29 de mai de 2009

Midnight Fever Party

Eu sei que eu faço tudo errado e isso não é auto-flagelo, entenda.

Porque, meu bem, certos hábitos são dificeis de se livrar, certas marcas e amarras e cercas-arame-farpado, espero que você tenha paciência.

Porque você não precisa caber em mundos perfeitos que eu criei para você e para mim, compreenda.

Abra seus braços e permita que eu solte os meus braços sobre os seus. Abra seus olhos e deixe-me enxergar através de suas pupilas claras e translúcidas, tão diferentes do negro-fechado-obscuro dos meus olhos.

Definitivamente, benzinho, as pessoas não morrem de amor, padecemos é de solidão.

...

E naquela época eu vivia de longos suspiros. Era um tempo em que se vivia de esperar.
Alguma epifania, um clímax, luzes, sonhos, a vida tinha um gosto doce de ilusão.

E quando esse tempo passou eu não sabia mais viver.

E te dizer - ou tentar explicar isso - era mais que difícil que acreditar que isso fosse realmente verdade.

26 de mai de 2009

Da série: Surto (Versão Anisinho do teclado)

Porque não tenho mais nada a dizer. Digo, então, copiando os outros, porque se é para ser ruim, que seja feito com classe.

PS:Prometo, ó dignímisso público pagão, que da próxima vez lanço uma Paulo Coelho ou Zíbia Gasparetto.
PS2: Adouuro Luiz Melodia. Mas sou muito vaidosa pra admitir.
PS3: Aliás, hoje lembrei que sou muuuito vaidosa. Mas não nesse lance bonito de ser.
Vaidade baixa, insegura, dramática e egocêntrica - histérica. Me pergunto se faz sentido...
PS4: Fica pra outro post.


Se ando triste, mal, desconfiado
Desvairado, com cara de santo
Podes crer, meu bem
Que santo é um santo
Se choro franco, falo um pouco antes
Olha, eu falei bastante
As pessoas que eu amo
Eu amo bastante
Por isso canto
Santo é um santo
Nova imagem a respeitar
Eu conheço o homem, o lobisomem
A moça linda vive a pensar
Chuvas vão cair
A chuva molha tanto
Chuvas vão cair
Meu bem, meu Deus
E molham tanto
Eu falo, falo, falo que não falo nada
Eu mostro, tanto mostro que sou santo nada

Naturalmente

Preciso dizer tudo que tá engasgado aqui dentro.

:

Mesmo com 10 anos de idade seus olhos cravejados-multicoloridos fariam sentido para mim.

Pronto, acabou.

ps: Mudei de idéia sobre te conhecer antes de te conhecer. Teria sido bom. Fato.

Museu de grandes novidades

Eram três ou cinco pessoas. O que tinha dedos-longos, o playboy-que-não-pegava-ninguem, o maconheiro, o que gostava-de-psicanálise. Ahhh, e tinha uma que-só-queria-aparecer.
Sentados ao redor de suas mesas, tomavam a mesma cerveja quente, levando o copo à boca repetidas vezes em um ritual histérico, silencioso, contido e resignado.

O playboy, desconfio eu, tinha pau pequeno. E por isso, tentava se auto afimar latindo suas conquistas, peito de pavão, e um certo olhar arrogante e mãos trêmulas abaixo da mesa, tateando no escuro dos bolsos o maço de Malboro (box, ele só comprava box).

A puta, começamos por ela. Só queria companhia e para satisfazer seu ego, precisava dizer: "Sim, você não se lembra?Como era ridículo?" O outro, claro, nunca ela mesma.

Talvez devesse ter pena, afinal, quase todo mundo sabe como funcionam os mecanismos da insegurança em mocinhas modernas (too much city, not that much of sex - licença poética).

O maconheiro, ahhh o maconheiro. Esse filme já foi visto quantas vezes? Uma voz meio rouca, falta de modos, onipotência e um desejo irrefreável de nunca crescer. Superadequado, case-se com sua mãe. Fica aí a dica.

O de dedos longos conhecia seu dom. E gostava de deixar bem claro como sabia usá-los. Receita de um vencedor, fale, fale muito sobre tudo. Critique, fale mal de todos. Você pode, dedos-longos te redimem. Mas será?

Tenho lá minhas dúvidas. Homens conseguem enganar, mas as mulheres, ahhh, a quilômetros de distância sabe-se onde há sensibilidade. E ela não engana nem a si mesma. Tire os brinquinhos prateados pendurados do nariz, aquela tatoo-descolada-marcada-a-fogo-direto-de-pastas-plásticas,e....Já sabe, né? Ou quer mais um clichê?

Pronto, falei.

Mono no aware

Respiro profundamente e aperto com força as mãos sobre as coxas. Deslizo lentamente pela parede e sinto o chão gelado sob meus pés. Você me olha de longe. Você é forte e quente.

Tento ajeitar os cabelos e me recompor. Mas tudo parece sem sentindo agora, você me fala sobre todas essas coisas que não me interessam e eu finjo descaso.
Em vão, tento alcançar o isqueiro perto dos meus pés. Mas não há nada no caminho que me impeça, então desisto.

Enxugo com as costas das mãos o que resta do batom carmim que passei para te impressionar.

Você tenta me impedir.Suas verdades.

Pare de me olhar com olhos de espadas. Mas voce não entende o que eu digo. Por favor, grite comigo. Não é possivel. Pare de me ouvir e solte as minhas mãos.
Não, a culpa é sua. Porque eu....veja bem, eu....você não quer ouvir como sou....Você não pode.

Mas você permanece. E seus olhos quase não se abrem. E voce quase me sufoca enquanto eu me agarro ao seu pescoço.

(Perda)

Eu me encosto em seu ombro. E meu mundo parece bem menor agora. E minhas lágrimas secas escorrem ao ritmo da sua respiração.

Não há sangue, não há cercas-limite-arame-farpado. Não há reconstrução. Nada às avessas. Só minha velha fantasia sobre seus braços quentes.

25 de mai de 2009

Lostanatomia

E eu apertei suas mãos com força. Beijei seus cílios e suspirei um suspiro sem fôlego de ar engolido pra dentro do peito.
Por alguns instantes me peguei pensando que sim, já era hora. Já podia ser. De dizer tudo aquilo que eu havia sonhado um dia antes de te conhecer.
Mas não queria dizer assim, como se fosse banal. Não queria dizer como se fosse um clichê, mesmo conhecendo todos os nossos lugares comuns.

To be continued....

19 de mai de 2009

Monologuismos

- Eu adoro me fazer de burra.
Você sorri e finge não entender.
Resolvo mudar a estratégia.
- Paciência é uma das minhas virtudes.
Você me olha indagador.
- Claro que não é. Não lembra aquele dia com a moça que.
Não, não era esse o rumo da conversa.

Mantive-me sentada nesse dia claro, consumida por essa angústia corta-fogo-carne-respiração.
Acho que não queria ser salva.
Afogada em elucubrações nada dignas.
Não conseguia nem fazer poesia. Digo, poesia de verdade. É, versos livres. Não se pode nem mais tentar ser poeta atualmente. Porque queria ser paransiana e barroca. Sim, barroca sou um pouco.
Mas a imagem que não me foge nunca é de Pasárgada, que agora nesse exato momento parece-me mais perto que antes.

- Será que é alguma forma de depressão...Isso foi uma pergunta...
- Já falamos sobre isso anteriormente. Você está se repetindo.
- Estou só tentando te impressionar.

(Respiro fundo, buscando na superficialidade da garganta um ar poluído e abafado de cigarros amarelados)

Não está adiantando. Quero te persuadir de algo que não acredito tanto assim. Por um instante desejo ter valores morais incorruptíveis.
Queria acreditar na felicidade e que, ahhh sim, há pessoas que não, não....assim, não são como eu. Pessoas como você. Quer dizer, mais ou menos.
O problema real é se apaixonar por pessoas que você admira, muito mais fácil se apaixonar por bêbados, torpes. Muito mais fácil, com certeza. Autoridade incontestável.

Mas eu preciso sair desse círculo vicioso, é necessário fugir das grades, amarras, prisões, dragões e aquela vontade incontrolável de sair correndo nua por ruas sujas e sarjetas cheirando a.

Não quero continuar, porque não é essa a imagem. A imagem de tododia de hoje é mais parecida com não sei, Olga Benário....nada de Lorenas, Lião ou Anas Claras.

Hoje é dia de animus.

- Lembra quando te falei de animus pela primeira vez:
- Eu nem precisei me esforçar, eram dias de sol aqueles, dias de sábados, dias de recomeços, dias de grama e corridinhas e comidinhas e noites quentes e mentes.
- Mas eu não mentia, tento de defender do seu olhar-inexistente-inquisidor.
- Já disse que você tem olhos lindos:
- Lindos, lindos olhos obliquos-cravejados-multicoloridos-disformes.

(Suspiro)

Penso em você. E me vem essa imagem toda cheia de coisinhas que eu criei para montar um mundo perfeito. Assim, pra você e pra mim. Mas me lembro que não há nada de rei em mim.
Não há nada de engajado, politizado ou escapista.
- Faz tempo, você não diz que me acha linda. Nem inteligente, nem que eu sou a melhor pessoa que poderia cruzar seus caminhos tão doces e sublimes,
Muito silêncio e felicidade e te encher de beijos até te afogar de tanto prazer.

Perninhas para o ar, risadinhas cumplices, bobagens noturnas e súbitos acesso de tesão durante os almoços. E sim, encher seus dias de flores e pratos e orgulhos e conquistas e sinceridade, emoção, verdades.

Chega das mentiras de sempre. Das fugas. Das saudades. Dos fracassos. Dos fogos, da água, de respirações que não sejam aquelas que um dia aprendi e já desaprendi por falta de hábitos. E regras e convenções,

Como pode: Ser assim dramática. Fala sério, você nunca notaria. Mas eu achei adequado dividir todas essas coisas antes de. antes de. antes de saber se era. porque eu queria (quero), desejava (desejo) que fosse (que seja) e será.

Então consigo me aquecer. Ahhh como adoro Caio Fernando.
Gostou da intimidade:

Mas nesse momento não quero pensar em coisas neste sentido místico da coisa. Hoje sou terra, coisificada, material, real, dura como pedras ou rios sem movimento. Dona de todo o meu mundo. Esse mesmo que criei para poder desalinhar suas gravatas, quando você usar gravatas. Acho que vai combinar. Fetiche. pronto, falei. Acabei de inventar.E me parece bem sedutor.

Mas aí tem todas essas coisas que não fazem o menos sentido para mim, porque quero todas as janelas do meu mundo abertas só para te deixar entrar. Destruindo com a sua respiração as paredes imaginárias-doggy-vil que só você sabe como apagar com sua borracha e dedos finos e leves, como o ar que vai entrar quando tudo estiver no chão.

Minhas roupas no chão. Seus pés em minhas mãos. E serão zebras, não cavalos. E eles recitarão Kant, não falarão inglês. E eu serei rei. Princesa só se eu puder andar nua na Pasárgada em que irei me desconstruir para você.

Sua respiração ao pé do meu ouvido.

18 de mai de 2009

Da série: Queria ter escrito isso

Não quero mudar você
nem mostrar novos mundos
pois eu, meu amor, acho graça até mesmo em clichês

Adoro esse olhar blasé
que não só já viu quase tudo
mas acha tudo tão déjà vu mesmo antes de ver.

Só proponho
alimentar meu tédio.
Para tanto, exponho
a minha admiração.
Você em troca cede o
seu olhar sem sonhos
à minha contemplação:

Adoro, sei lá por que,
esse olhar
meio escudo
que em vez de meu álcool forte pede água Perrier

Antonio Cícero

Morfina

Se eu disser que eu tenho medo você acredita?
Se eu disse que sinto novamente aquele frio entre as veias e cercas arames-farpado por todo lado você fica me socorre?
Se eu disser que minhas mãos estão trêmulas e eu preciso vomitar tudo você segura meus cabelos?
Se eu disser que me perdi novamente em meio a torpes linhas imaginárias você me resgata?

Porque eu não consigo.

Acho que fiz tudo errado novamente, e o estrago, aquele doce e indissolúvel, me sufoca a garganta. E não consigo pensar em olhos oblíquos porque minha visão está turva.
E porque não sei lidar com a sua dor, porque nunca consegui superar as minhas próprias fraquezas.

E eu, que deveria estar ao seu lado preciso é da sua mão sobre meu peito o tempo todo. Porque busco em você algo que nunca consegui encontrar em mim e quanto mais te procuro, Eu não quero nada.

Preciso me salvar de mim mesma e procuro no silêncio amargo de tudo isso que me cerca respostas inventadas. Porque eu tenho muito medo. Só por hoje um grande pavor me dilacera a carne.

Hoje quem precisa da sua mão, seu hálito quente, sua voz abafada, todas as cores do seu olho, pele, unha, doce e todas as suas palavras gordas e frescas como algo novo, sou eu.

Me deixa chutar a merda da porta do seu mundo imaginário, arrancar essas amarras reais. Porque hoje eu quero sentir novamente o gosto da sarjeta, as vozes da multidão, o calor.

Vou tacar fogo em tudo. Casa, emprego, convenções, verdades. Minha vida será uma grande mentira. E ninguém mais poderá me acusar de não ser feliz.

Um pavor histérico me cerra os lábios. Não posso mais continuar.

.....

Abro os olhos e vejo você ao meu lado. Pernas estiradas. Te encho de beijos que você não nota, afundo a cabeça em seus braços, me agarro ao seu peito e consigo adormecer antes de me lembrar o que havia me feito acordar anyway.

14 de mai de 2009

Eu também indico, veja você

Aí ó,coloquei até ali nos meus favoritos.

http://www.opequi.com/.

Bom gosto, conteúdo interessante e um blogueiro antenado.
Imperdível. Vai lá!

7 de mai de 2009

Autoridade

Deixa eu ser sua.
Deixa eu sentir o amargo da tua rotina.
Deixa eu limpar sua pele com o meu suor.

Faça com que a saudade seja serena.
A espera um suplício.
Seus beijos na minha saliva.

Empresto a ponta do meu nariz.
Entrego minha mão.
Esfrego meus cabelos nas suas paredes.
Enrolo minhas pernas em seus lençóis.
Meu ventre e muitas flores para adoçar sua boca.

Abrir os caminhos para você passar
Sorrir para te sentir suspirar
Permanecer para você suportar
Todas as suas dores diárias

Ouvir seu tom grave, seu violão desafinado e sua dança descompassada.
Que só eu entendo, só eu vejo, só eu desejo.

Feche seus olhos.