele só está se ajeitando no canto direito do meu peito.
Respiro aliviada. Ele não morreu. Deixa ele dormir um pouco. Não tenho muito tempo.Olho para o céu. Jupiter e Urano continuam se movimentando.

As regras da pura medza matisse

1)Não discutir política;
2)Não discutir religião;
3)Não discutir futebol;
4)Não falar sobre homens, e só sobre homens e sair só para vê-los;
5)Não falar mal de outras mulheres ou sobre suas roupas;
6)Não falar sobre filosofia, cultura ou o novo livro do momento (aliás, é bom nem saber qual é o nome daquele diretor descoladérrimo que veio ao Brasil);
6)Não tomar nada além de cerveja (parar com a palachaçada de caipirinha de sake de frutas vermelhas);
7)Nada que não possa ser comido sem palitinho entra na mesa;
8)Lembrar o quanto abominamos Sandys;
9)Lembrar o quanto abominamos caras bombados ou que moram com a mãe;
10)Deletar o perfil do Orkut, do My Space, tirar aquela letra de música do MSN. Aliás, oi. msn?

Descomplique sua vida. Elimine os coisados e coisadas.
Encha seus momentos de nãnãnã, parará, nãnãnã, né?
Você que tá dizendo.

9 de out de 2008

O pão de cada dia

Não tenho religião. Não tenho crença em nada, a não ser na idéia de atração. Pensa comigo (bem, didático, hein?), existe uma lei de atração inexplicável que mantém planetas alinhados girando ao redor do sol, ou de qualquer outra coisa que exista além do sistema solar.
Se existe uma lei de atração entre planetas, você realmente acredita que essa mesma lei, não pode ser a mesma que rege nossas relações?A conversa rende um pouco mais que isso, mas esse não é ponto hoje.
A verdade é que todas as noites, quando enfio a cabeça no travesseiro, depois de empurrar as duas extremidades laterais para dor volume no meio e encaixar o pescoço em uma altura confortável, depois de cobrir os pés (sinto muito frio), decidir se leio algo ou assisto televisão.

PAUSA

Ai
Ai
Ai

Cadê minhas meias? (sic, sic, sic, sic, indefinidamente.....)

Nesse exato momento penso que deveria ter uma religião. Acreditar em Deus, ter alguém para dividir a culpa, os medos, os fracassos, os arrependimentos, planos por futuro. Seria muito mais confortante. Jesus, José, Abraão, Moisés, Maomé, Alah, ai calma. Tenho que escolher um só.
(Essa coisa de profeta é meio esquisita, tem vários, mas fica meio subentendido que tenho que escolher um só. E aí as opções já diminuem, por que de vários, os fodões mesmo são Jesus, Maomé e Moisés, não necessariamente nesta ordem.)
Tá, Jesus. Escolhi. (Classe média latina subdesenvolvida, espero que entenda minha posição)
Com os santos não. Aí fica divertido. Posso escolher vários: São Sebastião, Santo Antônio, São Francisco.
Fico com o Padre Cícero, super vou com a cara dele. (Será que é profano eleger um santo que não é santo?Foi excomungado, acredita?)
Tá, queria ter uma religião. Queria pedir favores, ajuda, dividir os problemas. E, acima de tudo, viver com com um objetivo, com uma meta.
Ter o descanso eterno, ser justa (isso não é platonicamente romântico?), construir uma família, ajudar ao próximo. Deve ser muito gratificante sempre buscar algo elevado, superior...

Sempre acabo caindo no sono antes de concluir o raciocínio.

No dia seguinte....
Caralho, to atrasada.
Toma banho, arruma cama, tira roupa do varal, escova o dente, passa a blusa, escolhe a calça, aiaiaiaiai, preciso de uma nova, põe sapato, tira a maquiagem de ontem, passa de novo rímel, cadê o anel, bota brinco, troca brinco, pega o secador, tira o lixo pra fora, passa perfume ou não?Hoje não.Fecha porta. Esqueci o guarda-chuva. Abre porta. Abre outra porta . Fecha portas. Duas vezes. Chama elevador. Espera. Esp....Cadê o carro?Porra, não tirou ainda?Ahh é, bom dia.Sim, obrigada. Trânsito, trânsito, trânsito.Liga o rádio. Muda a estação.Muda de novo. Sai da frente moto dos infernos. Bota um cd.Freia.Trânsito.Trânsito. Semáforo.Passiflora.Floral. Adoro o Obelisco. Adoro o Centro Cultural São Paulo. Calma, o CCSP vem antes. Adoro o Monumento das Bandeiras, adoro a República do Líbano, vira, vira, Brigadeiro.Trânsito. Juscelino.

Senta. tictactitactictac. putputptputputput.cofcofcofcofcof.tictactitactictac. putputptputputput.cofcofcofcofcof.tictactitactictac. putputptputputput.cofcofcofcofcof.ALMOÇA.
tictactitactictac. putputptputputput.cofcofcofcofcof.tictactitactictac. putputptputputput.cofcofcofcofcof.tictactitactictac. putputptputputput.cofcofcofcofcof.tictactitactictac. putputptputputput.cofcofcofcofcof..FACULDADE.
sintaxe.surrealismo.Euclião.Platão.védicos.MachadodeAssis.xerox.pasta.(Ai meu deus, como esqueci isso?)sintaxe.surrealismo.Euclião.Platão.védicos.MachadodeAssis.xerox.pasta.(chegar em casa) sintaxe.surrealismo.Euclião.Platão.védicos.MachadodeAssis.xerox.pasta. (Ai quero ser professora.)sintaxe.surrealismo.Euclião.Platão.védicos.MachadodeAssis.xerox.pasta.(Ai tá loca?hahahaha Alunos BURROS)

Carro.Trânsito.Trânsito.Carro.Liga o rádio. Muda estação. Ai que fome. Passa na padaria, não tem nada pra comer. Ai, farol fica verde. fica verde. Vaiiiiiii, seu puto (Desculpe, não era pra você. É pro puto no carro da frente que não anda)Vai, trânsito fluiu....Consolação, tinha que ser. Trânsito. Trânsito.
Vira. Vira de novo.Vira só mais uma v...Estaciona.
Chama o elevador.Espera.Esper....
Abre porta. Oi, tudo bem?Guarda as coisas.Como foi o dia?Entra na cozinha. Ahh tá. Esquenta comida. Liga a TV. Não me diga...Come.Come. Guarda comida.Bota roupa pra lavar. Boa noite. Escova os dentes.Entra no quarto. Fecha a porta do quarto. Deita na cama. Enfia a cabeça no travesseiro, depois de empurra as duas extremidades laterais para dor volume no meio e encaixa o pescoço em uma altura confortável, depois cobre os pés (sinto muito frio), decido se leio algo ou assisto televisão.
E penso, penso, penso, penso.

Decido.Eu preciso mesmo é de sexo.

6 de out de 2008

Mentiras de uma tarde de verão

Hoje é um daqueles dias mornos, apesar de estar frio e chovendo lá fora.
Atrás das cortinas e enormes janelas de vidro, estou insensível à vida toda que pulsa gelidamente através dos carros fumaçantes, ruas esburacadas, guarda-chuvas e muito mal humor.

A sala, apesar de grande e sem paredes, está encoberta por uma leve bafo quente. O pé direito baixo, o barulho incessante dos teclados, algumas tossidinhas discretas, alguém falando algo que não me importa no telefone e todos os rostos impassíveis diante das telas multicoloridas, multifuncionais, multiplanas.
Não digo - Há vida lá fora.

O que esperar? O Gene Kelly de cuecas, maquiado a la David Bowie, dançando axé com um taco de beisebol na mão? Ou pelo menos um Brás Cubas qualquer pra morrer hoje. Uma avó pra fazer chá e bolinhos de chuva. Um filme da Xuxa na Sessão da Tarde e uma receita de rocambole na Palmirinha. Um amor pra chorar e um cachorro para olhar através das janelas embaçadas a chuva lá fora.

Mas olho pelas janelas sem me dar conta do dia triste e lindo que acontece ao meu redor. Sem me dar conta que os dias podem ser algo além de paredes brancas, frias e impessoais, além de um relógio cheio de alarmes tic-tac-ploft-plim.

Preciso parar de achar que o mundo gira ao redor do meu umbigo.
Uma questão de perspectiva.



26 de set de 2008

Perdi minha aula de hinos védicos

Gostaria de ter começado o post anterior de outra maneira.
Gostaria de ter começado dizendo como ter te vomitado me fez bem, e como depois disso fiquei sem inspiração a semana toda. E como havia sido ótimo.
Por que botei você pra fora de mim e aí consegui ver que foi só um pequeno líquino, quase trasparente, que saiu.

Só que me vomitei. Coloquei pra fora tudo de ignóbil e baixo que havia em mim.Exagerei, dramatizei, me virei pelo avesso e me retorci. Tentando tirar tudo de indissolúvel que havia dentro de mim.
Fiquei com garganta doendo ao me cuspir pra fora. Não quis me justificar, não quis me culpar, não quis me fazer de vítima. Só que no final ficou uma criança frágil, imatura e egocêntrica.

e Ao me ver refletida na tela fria e pálida, me reconheci.E pude ver o quanto tudo isso me soava falso.
e bobo.
e patético.

Termino por aqui com plena consciência que isto deve significar um recomeço. Embora mudanças e coragem (...)
Continuo achando que estou cercada de limites arames-farpados e muito medo de enfrentar tanto à eles quanto à minha imagem refletida no nó da minha garganta.

Espero dormir e achar uma resposta, mesmo sabendo que ela não vai surgir enquanto eu estiver presa em mim mesma. E buscando, incessantemente, algo que nunca existiu.

25 de set de 2008

De uma aluna da 4ª série primária

Sou uma péssima profissional.
Sou um fracasso como mulher.
Minha vida toda é um conjunto de derrotas e não consigo fazer nada direito.
Só erro em tudo e não consigo fazer porra nenhuma direito.
Sou amarga, chata, desisteressante, medíocre.
Não tenho talento. Não tenho dignidade.
Não tenho nem amor próprio. Não sirvo nem pra mim mesma.

esse foi o texto mais lixo de toda minha vida.

21 de set de 2008

Nascimento Silva

Minha amiga te acha arrogante. Minha astróloga diz que você é gay. Minha terapeuta acredita que você teve grandes problemas na infância. Minha mãe acha que você não me merece.
E eu.
Continuo querendo saber o que você acha. O que você acredita. Como foi sua infância. Sonhando com seu pau. E com uma grande ferida aberta que insiste em não cicatrizar, a certeza que só seu suor, lágrimas e saliva poderão cura-lá.

Adendo: Veja bem, ela não sangra mais. O sangue coagulou. A pele está escura em volta.
Lâncome, algum perfume e consigo até seduzir dois ou três trausentes. Mal sabem eles o que carrego por trás do meu débil sorriso.

Domingo à tarde

Passei na frente do seu prédio. Procurei por luzes acessas, pessoas na sacada, de repente uma festa, fumaça de uma churrasqueira.
Olhei dentro da portaria, te procurei saindo das escadas rumo ao elevador.Falando com o porteiro. Te procurei pela garagem, estacionando o carro, descendo com o lixo, pegando algo no porta-malas.
Fingi que amarrava o tênis para ter tempo de checar se você estava no bar da esquina com algum amigo, tomando uma cerveja e falando sobre investimentos na Bolsa e mulheres.
Entrei na loja de decoração que fica do outro lado da rua. E se você estivesse com ela, e ela quisesse ir na lojinha e você estivesse junto e se quando eu entrasse eu a reconhecesse, e você me olhasse com olhos cravejados verde-mel. E eu ficasse com vergonha e passasse algum conhecido e me cumprimentasse e perguntasse da minha vida e eu dissesse tudo que eu gostaria que você ouvisse e acreditasse. E você ficasse sem graça, e com saudades e vergonha ao mesmo tempo.
Ahhhh, melhor ainda, e se ela, que estava com você, fizesse algum comentário bem estúpido ou te chamasse de morzão e você ficasse com vergonha e reconhecesse que eu sempre tive razão, submissamente eu sempre soube. Porque minha intução me diz e meus sonhos te amarram pelos pés.
...
Acabei comprando um incesso de arruda e um quadro feito de umas caixinhas de fósforo com imagens de orixás.
...
Busquei suas coisas dentro de um caminhão que estava estacionado na frente do prédio. E se você estivesse se mudando?Para um apartamento chique e gigante, cheio de móveis escuros e sem nenhuma planta?Você levaria seu cheiro com você ou restaria algo impregnado nas paredes do antigo imóvel?
E se eu me mudasse para o apartamento em que você vivia?Lavaria as paredes com bombril e cândida, pintava tudo de rosa e laranja e vermelho. Enchia de samambaias, livros, CDs de chorinho e música francesa.
Colocaria minha cama do lado oposto onde você colocava a sua. Um armário na parede oposta. Uma grande mesa no centro da sala.
......
Talvez você se mudasse, e eu nunca mais te visse. Talvez você sumisse e aquela rua voltasse a ser só uma rua suja, esburacada e escura.
Talvez eu não tivesse tanta vertigem.
E eu tivesse a certeza que você não está lá. Nem em lugar nenhum. Porque ainda te procuro, e você está lá, só que eu não consigo te ver. Eu não consigo te alcançar no alto do seu 13ºandar.

Captação da benevolência

Às vezes me suupreendo com a minha ingenuidade, romantismo, lirismo. Justo eu que gosto tanto do meu ceticismo.
(Bela maneira de começar o texto, cheio de rimas pobres e vazias)
(Belo parênteses)
sic
Vamos de novo.
Na verdade, descobri qual é o meu problema. Mas não vou falar. Deixa eu amadurecer essa idéia estúpida.

A grande questão é que sou muito intolerante e rigorosa comigo mesma e julgo todos os meus atos, pensamentos, o jeito de mexer no cabelo. E fico buscando nos meus silêncios indícios da minha vaidade e egocentrismo.
É, ultimamente tenho pensado muito nisso. Medo de ser uma dessas pessoas obstinadas, cheia de teorias, que balança a cabeça concordando com o interlocutor e mal consegue se aguentar sentada esperando a mudança do turno conversacional.
Pavor. de ser muito articulada, à margem de um discurso retórico, na maioria das vezes sofista.

Tenho uma coisa meio teatral e afetada. Tenho uma percepção muito clara dos meus atos falhos e vontades inconscientes, todavia nenhum controle.
Estou cansada de tanta análise, tanta metafísica, tanto controle, tantas amarras emocionais e limites-arame-farpado.
Mas fico sempre, impondo, proibindo, julgando, mandando, demandando, justificando.
Preciso de mais vazio, mais silêncio, mais circo, mais sorvete de côco. Mais parques aos domingos, mais sambas, mais cerveja, mais sexo, mais comédias românticas.
Inventar histórias, deixar fluir a imaginação, me libertar de mim mesma.

Sou escrava da minha disciplina. Uma putinha que abre as pernas todos os dias para o Inconsciente. Deixo ele me chupar, possuir, dominar. Me come sem pudor, sem receio.
Dorme com a certeza que eu sou sua e não consegue ver, quando deita para o lado, meus olhos de lamparina, o vômito e sangue. O líquido amarelo-viscoso que escorre pelo lençol.
Limpo tudo antes de amanhecer e no silêncio da noite, fico me caçando, chicoteando e martirizando, em um ritual de auto-suplício. (Isso existe?talvez flagelação, mas ficaria tão óbvio. E você sabe, preciso fugir dos lugares-comuns)
Tomo um banho, muito rímel, batom rosa claro e uma blusa em tons-primavera. Música feliz e permaneço por uns 20 minutos sedada. Até a proxima crise.
Tento fugir.
Mas o arame farpado me arranha a pele. E eu, que tenho tanto medo de me machucar, deslizo até o chão e sucumbo. Como uma velha puta que ainda se vende por uns trocados, sem a menor violência.
Preciso atravessar essa cerca, rasgar toda a minha pele até os ossos, deixar passar só o esqueleto.
Recolher o resto de mim mesma que ficou pelo chão e colar toda a pele fragmentada com saliva. Frankenstein de mim mesma. Quero ser monstro.Cansei de ser médico.

16 de set de 2008

Não é pra qualquer um

Não vale, não é qualquer um que pode ter um blog.
A democracia da internet me assusta, não mereço ter espaço no mesmo universo cibernético que Saramago.

http://caderno.josesaramago.org/

The jungle V.I.P

Once upon a time eu estava com o carro estacionado na frente da sua casa e você estava parado no seu carro. Para você entrar na sua garagem eu deveria manobrar meu carro, mas ele estava absolutamente fora de controle. Eu bati em muros, postes e meu carro girava desgovernado. Consegui entrar na sua garagem, mas eu já estava de moto. E peguei na porra do volante com força, me concentrei e dirigi por alguns metros em linha reta.

Eu estava novamente na sua casa, na verdade estava na casa do seu vizinho, mas podia vê-lo com ela. Novamente. Podia ver seus amigos.
Você se trocava no quarto, e eu te via perfeitamente, e ela estava sentada na beira da sua cama, muito silenciosa e com o olhar distante. Ela tinha uns cabelos vermelhos, bem vermelhos, e ao mesmo tempo claros.
Seus amigos estavam lá e fumavam e, um deles, tinha lápis preto no olho. E seus dois irmãos, ruivos, bem ruivos estavam fantasiados de lutadores de sumô. Veja bem, você que não tem irmãos.
Entrei na sua casa, e você não falava comigo, claro.
Tampouco falava com ela.
Meus dentes começaram a doer, minha boca latejava, era como se meus dentes estivessem pressionando uns aos outros. Até que um deles, um lá de trás, no canto superior esquerdo, seria um incisivo, molar ou um canino?, arrebentou e se desintegrou em milhões de pequenos pedacinhos. Foi um processo abrupto e quase uma explosão dentro da minha boca, um dos pedacinhos vôo até a cara de um de seus convidados.
Depois disso só havia sangue.

Acordei de manhã com o nariz sangrando.

Apêndice: Tudo isso em algum momento tem que representar um (re) aproximação. Ou uma ruptura. Ou algum tipo de afinidade intergalática. Não é justo comigo, não faz sentido, você continuar tão presente no meu imaginário e estar alheio a tudo isso.
Sexta-feira
Augusta
03:00

Personagem 1
Tem buceta aí?

Personagem 2
Claro, é o que não falta.

Personagem 1
Quanto é?

Personagem 2
7 reais

Dando um trago no cigarro.
Na terceira margem.
7 reais? Mas esse país não estava em desenvolvimento?

12 de set de 2008

Melhores comerciais - Versão Brasil

1) Criação F/Nazca. Leão de prata em Cannes 2008.

http://www.youtube.com/watch?v=Mtkc9J2Q1Oo&feature=related

2) Criado pela DM9, "Money" infelizmente não ganhou em Cannes. (Merecia)

http://www.youtube.com/watch?v=j-l8GvMCir4

Mega Medzo

De repente me pego pensando em você.
De repente sinto uma saudade que não cabe no peito.
Saudade de um amigo distante, mas sempre tão presente na minha vida.
Saudade de alguém que me faz acreditar na beleza das coisas e ter equilíbrio para seguir em frente.

Saudade de rir das suas piadas sem graça. Saudades de um jeep que ficou atolado em algum lugar que eu ainda não conheci

O tempo corre contra nós, o tempo nos desafia.
O tempo apaga cicatrizes, varre pessoas e mágoas.O tempo às vezes cobre de poeira até os sonhos.
O tempo.


Vamos usá-lo a nosso favor.Vamos manipulá-lo.
Vamos nos encontrar mais vezes, segurar os ponteiros com as mãos, para que o tempo corra bem devagar quando estivermos juntos.
E que a distância, a ausência e os silêncios sejam apagados quando estivermos juntos.

Sorria.
Não perca sua fé.
Mantenha o equilíbrio.
Confiança e fidelidade.

A vida no galinheiro

Diz Mésmer:

Esta manhã acordei pensando como é a vida no galinheiro. Quem acorda mais cedo, o Galo ou a Galinha?
Acho que é o Galo que acorda, faz o café e canta para a galinha saber que o café esta na mesa. É muito cedo, a Galinha volta a dormir?
Acho que sim. Ela toma café, dá mais uma cochilada, descansa, vai chocar ovos, dar de mamar para os pintinhos e começa fazer o almoço para o Galo, saindo para ciscar e pegar algumas minhocas e grãos de farelo para a sobremesa. Como é a tarde?
Acho que a tarde, após o almoço, a Galinha limpa tudo, coloca os pintinho novos pra dormir um pouco e dá mais uma chocadinha. O Galo, por sua vez, continua na vigia do galinheiro após colocar o lixo pra fora, pois, a companhia de lixo Galinheiro´s Clean passa às 4 da tarde. Ele, o Galo, desfruta do põr do sol com muita alegria, pois sabe ele que já já vai deitar com sua neguinha, a Galinha, ficar bem quentinho embaixo da mantinha dando vários bicadinhas.
E o jantar? Ahh, não esqueci não, é que acho que não tem janta no galinheiro...


Diz Aline:

Galinhas são burras e porcas.
Galinhas acordam e nem lavam o rosto, já vão ciscar sem nem ao menos escovar os dentes.
não dá pra saber quem acorda primeiro, se é o galo ou a galinha porque eles dormem separados. só se encontram de vez em quando para um sexo casual. Porque galos são machões pra caralho.
São briguentos, viris e não gostam muito de trocar idéia não. São um tipo assim, misto de caminhoneiro com coronel do nordeste.
Suados, sujos, feios. nunca se lavam ou penteiam o cabelo.
Os pintinhos são um caso a parte. Não ligam pra mãe, irmãos e nem sabem que é o pai. Se tivessem sensibilidade musical iriam ouvir Metallica, só que eles também são estúpidos como toda sua raça.
Comida?nem pra isso eles ligam, acordam todos os dias por inércia. Comem qualquer milho sujo que encontrarem no caminho, também não bebem água não.
Além de tudo são anti-sociais, não se dão com a comunidade do galinheiro, nem com patos, nem com pavões, gaviões, gatos. Nem com suas primas galinhas da angola ( se bem que estas últimas são muito fofoqueiras, dá pra entender...).
Galinhas são o tipo mais estúpido no mundo animal, um erro da natureza, uma aberração estética.

Deus inventou as galinhas para lembrar os homens de sua miséria, feiura e insignificância. Mas esses monstrinhos são tão horrendos que até o criador se assustou e se arrependeu.

Para se redimir, o Todo Poderoso inventou o frango refogado.com quiabo e cebola.uhmmmm....

Lalá

Eu tenho uma amiga
Mas ela é linda, suave e doce
Suas aparições e comentários...
Seus desejos são perfumados

Amigas não são fáceis, amigas estão sempre à beira de um abismo...
Se caírem se tornam irmãs, se andarem muito flutuam....e viram anjos
Anjos sem asas

Ela insiste em andar no meio fio.
Ela insiste em estar sempre presente.
Ela insiste em me ensinar o tempo todo.
Não faço objeções.

Pois tenho um pouco dela dentro de mim.
Tenho tudo.
Suas lágrimas, seus suspiros, suas risadas, suas hesitações.
Minhas lágrimas, meus suspiros, minhas risadas, minhas hesitações.

Ponto final

10 de set de 2008

Sonhei duas noites seguidas com você, hoje até a perdi a hora. Assim que liguei o rádio de manhã tocava Doors.De acordo com minhas contas astrológicas e transcedentais, isto era um sinal de que eu devia te procurar.....Agora fico sem ter o que falar.... Não decorei coisas que eu deveria dizer, nem consegui pensar em nada muito convincente.Bem, talvez o sonho encerre o mistério em si mesmo. Um banho frio de manhã e tudo fica bem novamente.

...

Sinceramente, acho que meu sonho encerra o mistério em si mesmo.
Pois no sonho, não sei se você se lembra, ele não ficava comigo nem com a outra.
Ele não sabe do conteúdo do sonho, mas foi bem adequado o comentário dele sobre minha sensibilidade....Sei que ele não está comigo nem com ela como deveria....

Tenho a crença de que ele não gosta de mim, que não mudará, que ele não ficará comigo.
Escrevo pra ele já sem nenhuma esperança de que nada mude (ato falho essa sentença, não vou alterar), no fundo não quero que mude.
Minha paixão e quase devoção a ele se tornou um friozinho confortante, latente, constante e platônico.
Ele, de repente, se tornou meu interlocutor favorito,um desejo inatingível, e minha descrença no amor dele ao mesmo tempo me aproxima e me afasta.
Falar com ele se tornou um hábito, um busca incessante por algo que nunca terei. Que eu enfrento todos os dias com muita resignação.
Assim como enfrento a passagem do tempo, a rotina, as pequenas felicidades diárias. Com algum silêncio, aceitação e algumas alegrias discretas e tranquilas.
Para fugir de meus dramas, meus exageros, minhas radicalizações. Aceito minha derrota, e me martirizo quase todos os dias com a possibilidade de um amor que não terei.

....

Me ajoelho sobre seus joelhos, você fecha meus olhos, eu durmo junto ao seu peito. prendo sua respiração. acordamos, ambos, menos céticos.

Nelson Rodrigues

Hoje preciso de foco. Porque são tantas idéias pulando, saltando, acima de tudo, fugindo. Tento espremer como uma laranja. Tirar o líquido, separar sementes. De vez em quando como algumas, "faz bem pra vista". (Não, são as formigas...) Mas não adianta.Catar feijão. Amasso meus miolos, reviro pupilas, enxugo os olhos em vão. Nada. Ouviu bem? Nada. Nada de lágrimas, nem umazinha bem pequenina e fria, dessas gostosas de sentir no silêncio ensurdecedor de uma noite quente. Não é o nada. Não é o vazio. Floral, maldito floral. É a porra da yoga, a meditação ou esses livrinhos felizes que não leio. Muito ceticismo, definitivamente. Não, isso não me cheira bem. Não tem cor, não tem forma. Não é opaco. É o imperceptível passar dos dias. A única verdade. Tudo passa, repassa, trespassa à minha volta em círculos (virtuosos, ouvi hoje. Mas não sei bem se gostei. Deixa aí.) e eu sentindo vertigens ao olhar as pedrinhas portuguesas das calçadas. Essas coisinhas que se mexem e parecem flutuar. Vivo procurando nas falhas dos meus sentidos, a razão do meu não-ser. Talvez a única explicação plausível para tudo isso.

9 de set de 2008

Best ads - Versão gringa

1) Filme "Cérebro", para Coca-Cola Zero, criado pela Wieden + Kennedy e adaptado no Brasil pela McCann Erickson.

http://www.youtube.com/watch?v=nk7fWDLkIRc

2)Filme "Grrr", para Honda Diesel , criado pela Wieden+Kennedy (UK). Levou o GP de Film no Cannes Lions 2005.

http://www.youtube.com/watch?v=F_fy7ZHxpBg

Não canso de assistir.

8 de set de 2008

Fiz esse textinho inspirada em uma coluna do Clube da Criação onde redatores famosos e talentosos são convidados para escrever sobre o seus criados-mudos.
Não fui convidada, mas escrevi e publico aqui pq o blog é meu e divulgo o que quiser.

ps: Detesto quando tenho esses modos afetados.
ps2: segunda-feira chuvosa.
ps3:Ahh, tava quase esquecendo. Já tinha enviado esse texto para uma amiga, e disse que ela deveria escrever algo sobre o criado dela. Ela escreveu e acabou falando também algo sobre calcinhas limpas e dignidade. Achei bem foda a imagem de calcinhas limpas, banho, muitos silêncios e pouca luz dentro do meu quarto, alheia ao mundo.
Já descolei uma pauta pro próximo post. Por enquanto fica aí meu criado.


Sobre ele exerço toda minha tirania, ele é meu criado e, vejam que conveniente, mudo.
Ainda é bonitinho o safado.
Ele mantém se a postos todos os dias, carregando todos os meus caprichos. Sempre organizado, um servo muito competente.
Ora livros chatos, ora leituras interessantíssimas. Às vezes um incenso de arruda, às vezes um celular desligado. Um jardinzinho japonês pra ficar charmoso, ele sabe me agradar.
Alguns segredos na última gaveta, maquiagem velha na primeira, e muita bobagem perdida no fundo.
Pego nos seus puxadores com força, lasco sua madeira vagabunda. Sou sua senhora.
Velhinho, está coxo.
Mas não o troco. Sugarei-o até seus parafusos enferrujarem e sua estrutura tosca amarelar. Jogo fora sem olhar pra trás e compro um novo pequeno vassalo cheio de vigor e amor pra dar.
A vida poderia ser toda produzida em larga escala.

Por que eu não entendo as lésbicas ou elogio da efervescência

Pintos são lindos.
São delicados e sensíveis.Imponentes, geniais e sacanas.
Cheirosos.Te consomem pelo avesso.
Não há nada mais profundo se tratando de anatomia humana.
Espírito de camaleão.Dança da morte.

Toque com sensibilidade, contenha os gestos.
Ame e deseje.A recíproca é verdadeira sempre.
Acima de tudo suspire.Sinta.
São altivos, prepotentes devem ser sempre.
Respeite.Conquiste.
São egocêntricos, você deve compreender.

Um pau faz mais parte de você do que tudo o que você acreditou.
Todas suas crenças, todas suas mentiras.O que te resta?
O que é prazer para você?Senão algo fora do seu alcance, senão algo que você nunca consiga traduzir.
Sentimento, instinto.Pureza.

caros, não se iludam.não permitirei.
Sejam fortes, sejam muito fortes.irão percorrer caminhos inóspitos.
O Triunfo enfim.

Poema sem título

Os começos podem ser em qualquer ponto da história.
Nunca fazem muita diferença.
Afinal, depois de começados, os fatos, inexoravelmente, consumados.
De que importa, diga-me você.
Pois eu tenho a resposta, inventei agora, acredite.

O mundo gira aleatoriamente, em universo infinito.
No sistema solar.
E as pessoas ainda são conceituais. Divagações, espasmos de idéias.

Qual a é a única razão que te faz abrir os braços?Quais nomes e pronomes,
declamados ao pé do seu ouvido, te fazem querer sentir?

Digo: Cala-te!Não fala, somente respire.
Enxergue através dos espelhos d’água, sutilezas do vento.

Sente-se perto de tudo que há de mais podre, asqueroso e ignóbil.
Beije suas entranhas, sinta seu hálito.
Pegue sua mão e beijei se quiser.
Só não se redima por compaixão.

Sempre me esqueço, não ser abstrato.

Externalizações pelas bordas

Quero buscar algo novo, sintético, estético.
Nada lisérgico.
Quero a redenção pela arte, uma forma poética inovadora.

Minhas hesitações, meu caráter, me falta algo além do que é permitido.

Por que não celebrar a morte ao invés dos aniversários?
Se tudo é errado.
Nossa percepção tão selvagem.
Nossas muletas.
Faltam pés a todas sereias do mundo.

(talvez ninguém note)

Por que tanta coisa a ser dita?Quero buscar o que não sabemos que deve ser dito.
Escrever com as pontas dos dedos, não com a idéia.
Fora tudo que seja imutável.Cansei de buscar verdades.

Quero qualquer distância formal.

Plim Plim

A saudade girou a maçaneta do meu peito
E de tanto girar, beliscou minha pele, torceu meus nervos
E arrancou um pouco de tinta

Chegou pisando firme e batendo com força todas as portas atravessadas

Cruzou casas, jardins, cemitérios, camas e textos de todos os tipos
Passou por tudo segurando a respiração
Eu vi através da minha janela cheia de grades

Andou mas não correu.
Eu podia sentir seus passos firmes no chão.

Recolheu pelo caminho tudo que encontrava
Mastigava com seus dentes invisíveis e engolia.

Parou e me olhou nos olhos
Seus olhos em chamas e a carne sangrando
Lambeu meus lábios ardentemente (abertamente)

Ainda enxugo as gotas de suor que ficaram grudadas pelo meu corpo.

Feliz desaniversário

Sucumbi.
Resisti por bastante tempo. Não que não tivesse vontade de ter um blog antes. Mas sempre me achei especial demais pra isso.
Sagitário com ascendente sagitário, lua em leão e sol na casa 12. Para que não sabe o que significa, é basicamente que sou uma vaca, egocêntrica, egoísta, irresponsável, filosófica, que vive no limite da realidade e fantasia.
Ahhh, tenho dois planetas em libra, o que me dá muito senso de organização e disciplina. Porém, deixarei pra usar esses importantes aspectos da minha personalidade quando conseguir um emprego no Bradesco ou passar num concurso para ser funcionária pública.
Por enquanto vivo entre mim. Meus brinquedos, fracassos, silêncios, vaidade, e todos os outros limites que invento diariamente.
Espero não ceder a tentação de utilizar o espaço como terapia e, acima de tudo, não utlizá-lo para agredir os outros ou me justificar.
Como tenho muitos textos antigos vou postá-los aos poucos, para dar um certo volume e alguma credibilidade à página. Se gostarem do que leram, continuem acompanhando o blog. Se não gostarem, sintam-se em casa, também acho alguns uma merda .

ps: Revi hoje o "Clube da Luta", e fiquei meio em um estranho estado de torpor. Pensando sobre tenho vivido bucolicamente uma vida pequena-burguesa-cafona-previsivelmente-resignada.
Podia ter botado fogo no apartamento, mas resolvi criar um blog.
E cada vez mais sucumbo aos apelos da classe média. Amanhã começo a pagar previdência privada.

ps: (sic)