Desculpe, eu sei, lhe devo tantas visitas. Não sei nem mesmo mais. Você me receberia? Mas escrevo, escrevo poemas por covardia, medo de encarar essa vida sozinha. Sem a literatura, o que me sobraria?
Talvez fosse eu nessa cama, ao invés de você, talvez fossem as minhas cortinas que estivessem fechadas e eu, como um cachorro, estivesse de olhos fechados, fingindo dormir, correndo atrás de meu próprio rabo.
Mas vejo só você, e nos seus olhos, é refletida a minha dor. A dor de todo esse mundo,mas que você anda achando que é só sua. Aí nesse quarto, lambendo suas feridas, remoendo seus erros, apontando os culpados, intelectualizando cada suspiro. Com medo de amar.
Porra, medo de amar.
Amigo, meu caro, você não sabe nada sobre a vida. Você sinceramente acredita poder controlar a vida? Os outros? Você que andas as tantas aí, espiritualizado, não seja mais um desses canalhas ingênuos, falando em Deus, buscando a paz na montanha, o ermitão platônico, a serenidade utópica do não-conflito, deitado nesse quarto escuro, em eterna disputa consigo mesmo.
Eu descobri o segredo da vida. Todos os seus segredos, sua alma nua, todas as máscaras que dividimos.
Claro, ando como sempre muito mística, mas quais são os seus medos, inseguranças, traumas?
Não responda, não importa, desde que você se lembre que eu também tenho medos, inseguranças e traumas, que me motivam a fazer mil coisas, atacar ou me defender. Assim como você.
Quem é o culpado? O que tem a maior dor? E quem será o juíz? O meu Deus ou o seu?
Você está se vitimiza agora, bate os pezinhos no chão, não pode ser: você precisa de alguém para culpar pela sua miséria emocional (isto é, se você for corajoso bastante para admiti-la).
Mas eu te digo, não há a quem culpar, nem a si mesmo. Pois todos nós fazemos o melhor que podemos com o que temos no momento. Esse é o seu mantra. A vida só é perfeita se vista pelo mistério, pelo encanto, desencanto, pela morte de cada dia. Além disso, ela não vale coisa alguma. Nem uma mísera moeda do teu dinheiro suado, nem um mísero ponto de vista seu: seja sobre política, futebol ou sobre o novo carro do seu
vizinho.
E o pior, quer saber, os coqueirinhos na Bahia continuam balançando com o vento malemolente do Atlântico, apesar do seu medo idiota de amar.
Quer se matar? Vá, levante-se como homem e num gesto enfim coerente tenha a coragem de sair da vida, covardemente fugindo para a morte. A vida não é pra qualquer um. Talvez ela não seja mesmo para você, aí deitado na sua cama, se perguntando sobre a suas limitações, que nunca fizeram nem farão diferença nenhuma.
Eu já estive nessa cama. Eu já achei que Deus morava no alto daquela montanha, que o inferno são os outros, que o fato do outro não me amar fosse a causa do meu sofrimento.
Mas entendi o segredo de tudo quando me descobri parte desse mistério. Um dia sol, outro chuva, dia e noite, yin e yang, vida e morte. Ciclos que fazem parte de um todo, uma pequena engrenagem da roda da máquina mágica que não conhecemos.
Talvez eu morra amanhã, talvez seja você. Enquanto isso, estrebucho meu céu e inferno nessas porcas linhas imaginárias, para poder ter força para seguir adiante.
Vem me dê a mão. Eu acendo seu cigarro, a gente faz amor. Coragem.
18 de abr. de 2014
11 de abr. de 2014
A menida de mil fitas
Apoiou os cotovelos na mesa, afundou o
rosto entre as mãos. Os cabelos, se estivessem soltos, cairiam entre os dedos e
sobre papéis em leque em frente ao computador.
Uma memória choque de tomada a fez
recompor-se num salto. Olhando pateticamente para a tela do note. Desligou-o como robô.
As ideias dançavam. Tinha olhos para alma, ela poderia gabar-se, isto é, se pudesse desperdiçar seu tempo com divagações, sobretudo à respeito de sua elegância. Claro, ela tinha amor próprio e.
Foi interrompida pelo rapaz de olhos de
formiga e testa amarela com algumas planilhas na mão. Planilhas de excel,
documentos Word, e-mails impressos e uma porção de números chatos, muito
chatos entre aquelas letras datilogradas. Ria em silêncio de si
mesma. Se a ouvissem falando em datilografia. E-mails são di-gi-ta-dos, pensava maquinalmente.
O rapaz repetia seu mantra fragmentado, que
ela já havia decorado:
"Urgente.-números não batem-funcionários-caixa-urgente.-gerente
de banco-hora da saida."
A estrutura era sempre a mesma, bastava
preencher com o dia da semana, mês, nome do gerente novo/funcionário
demitido. Era quase musical.
Ela vivia absorta em idéias vazias e alheias,
num fluxo lento e ilógico.
Saiu da sala a passos de bailarina. Entrou
no carro, girou a chave. Girou de novo. Tantos anos com um carro a álcool,
conhecia certas de suas vaidades. Olhou no espelho o rosto invisível, o batom borra de café.
Dirigia vidrada e com uma tristeza
inerente às mulheres, aquela que Vinícius de Moraes havia declamado. Mas nem sabia mais se não
se lembrava da música ou se era justamente uma canção que ela não gostava. Vinícius, seu
velho machista.
Apertou com força o freio. Sinal vermelho.
Lembrou bem a tempo de passar na padaria.
Estacionou e desceu do carro ofegante. Se
curvou em arco-íris para pegar a
bolsa de toneladas no assoalho.
pães, filtro para café, presunto, queijo prato.
Olhando as vitrines-fios-de-ovos quis uma tortinha de morango. Jogou moedinhas em cima do
balcão e pediu ajuda à moça da padaria para contá-las. Faltava 1,20. Pediu o desconto.
Comeu seu doce enquanto dirigia. Era
dessas que nunca esperarava chegar em casa.
E chegando chez elle não havia
ninguém.
Tudo seria o deserto, não fosse o cachorro mijando por todos os lados.
Tudo seria o deserto, não fosse o cachorro mijando por todos os lados.
Se bebesse ou fumasse, poderia sentar-se
no sofá. Assistiria a novela das 8 tomando uma cerveja, dormiria sem tomar banho
e acordaria no dia seguinte com a consciência inabalável.
Mas não tinha tempo para. Não tinha
motivação para.
Quando deparou com aquele vidro
azul, transparente e se lembrou do presente-surpresa que havia recebido pela
manhã.
E, sentou-se na beira da cama. Tirou o
salto alto, a bolsa no chão, soltou os cabelos em cachoeira e abriu com quase devoção
(diríamos) o frasco. Cheirou o perfume virando os olhinhos e pensou
definitivamente: Isso tudo aí ainda há de valer a pena.
E se nos estivéssemos la, poderíamos ver uma aquela de 17 anos
cheia de sonhos borbulhantes, que um dia ela havia esquecido entre papéis,
poeira e certas rotinas.
3 de abr. de 2014
A ilha das capivaras
- Viver é uma merda.
E foi essa a última coisa que vovô disse antes de atirar. Bang! Bang! Tiro
na boca, almoço de família.
A gente sempre foi meio dramático
na familia. Mas ninguém esperava que fosse o vovô que iria dar fim naquilo,
justo ele que era o mais calmo da nossa corja toda lá.
Ah, a nossa família.
Eu não desconfiava. Niguém desconfiava
eu acho. Desde que me conheço por gente meu avô tinha essa mania de olhar
janelas, TVs desligadas, ler livros em línguas
que não conhecia. Achávamos
ele sábio, culto, cultíssimo,
quase um velho ermitão naquela cadeira de balanço
de palha. Silencioso (ao contrário de
todos nós), de barba branca, os pés
das unhas encravadas, ele só andava
descalço e não gostava que lavassem muito
suas camisas.
Ele tinha esse ar meio barroco, meio de gente doida, essa
cara de maluco que só os inteligentes tem. E isso
confortava nosso dia a dia. Tudo vai bem, tudo vai bem, temos saúde, temos saúde, vovó
repetia limpando as mãos de sabão
em pó nas pernas.
Foi com um 38. E eu nunca tinha visto um. Ele era preto e,
parece, só tinha duas balas, não
podia ter erro. Sei que contando
assim parece que tinha sido premeditado, mas não
foi. Ia acontecer, dia ou outro
talvez, mas não tinha que ser bem naquele sábado,
disseram depois.
As mulheres tomavam pequenas doses de destilados com os
maridos. Minha avó trazia porquinhos assados,
arroz carreteiro, molhos variados, saladas de tomate e pepino, farofas, milho,
frangos assados. Fartura de carne. Todos tínhamos
à comemorar.
O novo emprego do Tio Paulo, a mudança de casa da Joana, o
Gutinho que tinha perdido os dois dentes da frente. Eu não
tinha nada pra comemorar, mas me lembro de me sentir tranquilo naquele lugar, a
casa do meu avô.
Eu tinha saído ver o
rio, fiquei olhando pela grade da varanda, aquela beleza de rio de barragem.
Cheio de água e vento, dourados,
piraparas. A casa ficava no alto, o rio lá
embaixo, para chegar tinha que descer uma escada que cheirava à carcaça de
peixe. Tinha uma árvore do lado direito e montes
de pedra do lado esquerdo, o vizinho mais próximo
nós nem conhecíamos
o nome e do lado esquerdo, fazíamos muro
com uma pedreira.
Quando o rio estava baixo, pegávamos
o barco pra ver a ilha de pedras que aparecia só
na seca, chamava ilha, ilha…a memória até
me falha…é difícil me lembrar desse lugar
como um todo: as janelas azuis da casa, o grande freezer, sem TV, sem sofá.
Só uma grande mesa e a varanda
de frente pro rio. A casa do meu avô.
Pensando hoje, ele nunca gostou muito de mim, quer dizer,
gostava menos do que dos outros netos. Eu tinha essa impressão,
mas não falávamos
muito sobre essas coisas. Tínhamos saúde, saúde é o que importa, dizia minha avó
da sua máquina de costura. Meu avô não
falava de nada, enquanto o resto da família
bebericava pequenas, pequeninas doses diárias
de destilados.
Eu era só o neto
mais novo, o que morava com os avós. Meu
pai, eu não conheci e minha santa mãezinha,
morreu no parto no dia do meu nascimento.
Tínhamos poucas fotos da moça
pequena com pernas fortes (dizia minha avó),
os olhos castanhos, ondulados. Uma beleza banal como quase todas da nossa família.
Eu só tinha essa foto da minha mãe
grávida. Sentada na cadeira de
palha do meu avô. Mas falávamos
pouco sobre isso. Sei, porém, que
ela teve o parto em casa, nessa casa do rio. No momento do meu nascimento, meu
avô estava lá. Foi ele quem cuidou das
burocracias do luto e para que suas cinzas fossem jogadas no rio.
Meu avô, o ermitão.
Pois foi nesse sábado, imagino
que cansado de mer ver cheio de vida olhando o rio, aquele rio tão
bonito que carregava a morte de minha mãe.
Foi nesse dia que ele quem sacou o revólver
e veio em minha direção: Viver é uma merda! Bang!
Bang! E meteu dois tiros que ele
tinha guardado no peito todos esses anos
bem no meio da minha boca.
27 de mar. de 2014
A solidão em três atos
La chanson que tu aimais
Ele saiu pela porta que entrou.
Eu permaneci na mesma pausa, tocando a
mesma nota, decifrando a mesma sílaba.
Os dias são espelhos.
Eu que te procurava por cima das flores do
mercado, atrás da cesta de pães.
Minha mão pálida, o sorriso estrelado,
imóvel,
desenhado.
Eu que fugia da tua imagem fragmentada.
todos os dias, das noites.
E nas noites, dos dias.
Da tua rua.
Da tua história.
Do nosso amor dizimado.
Te procurando nos mesmos velhos hábitos, a
calca de pijama surrada, as canecas de chá, as noites de domingo.
sopro.
eu nunca mais te vi.
meu bem,
não lembro
mais o que perdi.
La mer d’hiver
os sonhos que não divido
os que eu não ouso te contar
as palavras que me faltam,
[como naquele dia]
parei bem naquela fase que antecede a
paixão
antes daquela angústia que a gente encerra
no outro
Parei bem aqui.
E fiquei esperando você vir me socorrer.
Cheio daquelas vozes que definem tesão
as entregas todas, entende?
Pisei meu pé em cima do teu muro
Com o nariz bem no meio do teu peito
Como vertigem
Como um sonho que eu nem sabia como sonhar
Não quero mais macumba esotérica
pra me impedir de encontrar você um dia.
Se não for algum tipo de peça do universo
Quem tá
aqui, fazendo de conta de clown, nesse circo que virou cenário de vida?
Le jardin
então, amar só pela entrega
dizer o que não se espera
o outro à espreita:
da minha verdade
a minha saudade, a minha perdição
eu, que não carrego certezas
[ainda assim você me desejaria?]
se eu não fosse embora, se estivesse
disponível
se fizesse promessas indizíveis
diga, você ficaria aqui,
[ainda que eu te amasse?]
20 de mar. de 2014
O amor em três atos
Ato 1 As louças do armário
Hoje eu queria poder te ver
Hoje eu queria poder te ver
E escolher, por
uma noite, os caminhos que deveríamos seguir
Hoje eu queria
poder te contar uma piada e ficar deitada no seu colo
Inventando os
carinhos que você não me faria
Sentido os gostos
dos beijos que você não me daria
Eu poderia
aparecer na sua casa
e cumprimentar seu
porteiro e subir o elevador
treinando meu
sorriso no espelho.
E poderia entrar
na sua casa te abraçando
Contando meus
planos
Desvendando nossos
abismos
Só por esta noite
você poderia me amar
Eu poderia brincar
de ser sua
Você poderia me pedir pra ficar.
2 A moça que passa
Eu assisto a
cidade através das janelas engorduradas do ônibus.
Eu ouço minha
própria voz pelo fone de ouvido.
O asfalto
transpira meu suor.
Na fachada no
prédio da frente: Maria Cecília.
A moça apressada
equilibra-se no meio-fio.
Eu vi alguém se
jogando na linha do trem.
Eu vi o rapaz com
taco de beisebol na livraria.
Eu vi a cidade
vazia.
Havia uma minhoca
morta na calçada.
Uma Maria Fedida
na janela do 14º andar
A borboleta
amarela.
Eu vi minha cara refletida no espelho da loja. Eu vi sua saudade
escancarada nos meus olhos, se abrindo em flor.
3 No final daquele verão
Acalmo o coração
Passo fino, calo
as palavras
Caminho sozinha
pelo centro.
Seco os cabelos ao
vento. Esqueço os brincos em casa.
Acendo incensos ao
mesmo tempo.
Não como carne.
Não passo rímel.
Tenho preguiça às
terças-feiras.
Acordo às 7h no
fim de semana.
Ouço a mesma
música todos os dias.
Leio revistas
diferentes todas as tardes.
Mudei a energia da
casa.
Troquei a cama de
lugar. Os lençóis, as gavetas, os gestos.
Sigo pela cidade
como estrangeira, pelos metrôs e seus espaços. Pelas ruas e seus vazios.
Sigo cantando meu amor, a viagem já começou.
13 de mar. de 2014
Nem todas as montanhas são mágicas
Oi, mãe.
Hoje eu sonhei com você, não, acho que foi
ontem. Eu sonhei com muitos homens essa noite, sonhei que dirigia uma moto.
Minha terapeuta disse que isso é um bom sinal.
Será que ela vai me liberar? Eu queria poder
sair daqui. Eu queria poder voltar pra casa. Meu irmão tá bem? Tá forte? E
minha avó?
Hoje tinha essa senhora aqui, ela só tinha
que tirar sangue, mas ficou: Ai, meu Deus. Ai, meu Deus.
Tão batendo na porta.
Era minha comida. Tô com vontade de comer
doce de goiaba em calda. Vontade de suco de goiaba com laranja, lembra mãe?
Mas a velha continuou gritando e eu fiquei
pensando: cada um tem o que merece. Que Deus não deixe que eu vire uma velha
assim, chorona igual criança pequena.
Quando eu era nova, mãe, eu tinha medo de
escrever. Medo de tudo que eu escrevesse se realizasse. Então eu parei de
escrever. A terapeuta disse que foi aí que as coisas começaram. A gente tá
nesse momento de ficar revendo a infância, mas eu to cansada disso tudo. E, às
vezes, quando ela entra, eu finjo que durmo.
Igual eu fazia na casa da minha avó quando eu
era pequena. Será que ela se lembra?
Eu conheci um menino aqui. Ele parece comigo.
A gente até deu uns beijinhos. Ele veio aqui do meu lado e disse que nunca
gostou de mulher de cabelo comprido, porque a mãe dele raspa o cabelo. A mãe
dele sai em balada gay, ela fala russo. Foi só isso que ele me disse e me
beijou uns selinhos.
Eu sei, mãe, acho que você nunca me perdoou.
Eu queria pedir desculpas. Eu queria pedir desculpas daquela outra vez que você
chegou na minha casa e eu não deixei você entrar. Você não entrou, só meu pai
entrou. Não foi isso? Você ficou brava, eu sei, você disse que me matava. Não
foi você quem disse?
Sabe meu irmão, ele tá forte? A foto que eu
tinha dele, eu acho que perdi. Se eu ficar velha eu vou ficar chorona igual um
bebê?
Você me disse que eu era chorona, mãe. Quando eu peguei a faca, eu peguei a faca, mas eu não ia te matar, mãe. Eu não ia, era faca de manteiga, não
era? Eu falei pra terapeuta, mas ela ficou quieta. Eu odeio quando ela fica
quieta. Odeio a cara dela seca de ameixa. Ela é muito magra, mãe. Muito magra.
Eu odeio ela.
Eu queria te ligar, mas a moça me disse que
não tem telefone aqui. Eu procurei um dia à noite, eu vi as câmeras. Mas não
tinha telefone mesmo. Não tinha ninguém e eu tava sozinha. Isso foi antes do
meu amigo vir me dar selinho.
Depois disso, a moça disse que eu tinha
inventado, mãe. Que aqui não tem homem nenhum, só tem mulher. Mas ela é louca.
Eu gostava dela antes, mas agora sei que ela é louca.
Mãe, você pode vir me buscar? Eu disse pra
moça que ia te escrever e você vinha me buscar. Igual quando eu tava na escola.
Você demorava, mas vinha. Igual na escola, mãe. Eu vou chorar achando que você
não vem, mas você vem depois me buscar.
Mas a moça não responde mais, mãe. Ela tá com
sangue na cabeça, mãe. O sangue é roxo. O olho dela tá esbugalhado amarelo. Mas
eu não fiz nada, não fiz nada. A faquinha de pão tá suja de sangue, mas eu não
ia machucar ela, mãe. Vem me buscar, mãe. Daqui a pouco eles vão chegar, você
precisar vir me buscar. Meu amigo tá lá embaixo já, eu vou te esperar.
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