27 de nov. de 2009

Nove é o numero da sorte?

E naquela noite ela havia sonhado com dentes. E não gostava de sonhar com dentes.

Era supersticiosa e muito frágil. Pelo menos ela gostava de se sentir assim.

Quando abriu os olhos de manhã, e via ele se vestindo, pensava em sua bunda. Quem foi que disse que só bunda de mulher podia ser bonita?

Mas mudou de ideia, isso parecia tão vulgar. E não queria coisas vulgares nessa manhã de sexta-feira, a imagem dos dentes quebrados em seu sonho ainda percorria sua espinha como um sopro quente.

Ela queria não pensar nisso, ou em coisa alguma....porém, era quase impossível evitar.

Em sua vida, seus hábitos, era quase impossível deixar de pensar em algo que não fosse, como dizer, não sabia mais se era positivo ou negativo.

Enquanto dirigia seu carro, quase sentia-se bem, mas ao olhar para os lados achava tudo tão entediante e sujo. Antigo, tudo tinha cara de ultrapassado: as cores dos carros, o escuro-esburacado do asfalto, os cigarros e os pontos de ônibus.

Neste dia, as coisas todas quase saiam do lugar, tudo caminhava naquela linha imaginária que ela inventou para separar um bom dia, de um mal dia.

Quando saiu de casa, o elevador estava parado em seu andar. Bom sinal. Quando entrou, ele subiu até o 12.

Quando chegou no estacionamento o carro estava aberto. Ótimo. Mas a chave estava no pneu traseiro, isso pode ser um pouco irritante.

Não havia trânsito e ela quase bateu o carro para observar um sujeito de grandes óculos de sol que pedia informações a um taxista. Porque raios isso deveria ser interessante?

Absolutamente. Não era interessante.

Mas ela olhava fixamente para o sujeito que gesticulava e parecia até meio baixo dentro de um carro tão imponente. Engraçado, porque homens de óculos de sol dirigindo carros pretos podem ficar subitamente interessantes? Aliás, tinha uma nova teoria para isso: ou estes homens ficam muito mais bonitos do que realmente são ou parecem completos idiotas.

Sempre pode ser uma coisa ou outra, às vezes, as duas juntas. É sempre assim... rá. engraçadona, sei, sei. Bom sinal, ainda tinha algum senso de humor. Muito bom.

Só mudou de ideia quando notou na calçada aqueles três adolescentes bebendo cerveja, na saída da faculdade. Por um milésimo de segundo pode se imaginar em uma mesa de bar de plástico, tomando cerveja em copo americano, com um cara feio e uma colega qualquer. Ficando bêbada, dando risadas aleatoriamente e no final uma conta pra rachar de R$8,50. Sentia-se tão moderna, quase uma mulher de verdade: podia pagar sua própria bebida e bebê-la como homem de verdade, sem vomitar, sem chorar ou falar de ex namorados. Sabe, existiam todas essas regras...

E então começou a pensar sobre todos os esteriótipos de cabiam dentro de si. Afinal, é possível gostar de Nina Simone e Kings of Leon? Lembrou na sequência sobre como detestava essas pessoas que gostavam de Coldplay. Tudo parecia bege. Nude.

O vento quente da rua invadia seu carro, a calça jeans que cobria as pernas pegando fogo. A imagem refletida no retrovisor. A moto estridente ao lado. A música que ela gostava-e-odiava tocando no rádio. O barulho que o painel do carro fazia.

Um estranho vento quente lhe subia a espinha, tinha algum motivo, hoje ela não seria 100% feliz porque....ahh, dentes. Claro. Efetivamente podia não ser um bom sinal.

cre-ti-na (isso porque não sabe separar idiota em sílabas)

Isso não tem nada a ver....dentes, já havia sonhado com dentes tantas vezes...até parece...uma vez, e faz tempo, ainda havia aquela nuvem do passado sobre sua cabeça, seus dentes explodiam na boca.

(respiração profunda) (estava aprendendo)

Cartola, porque aquela música era tão triste? E porque ele gostava de músicas tão tristes? Ela procurava em seus silêncios as peças que formavam o quebra-cabeças que era sua vida. Pois ele não gostava muito de falar, especialmente se este falar tivesse a ver com...ele..

E ela tentava se justificar, tentava ser especial, tentava alcançar seu afeto e sua aprovação. Então ele a abraçava, e ela suspirava em silêncio. E ele não podia notar, porque ela já tinha se acostumado a viver no escuro. E era assim que ela se sentia mais forte, ironicamente.

Mas as pessoas iam e vinham. e sua irritação crescia no mesmo ritmo do andar de pessoas do estabelecimento. E quando notou, estava irritada, falava alto pelos cantos, segurava a alça da bolsa com toda sua força, quase rangendo os dedinhos.

Foi quando a garçonete entrou. E ela trazia dois pratos de comida na mão. Um deles encostava em sua barriga e a pasta branca roçava seu avental azul, que escondia sua pele flácida e suada.

Mal conseguia comer. Você sabe, não se pode ter tudo na vida. Mas comeu. E mastigava lentamente o bolo úmido... e de repente descobriu porque engolia tão rápido, sentir aquela massa quase líquida se formando em sua boca...

Pediu uma água de côco que veio quente.

Colocou os óculos de sol no rosto (não, não eram aqueles modelos wayfare da moda). Voltou a passos lentos pela calçada, pensando na sapatilha que quase se abria na traseira: preciso arrumar, preciso colocar nesta minha lista interminável de coisas para fazer.

Tanto a se conquistar, tanto a se descobrir, tanto a se aceitar, tanto a se mudar.

Estava quase feliz de pensar que só faltavam poucas horas para o dia terminar, e ela poderia ler seu livro mais novo livro. Não poderia ser acaso, e pensar que ele entedia isso, a fazia imensamente feliz. (Solicito aos leitores que imaginem aqui alguns corações com glitter piscando, grandes e pequenos, naquela vibe MSN de adolescente)

Dentes, dentes, dentes. Uma grande borracha verde, bebês sorridentes, muita felicidade. Respiração profunda.

Havia decidido parar de fumar. De novo.

16 de nov. de 2009

Sobre as perdas

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19 de out. de 2009

SEIXAS, Raul

Hoje vieram me perguntar:
Mas o que é mesmo Medza Matisse?

Pensei: oras, cada um sabe qual é sua medza matisse, e quase diria, impossível, my Darling.

O problema é que não sabia mais o aquilo significava para mim. E se, de repente, eu tivesse mudado tanto, que tivesse me tornado essa pessoa alheia a minha própria pessoa?

Minha cabeça doía. Quase não conseguia abrir meus olhos. Líquidos. Quase não pude descerrar os lábios e arquear as sobrancelhas.

Ahhh, seu eu soubesse...Ahh, seu eu pudesse...

Mas, então, o puxei pelo braço. E lembrei daquele sonho de amores que um dia tive e a tentação de morder suas orelhas e mastigar seus cabelos loiros, loirinhos, me parecia inevitável.

Aí pensava quase em voz alta: dance para mim. Círculos redondos em volta da minha cintura até eu enjoar. Então você segura meus braços e a gente inventa essa dança desconexa, sem ritmo, de passos-firmes-vizinhos-não-reclamem.

E a gente se ama, se joga, se entrega, meio bicho de Vinícius, meio tristeza de Cartola, meio sujo de Chico. Reinventando nossa música, criando novas partituras, pintando de lápis e suor essa história, meio tesão inventado, mais exagerado que Cazuza e menos clichê (...),

É quase um suspiro de desculpas, quase uma brisa-sinfonia de gemidos ofegantes e muito cheios de você. Por dentro, para dentro, engolido pelo avesso, minha carne e entranhas descompassadas ao ritmo da sua respiração.

E eu te beijo como pedido de salvação, o ar me sufoca e eu tiro meu fôlego dos teus desejos.

2 de set. de 2009

Cartas de amor

Assim, está tudo estranho.

Só tenho certeza que te quero, mas isso me soa tão vago.
Parece que um turbilhão de imagens forma-se na minha cabeça e tudo que não serve mais precisa ser descartado.

A única verdade que quero resgatar de antigos hábitos é você.

Entenda, estou um pouco sedada, um pouco confusa, talvez mais sincera do que deveria.

Mas nada disso significa que qualquer coisa mudou. Pelo contrário, veja bem, muito pelo contrário.

Você me consome. Carne, fogo, entrego minha respiração, pele, desejos. Tudo o mais que você pedir.

(suspiros apaixonados) (todos meus)

Pois, na verdade, tudo que eu desejo é me livrar de tudo que não combina mais nem com você, muito menos comigo.

.....

assim.

.....

Enxugo os olhos secos e lembro-me da sua visão lúcida e clara. De seus passos largos, de seus braços, de sua risada-quase-histérica-de-pavor-de-dentes-cerrados da minha cara de apaixonada.

......

Consigo ser mais clara que isso? Sinto vertigens e as margens em branco quase podem me engolir. Sou indigesta. às vezes.

.....

eu. apaixonada.

20 de ago. de 2009

Sobre o mármore

Para Laris

Ela queria dizer, mas e se dizer não fosse suficiente?
Pior, e se não fosse correto? E, se dizendo, entraria numa espécie de redemoinho emocional de auto-flagelo e auto-piedade?

Sabe, sempre era um risco a se correr.

Próxima ao meio-fio, vasculhava a bolsa em busca do fone de ouvido que não funcionava mais. Esperava por aquele ônibus que nunca chegava, ou chegava muito lotado.

Tentou se concentrar, mas no meio de todo aquele concreto, sujeira e barulho não podia mais ser dona de si mesma.

Não conseguia nem ao menos se lembrar das coisas que gostava de comer no almoço, ou dos livros esquecidos na lista de coisas-que-deveria-ler. Das pessoas que gostaria de conhecer, o lugares que gostaria de morar. Já pensou? Se tivesse nascido, não sei, em algum lugar bem bucólico e que tivesse neve. Sim, neve era uma coisa boa. E supermercados cheios de coisas bem verdes orgânicas. e bicicletas.

Não ônibus malditos que nunca chegavam.

Uma buzina ensurdecedora interrompeu sua quase vertigem, antes que ela atingisse seu clímax. Conseguiu pensar bem a tempo em orgamos por imagens. Era uma boa idéia.

Um mal estar súbito lhe acometeu pelas pernas, estranho o centro de suas tensões ser exatamente entre as pernas. Ansiedade acelerava muito mais sua púbis que, sei lá, o centro do peito... Era como se um coração pulsante, de veias, e muito sangue bombeasse seus músculos internos.

Não, não queria subir naquele ônibus. Não queria voltar pelo caminho que já havia percorrido até aquele ponto.
As pessoas não paravam de falar ao seu redor, como tudo aquilo podia ficar subitamente desiteressante em questão de segundos. Como toda aquela multidão podia ser alheia a todo seu previsível universo interior e ao mesmo tempo responsável diretamente por todos seus espasmos e fugas de si mesma?

Metalinguagem, pensou. Não.
Família, psicanálise, Cristóvam Buarque. Não, não. Não era nada daquilo. Pensava naquilo que haviam dito, que ele havia contado. Tentava resgatá-lo, sua imagem.
Dialética, pais, sonhos, carros, projetos. Nada existe e tudo é possível.

A cidade engolia seus sonhos.
Seu instinto criativo.

Porque não existe beleza, epifanias, digressões possíveis que caibam em uma sala dessas tipo aquário. Nem que você tente decorá-la com luzes e lousas e até cores, pra ser bem esforçado...

Estava dentro de seu quarto. E ele era tão macio e suas paredes eram tão flácidas. Podiam cair a cada suspiro seu. E ela podia pintá-lo com guache e as pontas dos dedos, desenhá-lo com a força de um sopro.

E tinha essa colcha colorida, que lembrava a Winona Ryder em um filme que tinha esses retalhos.
Aí pensou em café da manhã. Muitos cafés da manhã, e essa imagem era tão, mas tão, mas tão chata que ela se arrependeu de pensá-la antes mesmo que a imagem pudesse ser formada em sua cabeça.

Porque seu pensamento nesse momento era uma caixa, uma espécie de caixa de televisão. Pra gente e pra cachorro. Ou uma tv de cachorros. Uma tv de cachorros que era um colosso.
Mas cachorros são chatos. Sushis são legais (pegou?)

Não tinha como escapar.Estava em uma prisão. E nenhum ônibus poderia levá-la dali.

#ashes#

18 de ago. de 2009

Fotografia

Ela me olhou fixamente. Por um instante pensei que fosse chorar.
Ela queria falar, dizer,
Por um instante quase me identifiquei com ela, mas recuei com a mesma força que seus olhos me possuiam.

Fui ao banheiro. Podia sentir suas mãos. E ri sozinha olhando minha imagem torpe no espelho. Ajeitei os cabelos para trás e sorri ao me lembrar de você.

E suspirei contente em pensar que estava fechada naquele banheiro silencioso. Pelas janelas só o dia escuro e o barulho imperceptível do asfalto-molhado-do-peso-de-tantos-anos.

Agora, imagine você, dias cinzentos são tão lindos. Tão quase mórbidos.

...

Se giro na cama você me segura e, ainda dormindo, sinto sua respiração na minha boca.E suspiro ofegante de alívio.

Sabe, contei pra ela. Não sei se deveria...me sinto tão fora de mim, digo, uma angústia quente que me escorre pelas pernas.

Nesse mundinho particular, cada vez mais humano, menos articulado, idéias soltas e até um forçadinha grosseira de parecer menos obstinada.

Digo obrigada.

29 de jul. de 2009

Conversas de Alice

Hoje quando acordei tocava essa música. Ela é assim, música de um comercial. Mas eu gostava dela bem antes, e agora que ouço lembro dessa merda e pessoas correndo e felizes.

Ok, todo mundo me interrompe, bom, também não tinha nenhuma boa idéia sobre o que escrever. Toma fôlego, pensa mais um pouco...Não vale mais falar sobre, ó não sei mais. Queria falar sobre esse cheiro adocicado do meu carro, que tem me incomodado, sobre todas essas coisas que vão ter que acontecer agora e essa pequena frustração que tive que passar ontem.

Mas nem vou falar de nada disso. Porque foi mais assim:

Eu desci pra fumar ali na frente do prédio e essa chuva que tava quase patética. E o sujeito do meu lado, que vai embora de ônibus, dizia: ó, chuva-e-ônibus e tals,e eu tentando me concentrar porque tava mais era pensando: clichês e clichês, tipos, nem tomo mais banho de chuva...Na real ó, acho um saco isso de ter que achar chuva lindo ou apreciar o luar e todas essas coisas. Ahhhh, me deixa.

Digo de novo, nem me venha com essas...Não agora, que to sem saco,

Aí né, agora acho que vou fazer essa matéria na faculdade sobre negros e a condição dos negros na sociedade. E daí, né?

É, e daí...eu pensava enquanto ponderava se valia a pena ou não escrever sobre isso ou qualquer outra coisa.

Outro dia, li Caio Fernando Abreu e, ai, eu gosto dele. Você não gosta não? Uhmmmm...

Bem, a minha única tentativa de leitura ultimamente tem sido...putz, nem lembro. Vi uma revista de viagem, dessas pequenas, cheias de imagens e tals. Pois é, tinha essa matéria sobre o Jalapão, achei interessante, mas o Terrível fez cara de quem não se importava...assim, olhinhos virados de quem odeia-viagens-ecochatas. E eu ri, porque ele é fofo, aí se ele diz, Vai abraçar uma árvore, eu quase me morro.

E ontem ele tocou violão, e eu achei liiindo (mas vou falar bem baixinho), e tá, mas um monte de outras coisas, como granizo na janela e ele de olhos abertos (descobri hoje).

E o mais engraçado, é que por mais que eu tente decifrá-lo, não consigo. Não que eu quisesse, gosto desse mistério, você-não-sabe-nada, Aí eu fico chutando: sabe essa bala? Não comprei pra você, achei que não gostasse. E ele ri, e me olha: O quê? E eu rio por dentro e por todas as minhas veias (tem sim, juro) essas partículas e pedacinhos de coisas que não são sangue, nem líquido, nem ar.

Ele também não sabe disso.
Acho uma graça.

16 de jul. de 2009

sobre batatas

Eu desaprendi, eu acho.

Quer dizer, foi assim: acordei hoje de manhã me sentindo shit. Acho que fui dormir me sentido assim.

Não, não sei por que.

Talvez pelo job shit que tive que fazer, pela perda que me custará 120 mangos, pelo cheiro doce e empoeirado do meu carro, pelo meu cigarro que não quis terminar.

Fui pra casa pensando: como sou terrível, e ai, como faço tudo errado. Eu-mulher, eu-amiga, eu-na-minha-versão-corporativa, eu-aluna, eu-amante.

Sabe aqueles dias em que tudo que você precisa é um filme bobo que justifique algumas lagrimazinhas ? Bem, fui até lá comer a comida do terrível e, subindo o elevador pensava comigo mesma: para de ser mal-humor, hein? Ele tem aqueles olhinhos brilhantes e não precisa de eu-de-mal-humor em plena quarta a noite sem nenhuma razão.

Aí, né?Ele é fofo. Deixa eu contar, ele perguntou se eu estava de mal humor. E eu quase me morri, porque, além de mal humorada, amorzinho, estou apaixonada, e acho tão lindo, lindo de matar, você perguntando de mim.

Aí fiquei lá sentada rindo da barriga dele, e depois ele veio ficar falando no escuro no meu ouvido e então eu quase não lembrava mais do meu mal humor.

Mas acordei hoje cedo. E como uma nuvenzinha negra me perseguindo, achei tudo shit. job, ruas, carro, cigarro, web, amigos. cu.

E fiquei assim, passei o dia assim, remoendo todos esses fracassos inventados.

E aí, li um troço de uma amiga-de-uma-amiga, coisa boba, sobre auto-estima.E resolvi parar.

Parar de tanta complicação, tanto drama, boicote, sabotagem. É, simples assim. Sem elucubrações, nem palavras que eu não use no dia-a-dia. Nem coisas de pensar que não sejam,

Volto até a escrever. E paro de inventar. Ahh, claro, e escrever sem pontuar.

3 de jul. de 2009

Entrega

Ele pediu, e pediu tão bonitinho que eu quase não resisti.
Ele disse assim: piscando os olhinhos e fazendo bico-de-mal-humor.
E eu disse: Ai, não tenho tempo mais de escrever. Fora todas as minhas crises psicóticas, assim: não sei mais escrever.

(Se é que alguma vez achei que soubesse)

Aí pensei, escrevo então pra você. Que tem olhos multicoloridos cravejados. Que é incendiário, terrível, usurpador e ....e....

(qual era mesmo a palavra que você não quis me dizer que seu pai te chamava?)

Bem, eu digo, era algo relacionado a pessoas com hábitos noturnos. pessoas que ficam acordadas a noite dando risadinhas e fazendo café e andando pela casa de cuecas.
(suspiro)
Inventando novas posições sexuais.
(ai)

Então eu disse. Assim, fazendo um sotaque mineiro arrastado, dando meu melhor (!)
E ele disse: (bocejo)
E eu pensei: (bobaeu bobaeu)

Mas é que estou meio fora do ar esses dias. Pessoas pela minha casa, coisas novas por toda parte, por alguns segundos não reconheço meu tododia.
E agora que as pessoas não estão aqui, me sinto quase desamparada, sabe? Quando elas estão por perto sei que sempre terei alguém para me defender.
E eu preciso sempre de alguém ao meu lado reiterando minhas confusões, reclamações e tudo mais que eu queira fazer.

Porque elas fazem assim: Não gosto, não quero, para de ser idiota. E eu obedeço.

Ele diz: Você é puxa-saco delas. Sou mesmo, sou, sou, sou o tempo todo delas. Mas penso: assim como sou de você.

E aí, né, quando ele não está junto eu sou mais ou menos assim: Porque ele diz, ele é, ele sente, ele quer, ele gosta, ele, ele, ele.

E eu fico até meio assim, porque sabe...mulheres são bichos estranhos, melhor não fazer muita propaganda. Porque ele já tem aqueles olhos cravejados e muitocoloridos que falam por si só...hihihi

E sabe o que é engraçado?

Ele fala de coisas medianas.E eu digo, olhos abertos, peito nu, mãos espalmadas, sem roupas, sem amarras:

Meu bem, de mediano você não tem/sabe/entende nada.

E eu imagino ele sempre tão, tão, tão! que é até melhor ele não saber...terrível que é, ele diria:
Brega.
E eu piscaria os olhinhos, sorriria e diria: (suspiro)

E me jogaria em cima dele, mexendo em suas coisas, bagunçando seu cabelo, afundada em sua cama, seu peito, engolida corpo-alma sem mastigar para dentro do seu mundo.

16 de jun. de 2009

À venda

Onde está seu celular? Opa, na minha frente.
E o amado? Você diz o?
Cor do cabelo? Preto.
Sua mãe? Vai bem, obrigada. E a sua?
Seu pai? De acordo com ele, correndo 8 km/hora.
Minhas irmãs? Lindas.
Seu filho? Nem uma orquídea eu tenho, e olha que eu quero, hein?
O que mais gosta de fazer? Sexo? (a interrogação é só pra amenizar)
O que você sonhou na noite passada? Minha ex-chefe com barba. Eu saindo do emprego atual no meio do expediente atrás dela. Culpa. Beijo um amigo do terrivelzinho. Eu. Culpa (pensando em uma desculpa).
Onde você está? Working (é?)
Onde você gostaria de estar agora? Assistindo Lost no sofá de meia.
Onde você gostaria de estar daqui a seis anos? De férias em Paris.
Onde você estava há seis anos? Bem longe de Paris.
Onde você estava na noite passada? Home sweety home.
O que você não é? Boba nem nada.
O que você é? Dramática.
Objeto do desejo? Uma mesinha, tipo armarinho, azul, com cara de antiga.
O que vai comprar hoje? Não sei, alguma dica?
Qual sua última compra? Um cigarro que deve ta chegando.
A última coisa que você fez? Projetos divertidos no Word, ouvindo um tal de voz estranha, Pizarelli.
O que você está usando? Cinza.
Na TV? Lost.Lost. Lost.Lost. Ok, super acompanhei a Izzie em Grey’s Anatomy ontem. Oh, Derek....
Seu cachorro? Até lançarem cachorros transgênicos que ficam filhote pra sempre, no thanks.
Seu computador? Com problema no wireless.
Seu humor? De gente impaciente.
Com saudades de Alguém? Vóvis.
Seu carro? Pérola, para mim.
Perfume que está usando? Nenhum, perfumes diurnos me dão dor de cabeça.
Última coisa que comeu? Balas de chocolate e morango.
Fome de quê? Alguma coisa bem deliciosa pra beber.
Preguiça de? Mim.
Próxima coisa que pretende comprar? Uma manta dessas com fios especiais e com brilhinho pro sofá.
Seu verão? Rainy.
Ama alguém? Muitos.muitas.
Quando foi a última vez que deu uma gargalhada? Agora pouco, dos meus cigarros de menta de puta.
Quando chorou pela última vez? Vixi, esses dias, hein?

PS: Copiado dessa moça desse blog que eu não conheço mas parece legal vai lá você também

5 de jun. de 2009

O incrível dia em que Aurenida assassinou a pimenta

Aurenida levantou-se naquele dia com sede de sangue.

Ergueu levemente os olhos embolorados, ajeitou os cabelos presos com suas mãos secas e caminhou até a cozinha a passos firmes, que em nenhum momento lembrava a moça tímida que nas horas vagas gostava de - placidamente, quase estupidamente - assistir TV e filmes românticos dublados.

Seu intuito era assassinar o pão francês.

Foi ao gaveteiro buscar o instrumento que melhor atendesse suas necessidades homicidas. Entre garfos, facas de carne e até saca-rolhas (seu grau de sofisticação atingiu esse ponto), escolheu uma prosaica, mas não menos eficiente, faca de serra.

Apertaria sua vítima com força entre os dedos , esfolando a casca entre as unhas e deixando cair pelo chão pedaços da cobertura do pobre pãozinho. Chegaria à carne macia do seu recheio e a desfiguraria com a faca lentamente, até que seu antigo vigor francês se resumisse a um pequeno bolo amassado, mastigado, sujo de farinha crua e dura.

Mas, não, não havia pães no armário. Extremamente mal humorada e muito insatisfeita, Aurenida começou a andar compulsivamente pela cozinha atrás de algo que pudesse ser destruído por sua força homicida recém-descoberta.

Bolachinhas já empacotadas, geléias vencidas, barrinhas de cereal com chocolate.

Isto era definitivamente um afronta, como dar fim a barras de cereal? Ela tinha sua dignidade, não precisaria acabar algo que já assassinava as pessoas aos poucos. Oferecer chocolate saudável ( não era essa a promessa das famigeradas marcas de produtos naturais?) já era castigo suficiente. Poupar as pessoas da experiência de lambuzar os dedinhos ao se deliciar com chocolates gordos-calórios-suculentos já era uma maneira de decretar e calcular a morte de qualquer um.

Quem já passou por essa vida e não viveu, não se apaixonou, não se entregou aos desejos, nunca teria nada, como dizia o poeta, talvez pensasse Aurenida, isto é, se conhecesse Vinícius de Moraes.

Não.

Ela queria algo vivo, um inimigo à altura, forte, quente, algo que a enfrentasse seu desejo malígno de morte naquela manhã de sexta-feira, algo que permitisse que ela utilizasse instrumentos apropriados, em um combate lento e macabro e quase.

(Pausa dramática)

Foi quando Aurenida visualizou. Imóvel, desprotegido, sem tampa, dormente, seu inimigo potencial: o pote de pimenta. Absolutamente abandonado, sem barreiras de proteção, o pequeno potinho de vidro quase vazio mantinha-se em pé enfrentando as desventuras de uma noite em claro no mármore frio.

Ela não titubeou, correndo até a gaveta lateral, quase arrebentou as mãos ao tentar abri-la. Muniu-se de colher, pegadores, facas, garfos, até rolhas (sim, ímpetos criativos). E de uma só vez abocanhou com as unhas o pobre-potinho-quase-vazio-de-pimenta.

......

Aurenilda lambuzou-se. Todo o processo de assasínio (que não será narrado aqui em respeito ao fraco estômago dos leitores) durou algo em torno de meia hora, 40 minutos. Quando acabou, Aurenilda lambia os lábios satisfeita e muito saciada consigo mesma. Isso sim era prazer real, por um curto espaço de tempo nem se lembrou das mãos suadas e dedos grossos do marido e.

Limpou o suor da testa com as costas das mãos, tinha que dar fim aos vestígios de seu crime. Jogou todos os restos reciclados do defunto em um mausoléu abandonado feito de caixa de leite e, com extrema diligência, higienizou todo o local do crime.

Quando tudo estava terminado, Aurenida olhava para si mesma quase sorrindo, uma última polida na mesinha de canto e era o fim....

Foi quando ela avistou ao longe um quieto e muito tradicional Cappucino. Afinou os dentes, um pouco de saliva escorrendo pelo canto da boca. Não poderia dar fim ao fresco café, não haveria tempo hábil para se livrar das provas.

Rápido, indolor, eficiente. Atirou com força e a distância o Capuccino rumo à lata de lixo, como um bebê indefeso abandonado pela mãe. O semi-café, do alto de sua vaidade pensava:

Este é meu fim. Um cappucino de 7 reais, assassinado pela vil mão de tão ignóbil ser. Acabar em uma lata de lixo....

......

Quando a primeira testemunha chegou ao local do crime encontrou as duas vítimas.O Capuccino foi resgatado ainda com vida. Um rápido banho com água corrente e ele estava são e salvo de volta no armário. Mas a pimenta, pobrezinha....

Seus restos mortais permaneceram em seu leito-de-morte-caixa-de-leite. Era uma boa pimenta do interior, sempre trazendo mais vida e cor à paladares deprimidos e amarelados de cigarros.

......

Aurenida permaneceu imóvel. Quando a testemunha saiu podia jurar que Aurenida assoviava uma música, não reconheceu a melodia mas, definitivamente, lembrava muito Vinícius...

29 de mai. de 2009

Midnight Fever Party

Eu sei que eu faço tudo errado e isso não é auto-flagelo, entenda.

Porque, meu bem, certos hábitos são dificeis de se livrar, certas marcas e amarras e cercas-arame-farpado, espero que você tenha paciência.

Porque você não precisa caber em mundos perfeitos que eu criei para você e para mim, compreenda.

Abra seus braços e permita que eu solte os meus braços sobre os seus. Abra seus olhos e deixe-me enxergar através de suas pupilas claras e translúcidas, tão diferentes do negro-fechado-obscuro dos meus olhos.

Definitivamente, benzinho, as pessoas não morrem de amor, padecemos é de solidão.

...

E naquela época eu vivia de longos suspiros. Era um tempo em que se vivia de esperar.
Alguma epifania, um clímax, luzes, sonhos, a vida tinha um gosto doce de ilusão.

E quando esse tempo passou eu não sabia mais viver.

E te dizer - ou tentar explicar isso - era mais que difícil que acreditar que isso fosse realmente verdade.

26 de mai. de 2009

Da série: Surto (Versão Anisinho do teclado)

Porque não tenho mais nada a dizer. Digo, então, copiando os outros, porque se é para ser ruim, que seja feito com classe.

PS:Prometo, ó dignímisso público pagão, que da próxima vez lanço uma Paulo Coelho ou Zíbia Gasparetto.
PS2: Adouuro Luiz Melodia. Mas sou muito vaidosa pra admitir.
PS3: Aliás, hoje lembrei que sou muuuito vaidosa. Mas não nesse lance bonito de ser.
Vaidade baixa, insegura, dramática e egocêntrica - histérica. Me pergunto se faz sentido...
PS4: Fica pra outro post.


Se ando triste, mal, desconfiado
Desvairado, com cara de santo
Podes crer, meu bem
Que santo é um santo
Se choro franco, falo um pouco antes
Olha, eu falei bastante
As pessoas que eu amo
Eu amo bastante
Por isso canto
Santo é um santo
Nova imagem a respeitar
Eu conheço o homem, o lobisomem
A moça linda vive a pensar
Chuvas vão cair
A chuva molha tanto
Chuvas vão cair
Meu bem, meu Deus
E molham tanto
Eu falo, falo, falo que não falo nada
Eu mostro, tanto mostro que sou santo nada

Naturalmente

Preciso dizer tudo que tá engasgado aqui dentro.

:

Mesmo com 10 anos de idade seus olhos cravejados-multicoloridos fariam sentido para mim.

Pronto, acabou.

ps: Mudei de idéia sobre te conhecer antes de te conhecer. Teria sido bom. Fato.

Museu de grandes novidades

Eram três ou cinco pessoas. O que tinha dedos-longos, o playboy-que-não-pegava-ninguem, o maconheiro, o que gostava-de-psicanálise. Ahhh, e tinha uma que-só-queria-aparecer.
Sentados ao redor de suas mesas, tomavam a mesma cerveja quente, levando o copo à boca repetidas vezes em um ritual histérico, silencioso, contido e resignado.

O playboy, desconfio eu, tinha pau pequeno. E por isso, tentava se auto afimar latindo suas conquistas, peito de pavão, e um certo olhar arrogante e mãos trêmulas abaixo da mesa, tateando no escuro dos bolsos o maço de Malboro (box, ele só comprava box).

A puta, começamos por ela. Só queria companhia e para satisfazer seu ego, precisava dizer: "Sim, você não se lembra?Como era ridículo?" O outro, claro, nunca ela mesma.

Talvez devesse ter pena, afinal, quase todo mundo sabe como funcionam os mecanismos da insegurança em mocinhas modernas (too much city, not that much of sex - licença poética).

O maconheiro, ahhh o maconheiro. Esse filme já foi visto quantas vezes? Uma voz meio rouca, falta de modos, onipotência e um desejo irrefreável de nunca crescer. Superadequado, case-se com sua mãe. Fica aí a dica.

O de dedos longos conhecia seu dom. E gostava de deixar bem claro como sabia usá-los. Receita de um vencedor, fale, fale muito sobre tudo. Critique, fale mal de todos. Você pode, dedos-longos te redimem. Mas será?

Tenho lá minhas dúvidas. Homens conseguem enganar, mas as mulheres, ahhh, a quilômetros de distância sabe-se onde há sensibilidade. E ela não engana nem a si mesma. Tire os brinquinhos prateados pendurados do nariz, aquela tatoo-descolada-marcada-a-fogo-direto-de-pastas-plásticas,e....Já sabe, né? Ou quer mais um clichê?

Pronto, falei.

Mono no aware

Respiro profundamente e aperto com força as mãos sobre as coxas. Deslizo lentamente pela parede e sinto o chão gelado sob meus pés. Você me olha de longe. Você é forte e quente.

Tento ajeitar os cabelos e me recompor. Mas tudo parece sem sentindo agora, você me fala sobre todas essas coisas que não me interessam e eu finjo descaso.
Em vão, tento alcançar o isqueiro perto dos meus pés. Mas não há nada no caminho que me impeça, então desisto.

Enxugo com as costas das mãos o que resta do batom carmim que passei para te impressionar.

Você tenta me impedir.Suas verdades.

Pare de me olhar com olhos de espadas. Mas voce não entende o que eu digo. Por favor, grite comigo. Não é possivel. Pare de me ouvir e solte as minhas mãos.
Não, a culpa é sua. Porque eu....veja bem, eu....você não quer ouvir como sou....Você não pode.

Mas você permanece. E seus olhos quase não se abrem. E voce quase me sufoca enquanto eu me agarro ao seu pescoço.

(Perda)

Eu me encosto em seu ombro. E meu mundo parece bem menor agora. E minhas lágrimas secas escorrem ao ritmo da sua respiração.

Não há sangue, não há cercas-limite-arame-farpado. Não há reconstrução. Nada às avessas. Só minha velha fantasia sobre seus braços quentes.

25 de mai. de 2009

Lostanatomia

E eu apertei suas mãos com força. Beijei seus cílios e suspirei um suspiro sem fôlego de ar engolido pra dentro do peito.
Por alguns instantes me peguei pensando que sim, já era hora. Já podia ser. De dizer tudo aquilo que eu havia sonhado um dia antes de te conhecer.
Mas não queria dizer assim, como se fosse banal. Não queria dizer como se fosse um clichê, mesmo conhecendo todos os nossos lugares comuns.

To be continued....

19 de mai. de 2009

Monologuismos

- Eu adoro me fazer de burra.
Você sorri e finge não entender.
Resolvo mudar a estratégia.
- Paciência é uma das minhas virtudes.
Você me olha indagador.
- Claro que não é. Não lembra aquele dia com a moça que.
Não, não era esse o rumo da conversa.

Mantive-me sentada nesse dia claro, consumida por essa angústia corta-fogo-carne-respiração.
Acho que não queria ser salva.
Afogada em elucubrações nada dignas.
Não conseguia nem fazer poesia. Digo, poesia de verdade. É, versos livres. Não se pode nem mais tentar ser poeta atualmente. Porque queria ser paransiana e barroca. Sim, barroca sou um pouco.
Mas a imagem que não me foge nunca é de Pasárgada, que agora nesse exato momento parece-me mais perto que antes.

- Será que é alguma forma de depressão...Isso foi uma pergunta...
- Já falamos sobre isso anteriormente. Você está se repetindo.
- Estou só tentando te impressionar.

(Respiro fundo, buscando na superficialidade da garganta um ar poluído e abafado de cigarros amarelados)

Não está adiantando. Quero te persuadir de algo que não acredito tanto assim. Por um instante desejo ter valores morais incorruptíveis.
Queria acreditar na felicidade e que, ahhh sim, há pessoas que não, não....assim, não são como eu. Pessoas como você. Quer dizer, mais ou menos.
O problema real é se apaixonar por pessoas que você admira, muito mais fácil se apaixonar por bêbados, torpes. Muito mais fácil, com certeza. Autoridade incontestável.

Mas eu preciso sair desse círculo vicioso, é necessário fugir das grades, amarras, prisões, dragões e aquela vontade incontrolável de sair correndo nua por ruas sujas e sarjetas cheirando a.

Não quero continuar, porque não é essa a imagem. A imagem de tododia de hoje é mais parecida com não sei, Olga Benário....nada de Lorenas, Lião ou Anas Claras.

Hoje é dia de animus.

- Lembra quando te falei de animus pela primeira vez:
- Eu nem precisei me esforçar, eram dias de sol aqueles, dias de sábados, dias de recomeços, dias de grama e corridinhas e comidinhas e noites quentes e mentes.
- Mas eu não mentia, tento de defender do seu olhar-inexistente-inquisidor.
- Já disse que você tem olhos lindos:
- Lindos, lindos olhos obliquos-cravejados-multicoloridos-disformes.

(Suspiro)

Penso em você. E me vem essa imagem toda cheia de coisinhas que eu criei para montar um mundo perfeito. Assim, pra você e pra mim. Mas me lembro que não há nada de rei em mim.
Não há nada de engajado, politizado ou escapista.
- Faz tempo, você não diz que me acha linda. Nem inteligente, nem que eu sou a melhor pessoa que poderia cruzar seus caminhos tão doces e sublimes,
Muito silêncio e felicidade e te encher de beijos até te afogar de tanto prazer.

Perninhas para o ar, risadinhas cumplices, bobagens noturnas e súbitos acesso de tesão durante os almoços. E sim, encher seus dias de flores e pratos e orgulhos e conquistas e sinceridade, emoção, verdades.

Chega das mentiras de sempre. Das fugas. Das saudades. Dos fracassos. Dos fogos, da água, de respirações que não sejam aquelas que um dia aprendi e já desaprendi por falta de hábitos. E regras e convenções,

Como pode: Ser assim dramática. Fala sério, você nunca notaria. Mas eu achei adequado dividir todas essas coisas antes de. antes de. antes de saber se era. porque eu queria (quero), desejava (desejo) que fosse (que seja) e será.

Então consigo me aquecer. Ahhh como adoro Caio Fernando.
Gostou da intimidade:

Mas nesse momento não quero pensar em coisas neste sentido místico da coisa. Hoje sou terra, coisificada, material, real, dura como pedras ou rios sem movimento. Dona de todo o meu mundo. Esse mesmo que criei para poder desalinhar suas gravatas, quando você usar gravatas. Acho que vai combinar. Fetiche. pronto, falei. Acabei de inventar.E me parece bem sedutor.

Mas aí tem todas essas coisas que não fazem o menos sentido para mim, porque quero todas as janelas do meu mundo abertas só para te deixar entrar. Destruindo com a sua respiração as paredes imaginárias-doggy-vil que só você sabe como apagar com sua borracha e dedos finos e leves, como o ar que vai entrar quando tudo estiver no chão.

Minhas roupas no chão. Seus pés em minhas mãos. E serão zebras, não cavalos. E eles recitarão Kant, não falarão inglês. E eu serei rei. Princesa só se eu puder andar nua na Pasárgada em que irei me desconstruir para você.

Sua respiração ao pé do meu ouvido.