29 de jul. de 2009

Conversas de Alice

Hoje quando acordei tocava essa música. Ela é assim, música de um comercial. Mas eu gostava dela bem antes, e agora que ouço lembro dessa merda e pessoas correndo e felizes.

Ok, todo mundo me interrompe, bom, também não tinha nenhuma boa idéia sobre o que escrever. Toma fôlego, pensa mais um pouco...Não vale mais falar sobre, ó não sei mais. Queria falar sobre esse cheiro adocicado do meu carro, que tem me incomodado, sobre todas essas coisas que vão ter que acontecer agora e essa pequena frustração que tive que passar ontem.

Mas nem vou falar de nada disso. Porque foi mais assim:

Eu desci pra fumar ali na frente do prédio e essa chuva que tava quase patética. E o sujeito do meu lado, que vai embora de ônibus, dizia: ó, chuva-e-ônibus e tals,e eu tentando me concentrar porque tava mais era pensando: clichês e clichês, tipos, nem tomo mais banho de chuva...Na real ó, acho um saco isso de ter que achar chuva lindo ou apreciar o luar e todas essas coisas. Ahhhh, me deixa.

Digo de novo, nem me venha com essas...Não agora, que to sem saco,

Aí né, agora acho que vou fazer essa matéria na faculdade sobre negros e a condição dos negros na sociedade. E daí, né?

É, e daí...eu pensava enquanto ponderava se valia a pena ou não escrever sobre isso ou qualquer outra coisa.

Outro dia, li Caio Fernando Abreu e, ai, eu gosto dele. Você não gosta não? Uhmmmm...

Bem, a minha única tentativa de leitura ultimamente tem sido...putz, nem lembro. Vi uma revista de viagem, dessas pequenas, cheias de imagens e tals. Pois é, tinha essa matéria sobre o Jalapão, achei interessante, mas o Terrível fez cara de quem não se importava...assim, olhinhos virados de quem odeia-viagens-ecochatas. E eu ri, porque ele é fofo, aí se ele diz, Vai abraçar uma árvore, eu quase me morro.

E ontem ele tocou violão, e eu achei liiindo (mas vou falar bem baixinho), e tá, mas um monte de outras coisas, como granizo na janela e ele de olhos abertos (descobri hoje).

E o mais engraçado, é que por mais que eu tente decifrá-lo, não consigo. Não que eu quisesse, gosto desse mistério, você-não-sabe-nada, Aí eu fico chutando: sabe essa bala? Não comprei pra você, achei que não gostasse. E ele ri, e me olha: O quê? E eu rio por dentro e por todas as minhas veias (tem sim, juro) essas partículas e pedacinhos de coisas que não são sangue, nem líquido, nem ar.

Ele também não sabe disso.
Acho uma graça.

16 de jul. de 2009

sobre batatas

Eu desaprendi, eu acho.

Quer dizer, foi assim: acordei hoje de manhã me sentindo shit. Acho que fui dormir me sentido assim.

Não, não sei por que.

Talvez pelo job shit que tive que fazer, pela perda que me custará 120 mangos, pelo cheiro doce e empoeirado do meu carro, pelo meu cigarro que não quis terminar.

Fui pra casa pensando: como sou terrível, e ai, como faço tudo errado. Eu-mulher, eu-amiga, eu-na-minha-versão-corporativa, eu-aluna, eu-amante.

Sabe aqueles dias em que tudo que você precisa é um filme bobo que justifique algumas lagrimazinhas ? Bem, fui até lá comer a comida do terrível e, subindo o elevador pensava comigo mesma: para de ser mal-humor, hein? Ele tem aqueles olhinhos brilhantes e não precisa de eu-de-mal-humor em plena quarta a noite sem nenhuma razão.

Aí, né?Ele é fofo. Deixa eu contar, ele perguntou se eu estava de mal humor. E eu quase me morri, porque, além de mal humorada, amorzinho, estou apaixonada, e acho tão lindo, lindo de matar, você perguntando de mim.

Aí fiquei lá sentada rindo da barriga dele, e depois ele veio ficar falando no escuro no meu ouvido e então eu quase não lembrava mais do meu mal humor.

Mas acordei hoje cedo. E como uma nuvenzinha negra me perseguindo, achei tudo shit. job, ruas, carro, cigarro, web, amigos. cu.

E fiquei assim, passei o dia assim, remoendo todos esses fracassos inventados.

E aí, li um troço de uma amiga-de-uma-amiga, coisa boba, sobre auto-estima.E resolvi parar.

Parar de tanta complicação, tanto drama, boicote, sabotagem. É, simples assim. Sem elucubrações, nem palavras que eu não use no dia-a-dia. Nem coisas de pensar que não sejam,

Volto até a escrever. E paro de inventar. Ahh, claro, e escrever sem pontuar.

3 de jul. de 2009

Entrega

Ele pediu, e pediu tão bonitinho que eu quase não resisti.
Ele disse assim: piscando os olhinhos e fazendo bico-de-mal-humor.
E eu disse: Ai, não tenho tempo mais de escrever. Fora todas as minhas crises psicóticas, assim: não sei mais escrever.

(Se é que alguma vez achei que soubesse)

Aí pensei, escrevo então pra você. Que tem olhos multicoloridos cravejados. Que é incendiário, terrível, usurpador e ....e....

(qual era mesmo a palavra que você não quis me dizer que seu pai te chamava?)

Bem, eu digo, era algo relacionado a pessoas com hábitos noturnos. pessoas que ficam acordadas a noite dando risadinhas e fazendo café e andando pela casa de cuecas.
(suspiro)
Inventando novas posições sexuais.
(ai)

Então eu disse. Assim, fazendo um sotaque mineiro arrastado, dando meu melhor (!)
E ele disse: (bocejo)
E eu pensei: (bobaeu bobaeu)

Mas é que estou meio fora do ar esses dias. Pessoas pela minha casa, coisas novas por toda parte, por alguns segundos não reconheço meu tododia.
E agora que as pessoas não estão aqui, me sinto quase desamparada, sabe? Quando elas estão por perto sei que sempre terei alguém para me defender.
E eu preciso sempre de alguém ao meu lado reiterando minhas confusões, reclamações e tudo mais que eu queira fazer.

Porque elas fazem assim: Não gosto, não quero, para de ser idiota. E eu obedeço.

Ele diz: Você é puxa-saco delas. Sou mesmo, sou, sou, sou o tempo todo delas. Mas penso: assim como sou de você.

E aí, né, quando ele não está junto eu sou mais ou menos assim: Porque ele diz, ele é, ele sente, ele quer, ele gosta, ele, ele, ele.

E eu fico até meio assim, porque sabe...mulheres são bichos estranhos, melhor não fazer muita propaganda. Porque ele já tem aqueles olhos cravejados e muitocoloridos que falam por si só...hihihi

E sabe o que é engraçado?

Ele fala de coisas medianas.E eu digo, olhos abertos, peito nu, mãos espalmadas, sem roupas, sem amarras:

Meu bem, de mediano você não tem/sabe/entende nada.

E eu imagino ele sempre tão, tão, tão! que é até melhor ele não saber...terrível que é, ele diria:
Brega.
E eu piscaria os olhinhos, sorriria e diria: (suspiro)

E me jogaria em cima dele, mexendo em suas coisas, bagunçando seu cabelo, afundada em sua cama, seu peito, engolida corpo-alma sem mastigar para dentro do seu mundo.

16 de jun. de 2009

À venda

Onde está seu celular? Opa, na minha frente.
E o amado? Você diz o?
Cor do cabelo? Preto.
Sua mãe? Vai bem, obrigada. E a sua?
Seu pai? De acordo com ele, correndo 8 km/hora.
Minhas irmãs? Lindas.
Seu filho? Nem uma orquídea eu tenho, e olha que eu quero, hein?
O que mais gosta de fazer? Sexo? (a interrogação é só pra amenizar)
O que você sonhou na noite passada? Minha ex-chefe com barba. Eu saindo do emprego atual no meio do expediente atrás dela. Culpa. Beijo um amigo do terrivelzinho. Eu. Culpa (pensando em uma desculpa).
Onde você está? Working (é?)
Onde você gostaria de estar agora? Assistindo Lost no sofá de meia.
Onde você gostaria de estar daqui a seis anos? De férias em Paris.
Onde você estava há seis anos? Bem longe de Paris.
Onde você estava na noite passada? Home sweety home.
O que você não é? Boba nem nada.
O que você é? Dramática.
Objeto do desejo? Uma mesinha, tipo armarinho, azul, com cara de antiga.
O que vai comprar hoje? Não sei, alguma dica?
Qual sua última compra? Um cigarro que deve ta chegando.
A última coisa que você fez? Projetos divertidos no Word, ouvindo um tal de voz estranha, Pizarelli.
O que você está usando? Cinza.
Na TV? Lost.Lost. Lost.Lost. Ok, super acompanhei a Izzie em Grey’s Anatomy ontem. Oh, Derek....
Seu cachorro? Até lançarem cachorros transgênicos que ficam filhote pra sempre, no thanks.
Seu computador? Com problema no wireless.
Seu humor? De gente impaciente.
Com saudades de Alguém? Vóvis.
Seu carro? Pérola, para mim.
Perfume que está usando? Nenhum, perfumes diurnos me dão dor de cabeça.
Última coisa que comeu? Balas de chocolate e morango.
Fome de quê? Alguma coisa bem deliciosa pra beber.
Preguiça de? Mim.
Próxima coisa que pretende comprar? Uma manta dessas com fios especiais e com brilhinho pro sofá.
Seu verão? Rainy.
Ama alguém? Muitos.muitas.
Quando foi a última vez que deu uma gargalhada? Agora pouco, dos meus cigarros de menta de puta.
Quando chorou pela última vez? Vixi, esses dias, hein?

PS: Copiado dessa moça desse blog que eu não conheço mas parece legal vai lá você também

5 de jun. de 2009

O incrível dia em que Aurenida assassinou a pimenta

Aurenida levantou-se naquele dia com sede de sangue.

Ergueu levemente os olhos embolorados, ajeitou os cabelos presos com suas mãos secas e caminhou até a cozinha a passos firmes, que em nenhum momento lembrava a moça tímida que nas horas vagas gostava de - placidamente, quase estupidamente - assistir TV e filmes românticos dublados.

Seu intuito era assassinar o pão francês.

Foi ao gaveteiro buscar o instrumento que melhor atendesse suas necessidades homicidas. Entre garfos, facas de carne e até saca-rolhas (seu grau de sofisticação atingiu esse ponto), escolheu uma prosaica, mas não menos eficiente, faca de serra.

Apertaria sua vítima com força entre os dedos , esfolando a casca entre as unhas e deixando cair pelo chão pedaços da cobertura do pobre pãozinho. Chegaria à carne macia do seu recheio e a desfiguraria com a faca lentamente, até que seu antigo vigor francês se resumisse a um pequeno bolo amassado, mastigado, sujo de farinha crua e dura.

Mas, não, não havia pães no armário. Extremamente mal humorada e muito insatisfeita, Aurenida começou a andar compulsivamente pela cozinha atrás de algo que pudesse ser destruído por sua força homicida recém-descoberta.

Bolachinhas já empacotadas, geléias vencidas, barrinhas de cereal com chocolate.

Isto era definitivamente um afronta, como dar fim a barras de cereal? Ela tinha sua dignidade, não precisaria acabar algo que já assassinava as pessoas aos poucos. Oferecer chocolate saudável ( não era essa a promessa das famigeradas marcas de produtos naturais?) já era castigo suficiente. Poupar as pessoas da experiência de lambuzar os dedinhos ao se deliciar com chocolates gordos-calórios-suculentos já era uma maneira de decretar e calcular a morte de qualquer um.

Quem já passou por essa vida e não viveu, não se apaixonou, não se entregou aos desejos, nunca teria nada, como dizia o poeta, talvez pensasse Aurenida, isto é, se conhecesse Vinícius de Moraes.

Não.

Ela queria algo vivo, um inimigo à altura, forte, quente, algo que a enfrentasse seu desejo malígno de morte naquela manhã de sexta-feira, algo que permitisse que ela utilizasse instrumentos apropriados, em um combate lento e macabro e quase.

(Pausa dramática)

Foi quando Aurenida visualizou. Imóvel, desprotegido, sem tampa, dormente, seu inimigo potencial: o pote de pimenta. Absolutamente abandonado, sem barreiras de proteção, o pequeno potinho de vidro quase vazio mantinha-se em pé enfrentando as desventuras de uma noite em claro no mármore frio.

Ela não titubeou, correndo até a gaveta lateral, quase arrebentou as mãos ao tentar abri-la. Muniu-se de colher, pegadores, facas, garfos, até rolhas (sim, ímpetos criativos). E de uma só vez abocanhou com as unhas o pobre-potinho-quase-vazio-de-pimenta.

......

Aurenilda lambuzou-se. Todo o processo de assasínio (que não será narrado aqui em respeito ao fraco estômago dos leitores) durou algo em torno de meia hora, 40 minutos. Quando acabou, Aurenilda lambia os lábios satisfeita e muito saciada consigo mesma. Isso sim era prazer real, por um curto espaço de tempo nem se lembrou das mãos suadas e dedos grossos do marido e.

Limpou o suor da testa com as costas das mãos, tinha que dar fim aos vestígios de seu crime. Jogou todos os restos reciclados do defunto em um mausoléu abandonado feito de caixa de leite e, com extrema diligência, higienizou todo o local do crime.

Quando tudo estava terminado, Aurenida olhava para si mesma quase sorrindo, uma última polida na mesinha de canto e era o fim....

Foi quando ela avistou ao longe um quieto e muito tradicional Cappucino. Afinou os dentes, um pouco de saliva escorrendo pelo canto da boca. Não poderia dar fim ao fresco café, não haveria tempo hábil para se livrar das provas.

Rápido, indolor, eficiente. Atirou com força e a distância o Capuccino rumo à lata de lixo, como um bebê indefeso abandonado pela mãe. O semi-café, do alto de sua vaidade pensava:

Este é meu fim. Um cappucino de 7 reais, assassinado pela vil mão de tão ignóbil ser. Acabar em uma lata de lixo....

......

Quando a primeira testemunha chegou ao local do crime encontrou as duas vítimas.O Capuccino foi resgatado ainda com vida. Um rápido banho com água corrente e ele estava são e salvo de volta no armário. Mas a pimenta, pobrezinha....

Seus restos mortais permaneceram em seu leito-de-morte-caixa-de-leite. Era uma boa pimenta do interior, sempre trazendo mais vida e cor à paladares deprimidos e amarelados de cigarros.

......

Aurenida permaneceu imóvel. Quando a testemunha saiu podia jurar que Aurenida assoviava uma música, não reconheceu a melodia mas, definitivamente, lembrava muito Vinícius...

29 de mai. de 2009

Midnight Fever Party

Eu sei que eu faço tudo errado e isso não é auto-flagelo, entenda.

Porque, meu bem, certos hábitos são dificeis de se livrar, certas marcas e amarras e cercas-arame-farpado, espero que você tenha paciência.

Porque você não precisa caber em mundos perfeitos que eu criei para você e para mim, compreenda.

Abra seus braços e permita que eu solte os meus braços sobre os seus. Abra seus olhos e deixe-me enxergar através de suas pupilas claras e translúcidas, tão diferentes do negro-fechado-obscuro dos meus olhos.

Definitivamente, benzinho, as pessoas não morrem de amor, padecemos é de solidão.

...

E naquela época eu vivia de longos suspiros. Era um tempo em que se vivia de esperar.
Alguma epifania, um clímax, luzes, sonhos, a vida tinha um gosto doce de ilusão.

E quando esse tempo passou eu não sabia mais viver.

E te dizer - ou tentar explicar isso - era mais que difícil que acreditar que isso fosse realmente verdade.

26 de mai. de 2009

Da série: Surto (Versão Anisinho do teclado)

Porque não tenho mais nada a dizer. Digo, então, copiando os outros, porque se é para ser ruim, que seja feito com classe.

PS:Prometo, ó dignímisso público pagão, que da próxima vez lanço uma Paulo Coelho ou Zíbia Gasparetto.
PS2: Adouuro Luiz Melodia. Mas sou muito vaidosa pra admitir.
PS3: Aliás, hoje lembrei que sou muuuito vaidosa. Mas não nesse lance bonito de ser.
Vaidade baixa, insegura, dramática e egocêntrica - histérica. Me pergunto se faz sentido...
PS4: Fica pra outro post.


Se ando triste, mal, desconfiado
Desvairado, com cara de santo
Podes crer, meu bem
Que santo é um santo
Se choro franco, falo um pouco antes
Olha, eu falei bastante
As pessoas que eu amo
Eu amo bastante
Por isso canto
Santo é um santo
Nova imagem a respeitar
Eu conheço o homem, o lobisomem
A moça linda vive a pensar
Chuvas vão cair
A chuva molha tanto
Chuvas vão cair
Meu bem, meu Deus
E molham tanto
Eu falo, falo, falo que não falo nada
Eu mostro, tanto mostro que sou santo nada

Naturalmente

Preciso dizer tudo que tá engasgado aqui dentro.

:

Mesmo com 10 anos de idade seus olhos cravejados-multicoloridos fariam sentido para mim.

Pronto, acabou.

ps: Mudei de idéia sobre te conhecer antes de te conhecer. Teria sido bom. Fato.

Museu de grandes novidades

Eram três ou cinco pessoas. O que tinha dedos-longos, o playboy-que-não-pegava-ninguem, o maconheiro, o que gostava-de-psicanálise. Ahhh, e tinha uma que-só-queria-aparecer.
Sentados ao redor de suas mesas, tomavam a mesma cerveja quente, levando o copo à boca repetidas vezes em um ritual histérico, silencioso, contido e resignado.

O playboy, desconfio eu, tinha pau pequeno. E por isso, tentava se auto afimar latindo suas conquistas, peito de pavão, e um certo olhar arrogante e mãos trêmulas abaixo da mesa, tateando no escuro dos bolsos o maço de Malboro (box, ele só comprava box).

A puta, começamos por ela. Só queria companhia e para satisfazer seu ego, precisava dizer: "Sim, você não se lembra?Como era ridículo?" O outro, claro, nunca ela mesma.

Talvez devesse ter pena, afinal, quase todo mundo sabe como funcionam os mecanismos da insegurança em mocinhas modernas (too much city, not that much of sex - licença poética).

O maconheiro, ahhh o maconheiro. Esse filme já foi visto quantas vezes? Uma voz meio rouca, falta de modos, onipotência e um desejo irrefreável de nunca crescer. Superadequado, case-se com sua mãe. Fica aí a dica.

O de dedos longos conhecia seu dom. E gostava de deixar bem claro como sabia usá-los. Receita de um vencedor, fale, fale muito sobre tudo. Critique, fale mal de todos. Você pode, dedos-longos te redimem. Mas será?

Tenho lá minhas dúvidas. Homens conseguem enganar, mas as mulheres, ahhh, a quilômetros de distância sabe-se onde há sensibilidade. E ela não engana nem a si mesma. Tire os brinquinhos prateados pendurados do nariz, aquela tatoo-descolada-marcada-a-fogo-direto-de-pastas-plásticas,e....Já sabe, né? Ou quer mais um clichê?

Pronto, falei.

Mono no aware

Respiro profundamente e aperto com força as mãos sobre as coxas. Deslizo lentamente pela parede e sinto o chão gelado sob meus pés. Você me olha de longe. Você é forte e quente.

Tento ajeitar os cabelos e me recompor. Mas tudo parece sem sentindo agora, você me fala sobre todas essas coisas que não me interessam e eu finjo descaso.
Em vão, tento alcançar o isqueiro perto dos meus pés. Mas não há nada no caminho que me impeça, então desisto.

Enxugo com as costas das mãos o que resta do batom carmim que passei para te impressionar.

Você tenta me impedir.Suas verdades.

Pare de me olhar com olhos de espadas. Mas voce não entende o que eu digo. Por favor, grite comigo. Não é possivel. Pare de me ouvir e solte as minhas mãos.
Não, a culpa é sua. Porque eu....veja bem, eu....você não quer ouvir como sou....Você não pode.

Mas você permanece. E seus olhos quase não se abrem. E voce quase me sufoca enquanto eu me agarro ao seu pescoço.

(Perda)

Eu me encosto em seu ombro. E meu mundo parece bem menor agora. E minhas lágrimas secas escorrem ao ritmo da sua respiração.

Não há sangue, não há cercas-limite-arame-farpado. Não há reconstrução. Nada às avessas. Só minha velha fantasia sobre seus braços quentes.

25 de mai. de 2009

Lostanatomia

E eu apertei suas mãos com força. Beijei seus cílios e suspirei um suspiro sem fôlego de ar engolido pra dentro do peito.
Por alguns instantes me peguei pensando que sim, já era hora. Já podia ser. De dizer tudo aquilo que eu havia sonhado um dia antes de te conhecer.
Mas não queria dizer assim, como se fosse banal. Não queria dizer como se fosse um clichê, mesmo conhecendo todos os nossos lugares comuns.

To be continued....

19 de mai. de 2009

Monologuismos

- Eu adoro me fazer de burra.
Você sorri e finge não entender.
Resolvo mudar a estratégia.
- Paciência é uma das minhas virtudes.
Você me olha indagador.
- Claro que não é. Não lembra aquele dia com a moça que.
Não, não era esse o rumo da conversa.

Mantive-me sentada nesse dia claro, consumida por essa angústia corta-fogo-carne-respiração.
Acho que não queria ser salva.
Afogada em elucubrações nada dignas.
Não conseguia nem fazer poesia. Digo, poesia de verdade. É, versos livres. Não se pode nem mais tentar ser poeta atualmente. Porque queria ser paransiana e barroca. Sim, barroca sou um pouco.
Mas a imagem que não me foge nunca é de Pasárgada, que agora nesse exato momento parece-me mais perto que antes.

- Será que é alguma forma de depressão...Isso foi uma pergunta...
- Já falamos sobre isso anteriormente. Você está se repetindo.
- Estou só tentando te impressionar.

(Respiro fundo, buscando na superficialidade da garganta um ar poluído e abafado de cigarros amarelados)

Não está adiantando. Quero te persuadir de algo que não acredito tanto assim. Por um instante desejo ter valores morais incorruptíveis.
Queria acreditar na felicidade e que, ahhh sim, há pessoas que não, não....assim, não são como eu. Pessoas como você. Quer dizer, mais ou menos.
O problema real é se apaixonar por pessoas que você admira, muito mais fácil se apaixonar por bêbados, torpes. Muito mais fácil, com certeza. Autoridade incontestável.

Mas eu preciso sair desse círculo vicioso, é necessário fugir das grades, amarras, prisões, dragões e aquela vontade incontrolável de sair correndo nua por ruas sujas e sarjetas cheirando a.

Não quero continuar, porque não é essa a imagem. A imagem de tododia de hoje é mais parecida com não sei, Olga Benário....nada de Lorenas, Lião ou Anas Claras.

Hoje é dia de animus.

- Lembra quando te falei de animus pela primeira vez:
- Eu nem precisei me esforçar, eram dias de sol aqueles, dias de sábados, dias de recomeços, dias de grama e corridinhas e comidinhas e noites quentes e mentes.
- Mas eu não mentia, tento de defender do seu olhar-inexistente-inquisidor.
- Já disse que você tem olhos lindos:
- Lindos, lindos olhos obliquos-cravejados-multicoloridos-disformes.

(Suspiro)

Penso em você. E me vem essa imagem toda cheia de coisinhas que eu criei para montar um mundo perfeito. Assim, pra você e pra mim. Mas me lembro que não há nada de rei em mim.
Não há nada de engajado, politizado ou escapista.
- Faz tempo, você não diz que me acha linda. Nem inteligente, nem que eu sou a melhor pessoa que poderia cruzar seus caminhos tão doces e sublimes,
Muito silêncio e felicidade e te encher de beijos até te afogar de tanto prazer.

Perninhas para o ar, risadinhas cumplices, bobagens noturnas e súbitos acesso de tesão durante os almoços. E sim, encher seus dias de flores e pratos e orgulhos e conquistas e sinceridade, emoção, verdades.

Chega das mentiras de sempre. Das fugas. Das saudades. Dos fracassos. Dos fogos, da água, de respirações que não sejam aquelas que um dia aprendi e já desaprendi por falta de hábitos. E regras e convenções,

Como pode: Ser assim dramática. Fala sério, você nunca notaria. Mas eu achei adequado dividir todas essas coisas antes de. antes de. antes de saber se era. porque eu queria (quero), desejava (desejo) que fosse (que seja) e será.

Então consigo me aquecer. Ahhh como adoro Caio Fernando.
Gostou da intimidade:

Mas nesse momento não quero pensar em coisas neste sentido místico da coisa. Hoje sou terra, coisificada, material, real, dura como pedras ou rios sem movimento. Dona de todo o meu mundo. Esse mesmo que criei para poder desalinhar suas gravatas, quando você usar gravatas. Acho que vai combinar. Fetiche. pronto, falei. Acabei de inventar.E me parece bem sedutor.

Mas aí tem todas essas coisas que não fazem o menos sentido para mim, porque quero todas as janelas do meu mundo abertas só para te deixar entrar. Destruindo com a sua respiração as paredes imaginárias-doggy-vil que só você sabe como apagar com sua borracha e dedos finos e leves, como o ar que vai entrar quando tudo estiver no chão.

Minhas roupas no chão. Seus pés em minhas mãos. E serão zebras, não cavalos. E eles recitarão Kant, não falarão inglês. E eu serei rei. Princesa só se eu puder andar nua na Pasárgada em que irei me desconstruir para você.

Sua respiração ao pé do meu ouvido.

18 de mai. de 2009

Da série: Queria ter escrito isso

Não quero mudar você
nem mostrar novos mundos
pois eu, meu amor, acho graça até mesmo em clichês

Adoro esse olhar blasé
que não só já viu quase tudo
mas acha tudo tão déjà vu mesmo antes de ver.

Só proponho
alimentar meu tédio.
Para tanto, exponho
a minha admiração.
Você em troca cede o
seu olhar sem sonhos
à minha contemplação:

Adoro, sei lá por que,
esse olhar
meio escudo
que em vez de meu álcool forte pede água Perrier

Antonio Cícero

Morfina

Se eu disser que eu tenho medo você acredita?
Se eu disse que sinto novamente aquele frio entre as veias e cercas arames-farpado por todo lado você fica me socorre?
Se eu disser que minhas mãos estão trêmulas e eu preciso vomitar tudo você segura meus cabelos?
Se eu disser que me perdi novamente em meio a torpes linhas imaginárias você me resgata?

Porque eu não consigo.

Acho que fiz tudo errado novamente, e o estrago, aquele doce e indissolúvel, me sufoca a garganta. E não consigo pensar em olhos oblíquos porque minha visão está turva.
E porque não sei lidar com a sua dor, porque nunca consegui superar as minhas próprias fraquezas.

E eu, que deveria estar ao seu lado preciso é da sua mão sobre meu peito o tempo todo. Porque busco em você algo que nunca consegui encontrar em mim e quanto mais te procuro, Eu não quero nada.

Preciso me salvar de mim mesma e procuro no silêncio amargo de tudo isso que me cerca respostas inventadas. Porque eu tenho muito medo. Só por hoje um grande pavor me dilacera a carne.

Hoje quem precisa da sua mão, seu hálito quente, sua voz abafada, todas as cores do seu olho, pele, unha, doce e todas as suas palavras gordas e frescas como algo novo, sou eu.

Me deixa chutar a merda da porta do seu mundo imaginário, arrancar essas amarras reais. Porque hoje eu quero sentir novamente o gosto da sarjeta, as vozes da multidão, o calor.

Vou tacar fogo em tudo. Casa, emprego, convenções, verdades. Minha vida será uma grande mentira. E ninguém mais poderá me acusar de não ser feliz.

Um pavor histérico me cerra os lábios. Não posso mais continuar.

.....

Abro os olhos e vejo você ao meu lado. Pernas estiradas. Te encho de beijos que você não nota, afundo a cabeça em seus braços, me agarro ao seu peito e consigo adormecer antes de me lembrar o que havia me feito acordar anyway.

14 de mai. de 2009

Eu também indico, veja você

Aí ó,coloquei até ali nos meus favoritos.

http://www.opequi.com/.

Bom gosto, conteúdo interessante e um blogueiro antenado.
Imperdível. Vai lá!

7 de mai. de 2009

Autoridade

Deixa eu ser sua.
Deixa eu sentir o amargo da tua rotina.
Deixa eu limpar sua pele com o meu suor.

Faça com que a saudade seja serena.
A espera um suplício.
Seus beijos na minha saliva.

Empresto a ponta do meu nariz.
Entrego minha mão.
Esfrego meus cabelos nas suas paredes.
Enrolo minhas pernas em seus lençóis.
Meu ventre e muitas flores para adoçar sua boca.

Abrir os caminhos para você passar
Sorrir para te sentir suspirar
Permanecer para você suportar
Todas as suas dores diárias

Ouvir seu tom grave, seu violão desafinado e sua dança descompassada.
Que só eu entendo, só eu vejo, só eu desejo.

Feche seus olhos.

29 de abr. de 2009

Never been kissed

Tá bem, tá bem, depois dessa preciso me redimir, já que é para sucumbir a terrível tentação de textos longos.
Eu, que mantive-me clean durante quase um mês, careta, e livre de prolixismos.
Senti-me tão mais saudável, você não sabe como é se livrar do peso da redundância e da superadjetivação.

Não, não fui mais feliz, confesso. A vida é muito melhor quando cedemos aos excessos, mas meu pescoço andava muito bem integrado ao meu tronco. E, por alguma razão, eu havia desligado aqueles fiozinhos que me prendiam aos meus textos – os ruins, os imaginários, os escritos à lapiseira 0.7.

Por alguma razão, minha vida se tornou algo que transcendia os limites laterais da página em branco. Tirei os sapatos e caminhei com as pontas dos dedos até o canto superior esquerdo da folha. Coloquei minha touca de banho, tirei dos bolsos a terra, os chaveiros, penteei os cabelos e limpei o supor do rosto com as costas da mão.

Pulei de cabeça sem abrir os olhos. Girei pela massa uniforme cinza, macia e espumosa. Derreti pelas entradas de ar daquele velho computador empoeirado e quando dei por mim estava jogada sem roupas na porta da tua casa.

Você tentou me vestir, claro, eu relutei. Mas está tão bom, livre das minhas próprias obrigações morais, esbravejei.

Quer dizer, você sabe que não esbravejei. Falei bem baixinho no seu ouvido, porque você não merece alguém falando alto pelos seus caminhos. Porque você, que tem olhos cravejados multicoloridos, precisa é andar bem mansinho e de visões que possam ir além do seu astigmatismo.

Então eu tomei banhos gelados. E nem notei como andava minha janela porque agora a visão dela dá para o outro lado da rua. Aquele que você não conhece, mas que eu descobri na margem do teu pulso, que senti entre suas respirações, que eu li em seus lábios enquanto você suspirava.

E tanto de mim se dissolve em você. Afundando em suas paredes tão alvas, sendo engolida por sua cama e seus lençóis cor de sangue, não de carne.

Que eu até saí andando outro dia. 5 horas da tarde. E foi como se eu invertesse a ordem metafísica do dia. E a noite eu vivesse mais à meia luz que durante todo o restante das horas em que eu ando de óculos de sol para impressionar estranhos.

Ando mais impressionada com minha estranheza ao notar que noite e dia e luzes não fazem mais diferença quando se livra das formas e investe-se mais em conteúdo.

Pois eu fico, disse batendo os pezinhos no chão

Pensa numa vadia afetada. Era assim que eu me sentia ao acusar a pobre menina loira (?) de puta.
Foi mais ou menos assim. Não vi, mas não gostei. Meu coração parecia tentar escapar pelos meus dedos do pé. E sentia uma pulsação que me arrepiava todos os fios não-loiros e não ondulados do meu corpo.

E justo eu, que curtia minha crise de desaprendizado, inspirei-me novamente só para poder reclamar. Porque aqui, dentro da MINHA folha em branco eu posso te chamar de vagabunda afetada sem talento clichediana, que nunca pensou nos mesmos olhos oblíquos que eu.
Aqui, dentro do meu pessoal e muito humano Word. Quente e hard eu posso dizer e você não pode me criticar.

Então, em bati em sua porta. Mas você não estava. Com as pontas dos pés, muito tensa (me contaram depois) pisei dentro de um território outrora seu. Afinal, você não o ocupava mais (não preciso explicar a mecânica do MST, né?).

Primeiro sentei-me em seu sofá. E achei tudo muito macio e de bom gosto, não havia como não notar. Tomei banhos com seus perfumes e troquei os seus lençóis. Quer saber? Não havia mais nenhum resquício do seu cheiro impregnado neles.

E eu dormi de olhos bem fechados e de corpo aberto. Lábios semi-cerrados, que é como eu gosto.
Pensei em colocar Cartola, mas optei por Cordel do Bode Encantando. Só para poder ouvir uma música bem alta. Não, de maneira nenhuma, nenhum problema comigo mesma, acredita?

Aquele ar de outono sempre me fez tão bem. Queria tanto abraçar e me sentir envolvida e feliz. Por um instante esqueci que você havia pisado os mesmos passos que eu.

Suas roupas nunca me serviriam. Não sei porque, só sei dizer que nunca tentei. Imagino que você tivesse mal gosto, a pensar nos biquinhos cereja que me pareciam samba-suor-terra-lágrimas-otimismo-afetação. Vagabunda, vaca, dissimulada.

E eu queria pular daquela janela ou sair correndo por ruas burguesas e fugir de tudo aquilo. Não tenho vocação para felicidade, não sou carismática, não sou legal, não sou relaxada, não sou humilde, não sou nada disso.

Nunca fui.

E aquela sua casa estúpida e aquela farsa toda armada, o que EU tinha a ver com aquilo? Melhor fugir, corra enquanto é tempo. Corra enquanto é tempo, deixe-se pender para o lado mais fácil.

Não quero te enfrentar, porque para isso teria que enfrentar minhas próprias fraquezas, que ontem estavam refletidas na sua imagem torpe do outro lado do espelho.

Então, em um movimento brusco, inconsciente, súbito. Virei-me em sua direção, enfiei minhas mãos através do vidro e te arranquei pelos cabelos. Você me parecia tão distante, que quase tive pena.

Mas te beijei. E toda minha saliva gerou uma brisa quente e seus braços tão inertes atravessaram minhas veias, minha pele e você sucumbiu.

Eu sorri quase com sinceridade, mas com muita compaixão. E você pode me sussurrar segredos de liquidificador no meu ouvido antes que eu pudesse me justificar ou te agradecer.

Você volta para o espelho. E agora suas mãos estão grudadas no vidro. Se eu encosto as mãos posso te sentir e só neste instante nos perdoamos.

28 de abr. de 2009

Permissão

Eu estava sem inspiração, mas voce me inspirou. Só por que eu preciso vomitar meu talento e minha insegurança na sua cara. E esse vazio, eu não queria mas me arrepia só de pensar. E eu tenho medo e até um pouco de raiva.E medo, muito medo, e um frio me corroe o peito e me gela as mãos e tudo que eu quero é fugir para bem longe da sua ausência e da sua memoria ecoando em um passado que eu nunca conheci. Não que me presente me faça melhor ou maior, mas com certeza mais sucinta. Demorei para aprender para queria de alguma forma pedir sua complacência. Precisei passar por tanta coisa para chegar até aqui, de alguma maneira destinos cruzados. Uma porta para uma nova vida, mas esse frio não cessa, e meu braço arrepiado e essa naturalidade afetada.
E eu não sei mais o que fazer, porque tenho mais medo de você do que qualquer outra pessoa poderia ter. E tenho medo até de voce ser tudo aquilo que eu imagino.
E minha inseguranla me corrompe e meus medos me amordaçam e me fazem calar e brilhar meus olhos afetados e meu sorriso fingido.
Por favor, deixa eu passar.

PS: Eu sei que este post tá uma bosta.

16 de abr. de 2009

Desconstrução, desaniversário e desaprendizagem

- Reduza, reduza esse texto, minha filha.
- Não, não, aí não entra crase.
- Mas isso é um texto vendedor?
- E você sabe que não pode falar assim, o usuário não entende.
- Internet não funciona assim.
- Isso é muito offline.
- Não, só fotos livres. Ilustração a cliente não quer.
- Já terminou?
- O quê? MSN?
- Já terminou?
- Prioridades. Prioridades.
- Fontes de confiança.

- Ei. Você tá aí?
- Sim, sim. Só fui buscar um café.
- Mas você é tensa, né? Olha, café, chá, canetas mordidas. Você come até lápis?

Enquanto eu. Apalpando as minhas pernas cruzadas só pensava nas suas mãos e pele e respiração sobre as minhas coxas.