A menina me contava coisas da sua vida inteira
Com seu amigo mulato ela estava toda faceira
Ele nao tinha olhos, só dedos de amor inteiro
Ela gozava ao andar, ao pensar no seu traseiro.
hahahahahahaha
ai a poesia, é por isso que não sei faço isso.
digo, primeiro, não sei mais fazer rimas.
nem digo (2), não que soubesse, mas né?
Hoje eu estava na escola, acho que nunca mais vou sair de lá, vejam vocês.
eu sou a maria do bairro dublada em françês.
Me disseram: você dá bronca dando risada.
Mas porra amigo, é que isso tudo é tão babaca.
veja só você.
O que você aprendeu na escola?
Como você não pode me responder, eu afirmo: NADA.
gente, nada de nada. a escola é um saco.
a escola hoje não tá integrada à nada, a não ser à um sistema hieráquico e burocrático de pequenos poderes.
sabe, isso tudo aí de educação em sala de aula com professor em cima de palquinho, alunos soldados rasos sei não.
Quem vai fazer a escola bonita, com gente inteligente e esperta? Com alunos com coragem de propor coisas.
Quando a escola vai se abrir para ideias? Quando ela vai deixar de ser escola, que em grego deve significar tipo sei la o que.
Para virar uma coisa que faça sentido pra essa gente toda? Aluno, professor, pai, comunidade, eu e você?
Bom, talvez não pra você
Eu, que nem sei que você é.
PS: Hoje o menino me conta um segredo.
Gente, ele é doidinho de pedra. mas vamos falar baixo, ele não sabe ainda.
aí ele me contou um segredo e eu respondo (voz de marimar): gato, la communication est toujours raté.
reflitam.(nota mental a mim mesma)
o menino está parado até agora, mão no queixo, olhar no horizonte, refletindo sobre minha máxima filosófica.
eu rou as unhas.(vocês entendem, né?)
pacientemente espero.
o proximo vôo, o próximo show.
23 de jan. de 2014
20 de jan. de 2014
Ernest Pignon Ernest
Sabe o Banksy? Pois é, bonitao. Podia ter feito escolinha com ele. O EPE (para os intimos) é de Nice. Mas ja teve projetos lançados na França, Italia, Argélia, Africa do Sul.
Gente, é demais. Ele é um senhorzinho hoje e começou a fazer arte urbana nos anos 70. A ideia é de arte efêmera: colar posters feitos de papel jornal (deve ter outro nome isso) durante a noite. Nas imagens, trabalhos seus ou reproducoes de outros artistas, como o Caravaggio.
A obra de arte colada nas paredes dura o tanto quanto o tempo ou os moradores permitirem. A obra de arte sai do museu e vai para a rua, mais do que isso, ela pertence a rua.

Parece um quadro, né? Mais é uma parede com uma imagem de um quadro colado.

Tem um trabalho também de colagens em cabines telefônicas. Acho que foi em Lyon e Paris isso.
http://www.pignon-ernest.com/
Marc Chagall
Na primeira vez que fui ao seu museu, fiquei decepcionada. Havia uma grande sala com imagens biblicas, famosas ilustracoes que ele fez a partir da Biblia.
Nao me tocou. Digo, muitos profetas. infernos, grandes quadros representandos grandes historias. Eu me perdia no rolo de informaçoes e me desinteressei.
Mas fui de novo esses dias e confesso, tive que dar a cara a tapa a mim mesma. Foi muito legal. Haviam quadros dele de sua infancia, seu atelier, declaracoes a sua segunda mulher. Gostei muito das ideias circenses, dos motivos infantis, o traco meio surrealista.
Fora os vitrais no auditorio. Tudo bem, eu gosto de vitrais, ja tinha ficado fascinada com Alphonse Mucha em Praga. Mas esses do Chagall dao um aspecto ludico, quase religioso. Encontrei o divino em sua obra mais nos vitrais do que na serie de imagens biblicas.
Realmente lindo. Infelizmente nao tenho fotos dos vitrais e, sinceramente, fotos nao fazem jus a beleza do negocio. Mas bom, pra quem tiver curioso, olha aqui.
L'atelier (1910)

La danse (1950)

Le songe de Jacob (1960-66)

L'Autoportrait en vert (1914)
Imagens: http://www.musees-nationaux-alpesmaritimes.fr/chagall/
O inferno é aqui
A gatinha apareceu primeiro, foi num sonho.
Depois que todo mundo ja tinha morrido.
E eu nao sabia, naquela época, como tinha ido parar ali. Me lembrava de
ter subido as escadas, bebido a agua no chao como um cachorro, comido o pedaço
de pao como um bicho, sem odio sem nada.
Nua, nua em pêlos. Com a buceta descoberta, os peitos roçando o asfalto.
Quase mais viva em morte que na vida.
Me lembrava de voce. Docês, daquele sitio que minha avo tinha naquela
estradinha de terra. Da casa mal assombrada, do pe de roma e da jabuticabeira
com uma galinha sentada em cima do galho me olhando de um olho so, como se
fosse um gato.
Tinha um pe de tamarindo perto da cerca no final do quintal, onde a gente
quase nunca ia, porque era longe e depois tinham.e vacas, vacas sao mais
perigosas que galinhas.
E eu tinha muito medo : de cobra, de galinha, de galo, tinha ganso,
de quero-quero, do tio bia. Quer dizer.
Eu sonhei com esse lugar naquela noite. Mas nao me senti feliz. Crianças
nao sao felizes. E eu me dava conta
disso justamente quando descobri que estava gravida.
Eu queria ter uma gravidez calma, com parto natural em casa, fazendo yoga
de cabeça pra baixo.
Mas quem eu queria enganar : eu nao era essa pessoa. Eu nao sabia o
que se passava, mas me agarrava ao mais novo fruto do meu ventre como tabua
rasa de salvaçao. Meu filho semente era minha mae e meu pai, ele tinha mais
autoridade sobre mim que eu sobre ele.
Mas eu nao disse nada. E eu fingia chorar, quando à noite chovia. Eu nao
botava medo em ninguem. Mas também nao chorava.
Foi nessa época la que comecei a sentir raiva. E quando vieram falar
comigo, joguei um estojo na cabeça deles igual quando a jeiuza tinha feito
jogando a jarra na cabeça da minha irma.
Nao acertou, como nao tinha acertado com a Jeiuza. Mas la, eu nao podia
mais ligar para a minha mae.
Sai correndo. De novo, aquelas escadas que eu veria mais pra frente.
O portao embaixo estava trancado e eu nao conseguia pular o muro.
O filho, que eu nunca teria, abanava com suas maozinhas do
outro lado rua
Eu na frente do portao que nunca atravessaria em vida.
2 de jan. de 2014
quem tem um olho é rei
graças a Deus, a comunicaçao é um caso perdido.
nao suportaria poder dizer claramente tudo que pareço desejar.
ainda se alguem se importasse: tanta gente dizendo tanta coisa sobre tantos assuntos que nao me interessam.
tanta gente tem tanta razao de ser.
prefiro nao dizer.
e ainda fingir que isso foi uma escolha, calo como forma de protesto. parece justo e poético.
como se o meu silencio me autorizasse e ainda me legitimasse.
veja, nao preciso de vocês.
tantan gente escrevendo bem e tanto e mal e pouco e sao tantos sorrisos e regras no mundo e nem adianta fugir.
é da natureza da vida ser uma prisao cheia de certezas.
ai que preguiça desse sol que amanha vai bater na minha janela.
ai que preguiça dessas vozes monotonas por toda parte.
e se você tiver algo pra dizer. bocejo.
nao suportaria poder dizer claramente tudo que pareço desejar.
ainda se alguem se importasse: tanta gente dizendo tanta coisa sobre tantos assuntos que nao me interessam.
tanta gente tem tanta razao de ser.
prefiro nao dizer.
e ainda fingir que isso foi uma escolha, calo como forma de protesto. parece justo e poético.
como se o meu silencio me autorizasse e ainda me legitimasse.
veja, nao preciso de vocês.
tantan gente escrevendo bem e tanto e mal e pouco e sao tantos sorrisos e regras no mundo e nem adianta fugir.
é da natureza da vida ser uma prisao cheia de certezas.
ai que preguiça desse sol que amanha vai bater na minha janela.
ai que preguiça dessas vozes monotonas por toda parte.
e se você tiver algo pra dizer. bocejo.
16 de jul. de 2013
labirinto
O dia em que os dois gatinhos chegaram foi o
pior dia da minha vida. Aquelas bolinhas de pêlo macias e medrosas.
A petite
era magrinha, cheirosa e assustada como um esquilo no telhado. Tinha olhos
agudos, miado sofrido, um corpinho tenso de surras. Podíamos dizer que ela
havia apanhado. Mas não dissemos. Estávamos só preocupados em conquistá-la e em
fazê-la acreditar que este era seu novo lar.
O petit
tinha a barriguinha gorda, olhinhos gulosos, cheirava as pessoas e coisas e os
sapatos. Tinha bigodes curtos e um focinho assez pequeno. Naquela época eu nao
sabia muito bem nomear as coisas e, um pouco por negligência, seu nome ficou
Chico.
Como o avô. Meu avô.
Como o avô. Meu avô.
Nao se tratava muito de uma homenagem. De
fato, nem cheguei a conhecer esse avô. Tudo que sei é que ele era velho, bravo,
um tanto rabugente e um tanto quanto mais ainda mulato. Diziam era ele neto de
india. Tao brasileiro quanto o Macunaima.
Eu gostava so do som da palavra :
chi-co. Como o picolé que minha mãe gosta : chicabon. (Confesso que até cogitei chamar o gatinho Chicabon, mas me parecia um pouco longo demais. Inevitavelmente,
viraria apelido : Chica. E esse me soava moderno demais.)
E eu sou uma pessoa bem convencional.
Nasci e cresci na mesma cidade. Me casei e
hoje cuido dos meus dois gatinhos. Faço a mamãe. Dona-de-casa, econômica e
limpa. Um marido ótimo. Trabalha para o governo, joga bola às segundas-feiras. Não
tem religião, mas também nao tem vícios. Veste-se decentemente e sou eu quem
compra suas cuecas.
Não frequentamos bares, restaurantes ou shows
de música. Somos pessoas caseiras. De bem com os outros. De bem com. oras.
***
Os gatinhos estavam lá. Fugindo de mim.
Escondidos debaixo do sofá.
Meu marido ao meu lado, tinha os olhos mais
assustados que eles.
E eu, eu tremia de emoção ao ver minha
família margarina finalmente completa. Eu, meu marido, nossos gatos. O feijão
cozinhando devagar no fogo.
Voltei para cozinha buscando um copo d’agua.
Um refresco de limão de saquinho. Um copo com gelo. Meu corpo tremia. Eu tinha um orgasmo. Ou um ataque cardiaco.
Passando o gelo pela testa, molhei a nuca na
pia e como um cena vomitada de um filme eu estava de novo na antiga casa da
minha avó.
***
***
Meu avô viajava. Era caminhoneiro. Minha avó também
não estava lá. Seu corpo estava, mas ela não. Ela nunca estava no lugar onde
deveria estar. Desde aquela época ela estava sempre naquela lugar onde ninguém
poderia ajudá-la, onde ninguém poderia salvá-la. Limpava a casa como um robo, comia como as crianças, desdenhando
das gostosuras do prato, tomava banho como os gatinhos. Quase sem água. Ela
nunca suava.
Naquela tarde de poeira, ela corria contra
ela mesma. Competitiva, devia sempre se superar a si mesma em quesitos como
agilidade para limpar panelas, eficiência para enxugar pratos e muque para
lustrar panelas.
Nesse instante, ela varria do quintal as
folhas da mangueira. Os pequenos insetos e frutas caídas. Ao terminar o trabalho, entrou no quartinho
dos fundos para guardar a vassoura no armário de vassouras (sempre de ponta cabeça, ao
lado dos baldes e produtos de limpeza, e de maneira oposta à tábua de passar, e do
ferro, e da pilha de roupas que.
A pilha de roupas. Que, de repente, inundada de
sangue, pus e água. Os lençois brancos ,quase azuis. Seus lençois imaculados estavam embebidos em uma gosma nojenta que dava vida a uma pequena ninhada de
filhotinhos de gatos. 5 ou 6 bolinhas sem pêlo de olhinhos fechados. Esperando o
retorno da gata, que acabava de dar criar exatamente no quartinho dos fundos da
minha avó. Precisamente em cima de sua pilha de roupas brancas à passar. Suas
roupas brancas.
Com asco e um ódio crescente. Chorando palavras de desprezo,
engolindo lágrimas à seco. Um por um, ela jogou os gatinhos recém-nascidos no
bueiro.
A gata, como uma barata depois de receber uma
esguichada de veneno, ficou vagando pelo quintal. Miando. Pela rua, pelos
vizinhos. Semanas. Os gatinhos choraram durante três dias antes de morrerem. A gata
nunca mais apareceu por lá.
No dia seguinte minha avó lavou novamente
todos os lencois. Minha mãe diz que eles nunca estiveram tão limpos. Meu avô ainda
viajava.
***
Agachada no chão da cozinha, eu me enchia de
náuseas e meus olhos tombavam para trás como se fosse eu quem tivesse tomado uma
porrada de veneno na cara.
Como se tivesse cheirado lança perfume e uma
bateria de escola de samba passasse pelo meu fogão. Era a panela de pressao
prestes a explodir, depois de mais de uma hora no fogo. O barulho de apitos e
fumaça me guiou ate o botão para desligá-la.
Me levantei. Prendi os cabelos. Lavei o
rosto. Acendi de novo o fogo pra fritar o alho. Minha avó. A filha mais nova de
18 irmãos. O alho dava pulinhos na gordura quente. O azul do gás subia quase
gentilmente pelas laterais da panela.
***
O fogo. Mais ou menos como minha tia-avó morreu.
Maria helena, com apenas 18 anos. Num dia à
tarde, num desses de céus de poeira. Encheu uma bacia com álcool, entrou dentro
e ateou fogo a si mesma, no mesmo quintal varrido da minha avó. Maria Helena, no desespero ao ver o corpo pegando fogo, correu
até a rua gritando pelo nome da minha avózinha. Que atônita, nada pode fazer: nem sequer derramar uma lágrima.
Isso se passou alguns anos antes dos gatinhos, ou depois, nunca saberei.
Isso se passou alguns anos antes dos gatinhos, ou depois, nunca saberei.
***
Desliguei o fogão. Essa noite não teve comida. Os gatinhos se esconderam durante três dias até começarem a se habituar à nossa presença.
Desliguei o fogão. Essa noite não teve comida. Os gatinhos se esconderam durante três dias até começarem a se habituar à nossa presença.
Nunca mais pensei sobre essa historia. Mas de
tempos em tempos, acendia velas para a mãe que um dia eu seria, e para a mulher
que eu gostaria de ser.
15 de jul. de 2013
mintirismos
se eu ainda fosse artista
não seria poeta
se fosse poeta, não seria um mal poeta
se fosse bom: seria homem
pourtant, se não fosse mulher seria estrela
pra morar à anos luz dessa cidade
dessa nossa falta de caridade e vontade e verdade
pourtant, nao veria nossos filhinhos
tão velhinhos, doentinhos
brincando de gatinhos
não daria tantos jeitinho
não cantaria devagarinho
no pé do seu ouvido
ouvindo o ronronar do seu peito
cansada de tanto.
eu só queria ser poeta.
não seria poeta
se fosse poeta, não seria um mal poeta
se fosse bom: seria homem
pourtant, se não fosse mulher seria estrela
pra morar à anos luz dessa cidade
dessa nossa falta de caridade e vontade e verdade
pourtant, nao veria nossos filhinhos
tão velhinhos, doentinhos
brincando de gatinhos
não daria tantos jeitinho
não cantaria devagarinho
no pé do seu ouvido
ouvindo o ronronar do seu peito
cansada de tanto.
eu só queria ser poeta.
8 de jul. de 2013
quebra cabeça
mais uma pecinha do quadrado
ser revolucionario é pensar numa bola e nascer um bicho pelado.
ser revolucionario é pensar numa bola e nascer um bicho pelado.
froliqui
Subo sofas, escalo cortinas
como raçao tomo aspirinas
ligo o radio e so ouço chiados
vozes do além?
pensei que subiria de vez na vida
todos os degraus no fim daquela avenida
você me empurrou do penhasco
e eu me salvei segurando na cauda do seu gato
nos dois nus à espera de uma epifania
quem de nos tera a coragem de salvar nossas vidas?
como raçao tomo aspirinas
ligo o radio e so ouço chiados
vozes do além?
pensei que subiria de vez na vida
todos os degraus no fim daquela avenida
você me empurrou do penhasco
e eu me salvei segurando na cauda do seu gato
nos dois nus à espera de uma epifania
quem de nos tera a coragem de salvar nossas vidas?
23 de mai. de 2013
aleijadinha
o sol brilha la fora, como uma maquina eletrica
eu me deito. sinto as costas que ardem, de repente, eu so sinto muito sono
tinha medo de escrever e que tudo que escrevesse se tornasse realidade
e eu tinha medo do moço porque ele era sincero demais e eles tinha as unhas limpas
e eu nao confio em homens com unhas bem feitas.
eu nao conseguia mais respirar, mas eu nao tinha mais medo de escrever sobre isso
eu nao sabia mais pensar.
e nem gostava mais do tarantino e achava que pra escrever poesia eu precisava de rimas
mas eu posso escrever como quiser, porque nem sou escritora e nem tenho contrato e nem tenho um editor que me diz que poesia nao vende, com excecao da angelica la e dos seus gatos
entao eu saio de casa com as unhas mal feitas porque nao sei colar as unhas falsas direito, e elas ficam gordas e todo mundo repara.
o cobrador do onibus, a moça do caixa do supermercado. ate o cachorro na coleira, antes de ter o pescoço engolido por uma gaivota do mal que passava.
eu jogo agua fria na dona do cachorro com a coleira na mao, ela estava mais roxa que seu chiuauwa com o pescoço pendurado na coleira.
a gaivota do mal, talvez fosse um gaviao, sobe ate a janela do segundo andar do predio mais proximo.
a moca que mora no segundo andar, de iPhone na mao. nao. nao era isso. ela tinha trocado, ela nao tem mais um iPhone, ela tem um sony. ela mudou tambem o corte de cabelo e o oculos de sol, ja que nao podia mudar o marido. ela tem um ray ban agora. e ela nao gosta de sapatos apertados, mas ela usa porque isso faz ela classy.
a moça do segundo andar, essa mesma, posta no seu sony a photo do urubu com a cabeça do cachorro pendurado no bico. disse que ele ia pro sul, em direcao ao lixao da cidade, onde meninos de rua catavam lixo da rua e separavam para proxima exposicao de arte do vik muniz.
eu bem vi, depois de alguns anos, no sesc, uma escultura de autor desconhecido: menina de unhas gordas com cachorro decapitado. dizem que nao estava assinado e a toda a cena dava um ar meio barroco.
eu me deito. sinto as costas que ardem, de repente, eu so sinto muito sono
tinha medo de escrever e que tudo que escrevesse se tornasse realidade
e eu tinha medo do moço porque ele era sincero demais e eles tinha as unhas limpas
e eu nao confio em homens com unhas bem feitas.
eu nao conseguia mais respirar, mas eu nao tinha mais medo de escrever sobre isso
eu nao sabia mais pensar.
e nem gostava mais do tarantino e achava que pra escrever poesia eu precisava de rimas
mas eu posso escrever como quiser, porque nem sou escritora e nem tenho contrato e nem tenho um editor que me diz que poesia nao vende, com excecao da angelica la e dos seus gatos
entao eu saio de casa com as unhas mal feitas porque nao sei colar as unhas falsas direito, e elas ficam gordas e todo mundo repara.
o cobrador do onibus, a moça do caixa do supermercado. ate o cachorro na coleira, antes de ter o pescoço engolido por uma gaivota do mal que passava.
eu jogo agua fria na dona do cachorro com a coleira na mao, ela estava mais roxa que seu chiuauwa com o pescoço pendurado na coleira.
a gaivota do mal, talvez fosse um gaviao, sobe ate a janela do segundo andar do predio mais proximo.
a moca que mora no segundo andar, de iPhone na mao. nao. nao era isso. ela tinha trocado, ela nao tem mais um iPhone, ela tem um sony. ela mudou tambem o corte de cabelo e o oculos de sol, ja que nao podia mudar o marido. ela tem um ray ban agora. e ela nao gosta de sapatos apertados, mas ela usa porque isso faz ela classy.
a moça do segundo andar, essa mesma, posta no seu sony a photo do urubu com a cabeça do cachorro pendurado no bico. disse que ele ia pro sul, em direcao ao lixao da cidade, onde meninos de rua catavam lixo da rua e separavam para proxima exposicao de arte do vik muniz.
eu bem vi, depois de alguns anos, no sesc, uma escultura de autor desconhecido: menina de unhas gordas com cachorro decapitado. dizem que nao estava assinado e a toda a cena dava um ar meio barroco.
7 de mai. de 2013
Faltam 10 minutos para o fim da vida
Para mim mesma eu posso dizer: mas escrevo, e escrever nao é dizer, é marcar para os outros é ficar para a posteridade das minhas memorias inconnues.
Entao o texto é meu, dizendo para mim mesma: o que so eu sei. A dor que so eu conheço, e a faca no peito nao fura o papel.
So a minha dor que ninguém mais sentira, ninguém mais sabera. pois o toque da mao sobre a folha é maquina de impressao de faz de conta. O meu mundo inenomado.
indecifravel.
Faltam dez minutos para o fim da vida.
Uma francesa vestida de vermelho. Ela tem um filho, um patinete e quatro vasos de flores. Ela briga com alguém no telefone. Ela ja gritou com o filho. eu nao sei se ela esta nervosa ou se é so o jeito normal dela.
Acho que a raiva dela é a minha.
ps: eu também achei ela um pouco feia.
faltam sete minutos.
o trem vem e passa por cima da menina.
a dor aparece e senta em cima da ferida.
a ferida é sangue sangrando, o sangue é vermelho amor.
o amor nao existe, minha dor é um buraco com vida.
faltam quatro minutos.
as meninas-fancy-bitchs-americanas usam perfumes baratos e se sentem muito finas por estarem na França.
Mas a França nao é fina.
A França é uma invençao do inconsciente coletivo.
Eles nem bebem vinho!
Eles sao piores do que eu.
faltam dois minutos.
o trem adiantado, ele ja vem lotado.
Entao o texto é meu, dizendo para mim mesma: o que so eu sei. A dor que so eu conheço, e a faca no peito nao fura o papel.
So a minha dor que ninguém mais sentira, ninguém mais sabera. pois o toque da mao sobre a folha é maquina de impressao de faz de conta. O meu mundo inenomado.
indecifravel.
Faltam dez minutos para o fim da vida.
Uma francesa vestida de vermelho. Ela tem um filho, um patinete e quatro vasos de flores. Ela briga com alguém no telefone. Ela ja gritou com o filho. eu nao sei se ela esta nervosa ou se é so o jeito normal dela.
Acho que a raiva dela é a minha.
ps: eu também achei ela um pouco feia.
faltam sete minutos.
o trem vem e passa por cima da menina.
a dor aparece e senta em cima da ferida.
a ferida é sangue sangrando, o sangue é vermelho amor.
o amor nao existe, minha dor é um buraco com vida.
faltam quatro minutos.
as meninas-fancy-bitchs-americanas usam perfumes baratos e se sentem muito finas por estarem na França.
Mas a França nao é fina.
A França é uma invençao do inconsciente coletivo.
Eles nem bebem vinho!
Eles sao piores do que eu.
faltam dois minutos.
o trem adiantado, ele ja vem lotado.
21 de abr. de 2013
sobre a nao-desistencia
Tem coisas que a gente demora um pouco pra
entender
Como ir em
restaurante nem sempre é um programa legal
Como
visitar Paris com um caderninho na mao procurando um cafe é cafona
Como
comprar chapeu panama em lojinha de souvenir é babaca
Como um
estado paternalista nem sempre significa um pais de primeiro mundo
Como é
chato discutir na internet
Como é
chato querer ter sempre razao, sobretudo quando cada um tem sua propria razao
e na
vida, as vezes so temos que ser ativos
quer
dizer, na minha vida, eu so tenho é que ser ativa
me
defendo dizendo que sou contemplativa
mas na
verdade acho acontece mesmo é uma lentidao e preguiça de pensar
e um
rebuscamento da linguagem
e a revelacao:
so
escrevo coisas mela-cuecas
pois é,
caiu. eu tenho controle da linguagem, na maioria das vezes, ao menos
precisava
mesmo era limpar o texto
trabalhar
ativamente cada poeminha
mas tenho
essa coisa, de achar que um talento vem assim
pronto
um dia
alguem vai reconhecer
mas tem
tanta gente dizendo tanta coisa por ai
tanta tanta
que eu to
é cansada de tanta democracia a favor da burrice
que to
cansada de tambem de ter algo a dizer sobre isso
e, veja,
demorei pra entender
apesar de
ja ter parado de escrever
Tudo o que eu faço
alguém em
mim que eu desprezo
sempre acha o máximo.
Mal rabisco,
não dá mais
para mudar nada.
Já é um clássico.
[do livro Distraídos Venceremos]
12 de mar. de 2013
âncora
Na cidade tem um porto
Cujos benefícios desconheço
Culpa do espírito torto
é pelo chão o meu apreço
Talvez seja à cause do pai
que por reticência e outras manias
ao visitar a praia, com essa sempre saia:
menina gosta do mar. mas respeita sua grandeza.
senão acaba sozinha:
a boca cheia de areia
Vejo as águas indo e vindo
a espuma na clareira
Beijo branco-borbulhante
nas ondas azuis-sereia
passarinhos todos voando
com a boca e alma seca
no porto permaneço olhando
quais são as margens que me incendeiam.
Cujos benefícios desconheço
Culpa do espírito torto
é pelo chão o meu apreço
Talvez seja à cause do pai
que por reticência e outras manias
ao visitar a praia, com essa sempre saia:
menina gosta do mar. mas respeita sua grandeza.
senão acaba sozinha:
a boca cheia de areia
Vejo as águas indo e vindo
a espuma na clareira
Beijo branco-borbulhante
nas ondas azuis-sereia
passarinhos todos voando
com a boca e alma seca
no porto permaneço olhando
quais são as margens que me incendeiam.
16 de fev. de 2013
poeminha de amor inteiro
e da noite é saint valentin
meu santo de cabeceira
na fé que eu nem conhecia
a vida é profecia da alegria
e ainda santo antonio
que me importa ser santo casamenteiro
prefiro saint valentin
que conhece já meus desejos
quanto amor e confiança
tesão, respeito ai lambança
mas vai vendo meu santinho quase nada de abonança
e quem disse que de riqueza
é que bate o meu peito estreito
mas vale um amor inteiro
que mundos de ouro e dinheiro
meu amor cabe nos seus olhos
no seu peito e tem seu cheiro
sua risada escancarada no meio dos meus cabelos
obrigada saint valentin
pela graça de um ano inteiro
que os dias 14 de todos os anos
sejam ao lado do meu companheiro
1 de jan. de 2013
sex pistol
Se eu pudesse escolher, queria você, todinho assim
Lindinho pra mim.
Na curva da estrada meu braço no seu abraço
eu já cai totalmente no seu papo
Você me amando por todas as estradas menos a de Santos
Fazendo amor e me fazendo feliz
Descobrindo seus encantos
Brincando de ser sua e ter seu pinto só pra mim
Você me chupa e eu suada seguro o quadril
Só pra você me mostrar o quanto é viril
Sua mão na minha bunda
sua língua molhando minha nuca
nunca diga nunca
A gente se olha pelo retrovisor
Embaçado do nosso desembaraço
Você diria: Que barato
Um último beijo, te deixo a pé e roubo seu carro
31 de dez. de 2012
Meilleurs voeux
Resolvi começar a escrever no final do ano
Recomeçar aquilo tudo que deixei de fazer antes dos fatos
O nó da sua gravata gravado no que, 5 minutos depois, já é passado
Ai o ritmo inexorável dos chichês dos meus sonhos
Eu correndo nua nas páginas de um livro publicado
O que seria de nós, adão, se cada um não carregasse seus próprios pomos?
Digo, maçãs na oferenda pra Iemanjá, uva em cacho
Vestido brocado, batom vermelho e salto alto
365 me tornaram tanto dislexa, apaixonada e distraída
Ao menos, aí vem você segurando minha mão e apontando a saída.
30 de out. de 2012
Le Scaphandre et le Papillon
O filme quase todo mundo conhece, o escafandro e a borboleta. O cara em coma e tals.
Comecei a assistir alguns anos atrás e desisti no começo. Muito pesado pra uma sexta-feira à noite.
O cara, ex redator da Elle francesa, sofre um AVC, fica em coma durante 3 semanas e quando acorda, absolutamente lúcido, não consegue mexer nem um músculo do corpo, esboçar nenhuma reação, comer, ir ao banheiro. O caso é chamado de “locked in syndrome”.
Aterrorizante. Pelo menos pra mim.
(Deus me dê forças para não falar em nome dos outros. Ou assumir meus medos como coletivos para minimizar minhas dificuldades.)
Bem, assisti novamente o filme na semana passada e fiquei mais chocada ainda ao saber que foi baseado no livro escrito pelo protagonista, Jean-Dominique Bauby.
Bem, durante esse período pós-coma, ele se comunicava com os outros somente piscando o olho esquerdo: uma piscadinha para sim, duas para não. Então uma das médicas que se ocupava dele apresenta um alfabeto diferente, por ordem de uso das letras.
Assim, ao invés de a, b, c, d, e, f....seria e, s, a, r, i, n, t, u, l... (O e seria a letra mais utilizada para se comunicar na língua francesa, pois ela aparece em mais palavras.)
A partir disso, os dois começam um trabalho de formiguinha que resulta no livro: a médica dita cada uma das letras e quando a letra que ele busca aparece ele pisca o olho.
E assim ele escreveu um livro de mais de 100 páginas.
!
O livro foi sucesso mundial com mais de 20 milhões de cópias vendidas e acabou virando um filme.
Jean-Dominique morreu algum tempo depois da publicação.
***
Os atores e a equipe técnica do filme é francesa, mas o diretor é americano. E o que é interessante (além do trabalho bem curioso que ele faz com a câmera desfocada durante o filme) é que ele é conhecido também como pintor neo-expressionista. E sabe? C’est pas mal.
Olha que moderninho:
Essa é uma das minhas favoritas:
Morte e vida severina, não?
http://www.julianschnabel.com/
Nobuyoshi Araki
Troquei a foto do header. Todo mundo percebeu?
Chocante eu acho. To apaixonada pela imagem.
Acabo de descobrir o Nobuyoshi Araki. Ele é japonês, 72 anos e considera suas fotos seu diário íntimo, toda sua vida registrada em imagens.
Vida e morte são seus temas preferidos. Mantendo a liaison entre os dois, sexo. Acho que são os temas preferidos de todo mundo, certo? De maneiras mais ou menos sutis.
Meninas podem achar grosseiro, agressivo e machista. Eu também deveria achar, mas o bom de não ter padrões morais muito rígidos é achar não ofensivo esse tipo de imagem.
Nem é a que eu mais gosto, coloquei só pra chocar mesmo. Prefiro as flores.
Porém, gosto dessa.
Me lembra a descrição de um curso na Casa do Saber que falava sobre a relação humana com o capitalismo.
"A lógica do discurso capitalista é fálica e masculina (falocentrismo). O agente capitalista se endereça ao consumidor por meio da oferta de objetos que prometem a felicidade e a plenitude. Ao mesmo tempo, o objeto capitalista é, por definição, provisório e traz em si a insatisfação: é, portanto, um discurso dialético. A função da propaganda e do marketing seria fazer com que os produtos fossem aceitos socialmente enquanto objeto fálico, ou seja, enquanto objeto que vem para preencher uma falta original. No capitalismo, a lógica do Ter é a lógica do Ser. Refletindo sobre o capitalismo, Freud cogitou a possibilidade de ele ser não meramente um sistema inventado pelo homem, mas, mais do que isso, um reflexo do próprio modo de operar da psique humana." (Welson Barbato, em relatório do curso "O Gozo Feminino", aula de 8/11/2011)
Sei bem que capitalismo e fotografia japonesa são dois temas que não conversam muito, né? Mas pensando em Freud e sexo até dá pra segurar o gancho.
Ou não.
Pra fechar, citação do próprio Araki, em francês porque peguei no Le Monde:
"La photographie est l'obscénité par excellence, un acte d'amour furtif, une histoire, un roman à la première personne."
1 de out. de 2012
Só na resenha
Era pra ser uma resenha de livro, mas eu estou com preguiça. Ou não sei fazer direito a coisa toda.
Digo, podia começar assim: “Terminei essa semana de ler o engraçadíssimo livro...” ou “Aurélie Boullet, ou melhor Zoé Shepard é a francesa por trás do....” ainda, “Com milhares de cópias vendidas...” (isso eu inventei, nem tenho os dados de venda do livro).
E isso é também uma das coisas que me impedem de ser jornalista, tudo tem que ser comprovado com números, especialistas, baseado em pesquisas - de preferência inéditas.
Não quero ser jornalista nada, quero escrever bobagem em uma coluna, novela, roteiro de filme b ou ser poeta surrealista - caminho que seguem todos aqueles que não sabem escrever com métrica e rima.
Bom, digressões passadas não movem moinhos e eu volto à minha incrível dica de livro de hoje, que é só pra você, querido leitor, que lê francês. Na verdade, não precisa leeeeer, leeeer, pode ser estudante intermediário e tals, porque o livro é fácil. Tem um monte de gíria, mas é fácil. Talvez tenha a versão em inglês, mas tem que procurar, né? Pode ir lá no Google que eu te espero.
Ai que grande resenhadora de livros eu sou, melhor dar o nome do livro antes, pelo menos.
O título é "Absolument de-bor-dée", que significa algo como o nosso, "super f*-di-da de trabalho".*
Aí a coisa é assim: uma francesa, com um supercurrículo (oito anos de estudo em uma das melhores universidades de Paris), começa a trabalhar como funcionária pública e acaba tendo seu potencial subaproveitado (se você não sabe, a França é um dos países com o maior número de funcionários públicos no mundo*).
Bem, acontece que o serviço público na França, se parece com a imagem que temos do serviço público no Brasil: ineficiente, burocrático, reuniões sem foco, funcionários desmotivados e, às vezes, incompetentes.
E a autora denuncia tudo isso de uma maneira irônica, engraçada e, em última instância, constrangedora - apesar de nunca ter sido funcionária pública, pude observar várias das situações que ela descreve nas empresas onde já trabalhei.
Sem falso moralismo, já vi (e já fui) muitas vezes, a funcionária desmotivada que faz perguntas idiotas ou finge trabalhar. Ou aquela excessivamente preparada para o cargo. Acontece.
No começo do livro, ela afirma que para conseguir um bom emprego, antes de tudo, é preciso saber blefar. Os entrevistadores não estão interessados em saber se você é exatamente adequado para o cargo, e é ai que começa o problema.
Eles esperam que você diga o que eles querem ouvir: ideias em voga, expressões da moda, o mínimo conhecimento do negócio (que pode ser adquirido via Wikipedia), teste escrito modelo-Fuvest (introdução, dois argumentos e conclusão em 25 linhas). Quem nunca?
Por exemplo.
Não se alguma vez você, sem nada pra fazer, resolveu procurar emprego em shopping. Sabe, tô ai de bobeira, vou fazer umas entrevistas pra ser vendedor. Ops, quer dizer, entrevista não, processo seletivo.
Pois pra ser vendedor em shopping hoje em dia, primeiro você precisa escrever uma redação com o tema: “Por que eu sempre quiser vendedor de shopping”, brinks, não é isso, mas algo como, “Por que eu sou adequado ao cargo”. Texto que você começar assim (seja qual for a vaga): Competente, motivado, responsável e com bom relacionamento interpessoal..
Você também precisa participar de dinâmicas de grupo e responder questões altamente relevantes, como: "Se pudesse escolher, que bicho você seria?".
Em uma dinâmica para trabalhar em uma livraria que participei, metade das pessoas respondeu: "leão, pois ele tem garra" (mais jura?), "cachorro, pois ele é fiel" (inovador, uhm?) e, por fim, uma gênia que respondeu: “uma formiga, porque eu adoro trabalhar em equipe”. HAHAHAHAHAHAHA morri.
Reparei bem nos entrevistadores nesse momento e vi todos marcando pontinhos positivos para ela na folha de avaliação.
Em outra oportunidade, para uma vaga de vendedora de padaria vi um anúncio que pedia envio de CV e carta de motivação. (!)
Caros recrutadores, meu objetivo sempre foi trabalhar em padaria. Não pra fazer o pão, pois não sei cozinhar hehe :), mas pra vender mesmo. Desde criança eu dizia em casa: olha quando eu crescer, quero vender pão, leite de saquinho, pãozinho de queijo, presunto, croissant, queijo prato. É meu sonho. Imaginar aquela fila de gente de manhã, cada um com 50 centavos no bolso, e eu realizando o sonho das pessoas de ter o próprio pão quentinho todas as manhãs! Não há dinheiro que pague a sensação!
E isso também é muito importante, nunca diga que você precisa do trabalho pela grana. Pega muito mal: então, eu quero vender pão mesmo porque tô desempregado, tenho conta pra pagar/ no final do ano queria ir pra praia com a família/ tô no primeiro ano de faculdade e juntando dinheiro pro Oba no carnaval / minha mulher não me aguenta em casa.
***
Bom, é claro que esse formato de recrutamento deve ter sido desenvolvido por profissionais altamente qualificados, psicólogos, pedagogos, grandes executivos, mas isso não significa que ele sirva para contratar todo tipo de profissional, para qualquer tipo de cargo.
O saldo são equipes desmotivadas, funcionários inadequados para cargos de liderança ou operacionais, desperdício de dinheiro, cansaço, insegurança generalizada.
Milhares de funcionários são contratados todos os dias, com base em critérios mal formulados e, às vezes, não devidamente discutidos em cada uma das empresas (fórmulas prontas raramente funcionam ao lidar com pessoas). Parece-me que o formato de recrutamento hoje em dia (de modo geral) esta equivocado, e isso não é mérito só do Brasil, como pude notar ao ler o livro da francesa Aurelie Boullet.
Portanto, investir em gestão de pessoas pode ser o pulo do gato para firmar cada vez mais o nosso país entre as nações mais influentes economicamente do mundo futuro, dividindo com países de primeiro mundo mais os acertos que as falhas.
Voilà minha conclusão, Sr. avaliador.
Na saideira, fica a dica de um livro brazuca sobre gestão de empresas e, consequentemente, de pessoas. Chama-se "Você está louco", da Ed. Rocco. O autor se chama Ricardo Semler que, para quem lembra, foi o mesmo autor do sucesso "Virando a própria mesa", no final da década de 80. Vale a leitura.
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG75126-5856-432,00.html
* tradução mais do que livre.
* dados, claro, não comprovados.
Olha uma entrevista com a autora do livro "Absolument de-bor-dée", se interessar:
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